Volta à Polónia – Caleb Ewan volta a molhar a sopa no seu inconfundível estilo


Inconfundível e até algo bizarro para um sprinter. Quando vemos a normal postura de outros sprinters pensamos numa postura corporal expansiva: braços bem flectidos, costas bem seladas, rabo levantado do selim (na esmagadora maioria) e bicicleta a dançar entre a esquerda e a direita para ganhar mais velocidade. O talentoso sprinter australiano de 23 anos tem um centro de gravidade baixíssimo devido à sua pequena estatura de 1,65m. Se não fosse tão explosivo, o ciclista nascido em Sydney poderia ter as características morfológicas ideais para ser um bom trepador.

Estranha é, deveras, a postura corporal do australiano no acto de finalização. No entanto, a aerodinâmica utilizada pelo corredor é altamente eficaz porque como podemos ver na imagem de baixo. A utilização de um centro de gravidade baixo, com a cabeça totalmente projectada para fora do guiador e o tronco apoiado no mesmo, permite-lhe ser menos propenso a perder velocidade nos sprints disputados sob vento frontal. Porém, a posição utilizada pelo sprinter da Orica não é de todo inédita. Esta técnica já é utilizada há muitos anos pelo rei dos sprinters Mark Cavendish.

Com esta posição na bicicleta, Caleb Ewan consegue reduzir a sua exposição a ventos frontais na ordem de 10% em relação à exposição de outros ciclistas que utilizam a posição clássica como André Greipel ou Peter Sagan. A redução da exposição a ventos frontais permite ao australiano ganhar 3 metros (mantendo-se a potência utilizada por todos os ciclistas numa condição coeteris paribus) de vantagem sobre os adversários num sprint com a duração de 14 segundos (250 metros). Em sprints longos de 300\400 metros, estamos a falar de uma vantagem que pode facilmente atingir os 6\7 metros, distância que se torna praticamente impossível de anular ao nível da utilização de mais potência numa pedalada. Se 3 metros por vezes significa a diferença entre primeiro e 10º classificado na etapa… imaginem portanto o que não são 6 metros de diferença num espaço de acção tão reduzido.

Na 4ª tirada da Volta à Polónia, o australiano deverá ter agradecido a vitória na etapa ao seu lançador, o esloveno Luka Mezgec. O ciclista esloveno fez um trabalho de sapa exemplar no acto de lançamento. Com um vigor do tamanho do mundo, Mezgec “pegou” no seu sprinter quando este parecia estar a afundar-se no pelotão para o carregar para a frente do mesmo. O trabalho realizado pelo também sprinter (e dos bons, se pudesse efectivamente ter uma estrutura a trabalhar para ele) deixou Ewan no ponto ideal para contrariar as abordagens de Peter Sagan e Danny van Poppel.

Partindo ligeiramente recuado, o sprinter da Sky fez 100 metros finais do outro mundo. Danny Van Poppel tem vindo a demonstrar durante a presente temporada, as razões pelas quais já é considerado por muitos especialistas como um sprint integrante da elite mundial. Com uma capacidade invulgar de posicionamento (raramente se posicional mal no acto de lançamento), o holandês de 24 anos é um ciclista com um grau de aplicação de potência nos metros finais completamente absurdo. Para o leitor ter uma ideia, sprinters como Marcel Kittel, Mark Cavendish ou Andre Greipel (sem grande fadiga acumulada durante a etapa; num sprint normal com a duração de 12\13 segundois) conseguem aplicar uma potência normal entre os 8g5 e os 1140 watts. Se dividirmos por exemplo 1140 watts pelos 86 kg de Kittel estamos a falar de uma potência por quilo muito interessante de 13,25. Ou seja, mais 3,25 kh\kg que um ciclista normal, mais 2 que o normal para um sprinter num sprint de 12 segundos e metade da potência utilizada por um ciclista de pista. Mais que isso é altamente improvável para muitos sprinters. Neste sprint, num range de 5 segundos, os finais, Dylan Van Poppel rondou os 1180 watts enquanto Caleb Ewan conseguiu um alcance bem perto dos 1020 watts e Peter Sagan ficou-se pelos 920 watts de máximo na totalidade do sprint.

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