O golo do dia


Na partida inaugural desta temporada da Ligue 1, o Toulouse de Pascal Dupraz deu água pela barba à defesa do campeão em título, o Mónaco de Leonardo Jardim. Prova disso foi o lance do primeiro golo, lance construído numa sublime jogada estudada num lance de bola parada.

Apontem-se as falhas que se quiserem apontar ao comportamento da formação monegasca neste lance: o trabalho de Dupraz e dos seus jogadores foi limpinho e cristalino com a água. O mérito da obtenção deste golo pertence claramente às acções desenvolvidas pelos jogadores do Toulouse. Ora vejamos: 

No preciso momento em que o jogador encarregue de bater o canto levanta a bola para a entrada da grande área, existe, em simultâneo, a entrada de 4 jogadores na área monegasca. Uma das primeiras críticas que se poderia fazer à disposição posicional da formação do principado seria por exemplo a crítica à ausência de jogadores à entrada da área. Como podemos ver, há um jogador monegasco à entrada da área para dois jogadores do Toulouse. A defesa foi naturalmente arrastada pela entrada dos ditos jogadores porque, à priori, nenhum dos defensores esperava o lançamento da bola para fora da área. Mesmo assim, a formação de Leonardo Jardim cumpriu, na minha opinião, os mínimos exigíveis naquela situação concreta. 

Enquanto a bola ainda está no ar, podemos, através do circulo desenhado a azul ver os bloqueios que são realizados por três jogadores para que a bola passe para o jogador identificado mais à direita, o avançado Andy Delort.

O bloqueio executado não só teve o mérito de impedir a passagem do adversário para interceptar o cruzamento (fazendo chegar o esférico ao destinatário idealizado, Andy Delort) como baralhou por completo o sistema de marcações no lance em questão, gerando portanto um enorme estado de confusão na defesa monegasca.

Assim que o esférico chegou ao antigo internacional sub-20 pela França, o bloqueio executado pelos 3 jogadores já está desfeito. Enquanto dois ficaram no corredor central a promover um engodo para a defensiva monegasca, o autor do golo (Zinedine Machach) decidiu promover a correcta desmarcação para a direita de forma a poder receber, sem qualquer oposição (no acto de desmarcação, o médio fogue à marcação do central Jemerson), em zona de finalização a brilhante assistência (com o peito) de Delort.

Este tipo de lances não são, de todo, fortuitos. A sincronização perfeita de todas as unidades (nos timings correctos; nos timings que permitem a criação de problemas adicionais à defesa adversária) bem como o conhecimento que foi evidenciado por dois jogadores que jogam juntos à meia dúzia de dias (na temporada passada, Machach esteve emprestado ao Olympique de Marseille) é o resultado imaculado do trabalho (de operacionalização dos conceitos) que foi desenvolvido pelo treinador nas sessões de preparação para o jogo.

 

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