Volta à Polónia – 1ª etapa – A raiva de Peter Sagan


Rui Costa está na Polónia a participar na grande volta daquele país. A prova polaca servirá essencialmente ao português para se preparar para a sua participação na Vuelta. O melhor ciclista português da actualidade não irá participar na prova de estrada dos Campeonatos Europeus de Ciclismo no próximo dia 6.

 

Dos Campos Elísios passamos directamente para o verão polaco. A 74ª edição da Volta à Polónia já está na estrada. Até dia 4, sexta-feira, 154 ciclistas irão tentar tentar conquistar uma prova de 7 etapas (entre as quais 3 etapas de montanha com 2 chegadas em alto) que já foi conquistada por nomes de características tão díspares como Darius Baranowski, Serguei Ivanov, Ondrej Sosenka, Laurent Brochard (o verdadeiro Axel Rose do ciclismo!), Kim Kirchen, Stefan Schumacher, Johan Van Summeren, Jens Voigt, “Bala” Alessandro Ballan, Daniel Martin, Peter Sagan, Moreno Moser, Pieter Weening, Rafal Majka, Jon Izaguirre ou Tim Wellens da Lotto-Soudal. Wellens não está presente na edição deste ano. Dos restantes vencedores dos últimos anos (alguns já terminaram as suas carreiras) estão presentes nomes como Peter Sagan, Rafal Majka e Moreno Moser.

Não estando previsto qualquer contra-relógio na prova, os grandes candidatos à vitória na geral serão naturalmente os trepadores. As 3 etapas de montanha, em particular as duas que irão ser corridas na cadeia do Tatra, serão as etapas nas quais nomes como Rafael Valls (Lotto), Bob Jungels (Quickstep), Samuel Sanchez e Tejay Van Garderen (BMC), Adam Yates (Orica), Rafal Majka (Bora), Wilco Keldermann (Subweb), Simon Spilak e Ilnur Zakarin (Katusha), Domenico Pozzovivo (AG2R), Vincenzo Nibali (Bahrain), Sebastien Reichenbach (FDJ), Moreno Moser (Astana) e Jan Hirt (CCC) irão discutir a vitória na geral individual. Alguns destes nomes poderão no entanto não se encontrar na Polónia para discutir a prova mas antes para fazer uma escala competitiva antes da sua participação na Vuelta. O figurino das equipas e dos líderes presentes não anda muito longe do figurino do último Giro. Desde o final de Maio que alguns destes corredores aproveitaram o seu tempo para descansar e para começar a preparar a sua participação na Polónia e em Espanha nos habituais estágios de altitude.

Neste lote de corredores aparece um que é mais favorito que todos os outros. Falo do líder da Bora Rafal Majka. Para além de estar a correr em casa, factor que lhe garante uma motivação extraordinária, o trepador polaco aparece com mais ritmo nas pernas que os restantes chefes-de-fila em virtuda da sua participação em várias etapas do Tour, prova onde viria a desistir depois de ter sofrido uma queda.

Ao nível de sprinters, a prova terá a participação de vários dos grandes nomes deste departamento. Peter Sagan irá tentar redimir-se do fracasso que foi a sua participação no Tour. O campeão europeu, ciclista que irá no próximo dia 6 tentar renovar o seu título em Herning (Dinamarca) não deverá ficar decerto até ao final da prova. Nas 4 etapas que podem culminar na disputa em sprint massivo, Sagan (vencedor da etapa que irei analisar neste post) terá que lidar com a presença de interessantes contenders como Petr Vakoc (Quickstep), Caleb Ewan (Orica), Sam Oomen (Sunweb), Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo-NL), Sacha Modolo (UAE), Tyler Farrar e Kristian Sbaragli (Dimension Data) e Pavel Brutt (Rusvelo).

Rui Costa (UAE), Ruben Guerreiro (Trek), Nelson Oliveira (Movistar) e José Gonçalves (Katusha) formam o quarteto lusitano que veremos em acção na próxima semana.

Peter Sagan está com a corda toda mas não é capaz de retirar ilacções das situações em que este envolvido.

Na chegada a Cracóvia, o eslovaco, bicampeão do mundo e campeão europeu de estrada começou a reagir à injustiça desqualificação que o eliminou do seu objectivo principal de temporada logo à 4ª etapa do Tour. Bem fresca na sua memória ainda estará a cena de teatro protagonizada por Mark Cavendish naquela terrível chegada a Vittel. Peter Sagan não é um ciclista de meios termos: ou vence ou então prefere não vir a terreiro competir. Seria portanto de esperar que o sprinter da Bora utilizasse a primeira etapa da Volta a Polónia para calar todos aqueles que o acusam de ser um verdadeiro “cheater” que precisa de fazer batota para ganhar à concorrência.

A ânsia de vencer a todo o custo para provar que consegue vencer sem recurso a qualquer tipo de truques, levou o eslovaco a cometer uma enorme falha no sprint final. Uma daquelas falhas que indicia que o ciclista eslavo não retira muitas ilacções das situações que provoca ou das situações em que é punido injustamente em virtude do seu envolvimento. Como podemos ver na imagem e no vídeo acima (entre o minuto 33:58 e o minuto 34:01), os comissários da UCI presentes na prova polaca poderiam ter retirado a vitória na etapa ao ciclista da Bora. No momento do lançamento do sprint, Sagan deu um ligeiro “chega para lá” com um ligeiro mas impeditivo balanceamento do corpo (e cotovelo, decerto) a um homem da AG2R, impedindo-o de disputar livremente o sprint. O resto do sprint foi completamente legal. O eslovaco foi mais rápido que Caleb Ewan nos metros finais, numa etapa em que a Bora, a Orica e a Sunweb uniram esforços para anular a castiça fuga do dia…

(…) iniciada por 4 corredores na qual finalizaram 2 antes da chegada ao circuito final de 12 km (3 voltas de 4) marcado no centro de Cracóvia. Uma das equipas da casa, a CCC, aproveitou para lançar logo na primeira etapa um das suas principais cartadas: o rolador Maciej Paterski. Ao longo da semana será absolutamente normal vermos ciclistas das equipas da casa na frente. Sendo a prova polaca uma prova de World Tour com transmissão em directo para todo o mundo, os patrocinadores das 2 equipas polacas em prova deverão aproveitar o momento para fazer render o seu peixe. O ciclista de 30 anos, corredor que já venceu ao longo da sua carreira enquanto profissional provas como o Tour da Noruega, o Tour da Croácia, para além de uma etapa na Volta à Catalunha, protagonizou um conjunto de cenas surreais com o seu colega de fuga Martin Keizer da Lotto-Jumbo-NL. Com cerca de 2 minutos de vantagem para o pelotão a 30 km da meta (tempo que não seria fácil de retirar, ainda para mais tratando-se os dois ciclistas de bons roladores) os ciclistas decidiram revezar-se nos ataques em vez de tentarem unir esforços para disputar a vitória na recta da meta.

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