Não queres mais nada, Luís Filipe?


“Impõe-se por isso, que talvez tenha chegado o momento das entidades oficiais, do Estado e do Governo chamarem a si, a procura do encontro de uma solução que permita, que seja uma entidade independente e credível a regulamentar e gerir as principais áreas que requerem independência e autonomia face aos diferentes competidores” – Luís Filipe Vieira – 05\08\2017

Esmiucemos as declarações de Vieira. O que o presidente do Benfica pretende é a criação (através da produção de legislação por parte das instituições competentes pela lei para o efeito) de uma entidade independente, tutelada pelo Estado, capaz de albergar no seu seio os 3 conselhos (Arbitragem, Justiça e Disciplina) que já são controlados pelo Benfica na Federação para, os afastar totalmente da esfera de acção dos rivais e controlar melhor todos os órgãos de decisão. Não basta o clima de impunidade total em que vive o clube encarnado. O seu presidente ainda tem a lata de vir propor um Estado à medida das suas necessidades mais urgentes.

Esta ideia não é de todo virgem. A criação de uma entidade independente que possa albergar o actual Conselho de Arbitragem da Federação é uma ideia que tem vindo a ser defendida, desde há algum tempo, pelo jornaleiro Rui Santos. O presidente do Benfica apenas pegou na ideia com o intuito estratégico de continuar a passar aquela habilidosa e hipócrita imagem de justiceiro, defensor da moral e dos bons costumes, do avanço tecnológico e da modernização do futebol quando toda a gente sabe que nesta matéria, o presidente dos encarnados, no seu íntimo, defende a continuação do corrupto status quo alcançado pelo clube nos órgãos de decisão da FPF.

A ideia visa claramente criar uma linha entre o actual estado que “permite ao Benfica mandar à vontade” e um estado futuro que permitirá aos encarnados “ordenar a seu belo prazer à vontadinha”. Seguindo a linha de actuação que tem sido utilizada pelos encarnados na última década, a constituição dessa “entidade independente”, tutelada pelo directamente pelo Governo (supomos) acarretaria a imediata colocação das pessoas certas nos lugares certos, com a devida conivência dos amigos de Vieira no governo. Sim, os mesmos governantes que até hoje não só ainda não foram capazes de lhe apresentar as facturas das pesadas dívidas que foram pagas recentemente por todos os contribuintes deste país como ainda se sentam a seu lado na tribuna presidencial do Estádio da Luz.

Que moral tem portanto um dos principais devedores à coisa pública para pedir que a coisa pública possa actual numa questão particular cujo lúgubre objectivo subliminar que se esconde por detrás de um discurso altamente ofensivo (à inteligência de cada um) é o de continuar a beneficiar os propósitos e objectivos da instituição que dirige?

Não pudemos porém observar da parte do presidente do Benfica o mesmo comportamento no que concerne à questão da ilegalidade das claques do clube encarnado. Para Vieira, o Estado só serve para interferir nas questões que dão granjeiam benefícios ao Benfica. Para fazer imperar a lei, o Estado já não apresenta qualquer serventia. A lei é clara como a água(…)

(…) e o Benfica viola-a em várias alíneas. A violação dos preceitos enunciados na lei não motiva Vieira a pedir a intervenção de quem quem que seja. Como pudemos ver, o presidente do Benfica até teve a distinta lata de negar o óbvio. Em 24 horas, uma justa interdição do estádio da Luz foi revertida com uma abismal facilidade. Esta prerrogativa detida pelo clube da Luz não deixa de ser bizarra no altamente burocrático estado em que vivemos. O comum cidadão pode demorar meses a resolver uma questão junto das instituições. Na resolução dos seus problemas, esses cidadãos podem ser votados a um profundo martírio de papeis e papeizinhos, decisões e decisõezinhas, deferimentos e indeferimentos, recursos a recursozinhos. O Benfica conseguiu contornar a lei em menos de 24 horas. Maravilhoso não é? Pudesse funcionar assim neste país do faz de conta.

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3 thoughts on “Não queres mais nada, Luís Filipe?”

  1. Parece aqueles putos que passam a vida a fazer mal a outro, até que chega um belo momento de emancipação em que acaba por levar uma bisca bem dada no focinho, ficando prostrado no solo.
    Rapidamente corre para junto da saia da mãe, gritando exasperado: “Ele bateu-me! Ele bateu-me!!”.

    Muito resumidamente: Vergonha na cara e se é para falar das coisas, tem de ser mesmo tudo, não é só aquilo que pode dar jeito!

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    1. Pela frente, Luís Filipe Vieira tenta transparecer a imagem do bom cidadão zeloso, cumpridor da lei, interessado em ajudar a comunidade (a ideia da criação de uma escola secundária e de uma universidade), generoso (as várias acções promovidas pelo clube junto de crianças de bairros desfavorecidos e de soldados dos vários ramos das forças armadas), preocupado com o rumo da modalidade. Por trás, nos bastidores, quem o conhece diz que Luís Filipe é outro ser “completamente transformado”, transtornado, ganancioso e até, místico.

      Não deixa de ser curioso: o que Luís Filipe Vieira propôs não anda longe do que foi proposto em várias ocasiões ao longo destes últimos 4 anos por Bruno De Carvalho. Também não deixa de ser engraçado: a sociedade é muito mais tolerante com a proposta de Vieira do que aquilo que foi com a mesmíssima proposta apresentada no passado pelo presidente do Sporting. Sinais de uma sociedade cada vez mais parcial e cada vez mais dominada pela “informação para manadas” que brota dos departamentos de comunicação dos clubes?”

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