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Um final feliz! Haimar Zubeldia pendurou ontem, aos 40 anos da idade, a sua bicicleta perto de sua casa (Guipuzkoa) na Clássica de San Sebastian conforme o que tinha planeado no início desta temporada. Para trás ficam 20 anos de um enorme profissionalismo e de um percurso bastante difícil (principalmente quando o ciclista teve que lidar, no ano de 2012, com uma cardiopatia que quase lhe terminou a carreira) com pouquíssimas falhas. O trepador formado na magnífica escola de escaladores que era a antiga equipa basca Euskatel (faz muita falta ao ciclismo; a formação basca era uma verdadeira escola de formação de talentos para a alta montanha) adaptava-se muito bem a qualquer estatuto que lhe fosse dado numa equipa e não desiludia nenhum director desportivo que apostasse todas as suas fichinhas nas suas capacidades e no seu elevadíssimo índice de trabalho: o ciclista basco tanto era capaz de liderar equipas como era capaz de ser visto constantemente a fazer o penoso vaivém entre o pelotão e os carros de apoio para transportar águas para os companheiros.

No final da etapa de ontem, Haimar Zubeldia recebeu o típico Beret basco na singela homenagem que lhe foi preparada pela organização da Clássica de San Sebastian.

Haimar Zubeldia nasceu para o ciclismo profissional em 1998, aos 21 anos, ao serviço da extinta Euskatel. A formação basca vivia na altura a sua verdadeira época de apogeu com a presença nas suas fileiras de grandes trepadores (formados localmente) como Roberto Laiseka, Álvaro Gonzalez de Galdeano, Igor Gonzales de Galdeano, Txema del Olmo, Unai Extebarria. Outra geração talentosa, geração onde se inseria Zubeldia, também haveria de dar cartas na alta montanha nos anos subsequentes: dois desses ciclistas são actualmente dois dos grandes ídolos da história do ciclismo do país basco. Falo de, nada mais, nada menos que Iban Mayo e Samuel Sanchez.

Talhado para ser um excelente trepador, Zubeldia não ficou a dever na alta montanha aos melhores trepadores das 2 gerações de ciclistas que veio a enfrentar nestes 20 anos enquanto profissional. Prova disso foram os 5 lugares de top 10 conquistados no Tour entre 2003 e 2014 (o melhor resultado de sempre do ciclista guipuzcoano foi um 4º lugar na edição de 2007), e o 10º lugar conquistado na sua prova de estreia na Vuelta no ano 2000. As expectativas depositadas no ciclista basco no início da sua carreira eram de facto muitas e de um elevado teor de dificuldade.  Se Iban Mayo e Samuel Sanchez não tivessem sido os corredores importantíssimos que foram na história do ciclismo contemporâneo, estou certo que Zubeldia teria liderado a equipa Euskatel na primeira década do Século XXI. No final da temporada, o veterano Haimar foi recrutado por vários dos grandes corredores dos nossos tempos para os auxiliar ou até mesmo secundar na montanha como os irmãos Schleck, Alberto Contador, Samuel Sanchez, Bauke Mollema, Andreas Kloden, Chris Horner ou Levi Leipheimer,

Para além dos óptimos resultados obtidos nas suas 28 participações em grandes voltas (dessas 28 terminou 25; 6 lugares no top-10; mais 5 no top-20) o quarentão pode despedir-se com um conjunto muito interessante de vitórias em diversas provas. No total, venceu 6 provas (2 gerais, 3 etapas, entre as quais um contra-relógio colectivo no Tour de 2009 e 2 prémios categorizados) tendo brilhado com diversos pódios em provas de elevado destaque no calendário da UCI como o Criterium Dauphiné (onde conquistou o prémio da juventude no ano 2001), a Volta a Múrcia, a Volta às Astúrias e a Volta à Catalunha.

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