7 Notas sobre a vitória do Sporting na Vila das Aves


As dificuldades sentidas pelos leões nos primeiros 25 minutos para contrariar uma organização defensiva de altíssimo nível da formação orientada por Ricardo Soares – A versão 2017\2018 da formação Avense (orientada pelo antigo técnico dos Chaves e por 4 jogadores preponderantes no sucesso obtido pelos flavienses na temporada passada) tresanda às linhas mestras que foram desenvolvidas pelo seu treinador na época passada em Chaves. Ricardo Soares conseguiu (é certo que a transição de Chaves para a Vila das Aves de 4 jogadores que tiveram alguma preponderância nos processos construídos pelo treinador na formação transmontana pesa e de que maneira na operacionalização do seu conceito de jogo) em pouco tempo dotar a equipa de uma organização defensiva de altíssimo nível.

A formação Avense não foi porém pressionante (à saída de bola e até a meio-campo) como deveria ter sido face ao prodigioso sentido posicional que foi revelando ao longo da primeira parte, não foi agressiva no seu último reduto, viu os seus centrais cometerem algumas falhas na abordagem ao 1×1 adversário e em determinados momentos do jogo foi muito permeável nas laterais. Nelson Lenho foi até em diversos momentos do jogo um jogador totalmente irreconhecível face ao enorme futebol que evidenciou em Chaves. 

Contudo, nos primeiros 25 minutos, a disposição posicional dos Avenses no seu bloco médio (com o estabelecimento da sua primeira linha de pressão à saída do meio-campo) obrigou o Sporting a ter que praticar um futebol basculante a toda a largura do terreno para tentar encontrar espaços nas laterais para eventualmente poder criar situações de perigo. Nunca oferecendo superioridade numérica ao adversário tanto nos corredores como no interior, quando a formação do Sporting tentava romper pelo interior com a entrada de um extremo entre as linhas adversárias (Gelson procura mais o meio ou até o corredor contrário do que Acuña) a formação de Ricardo Soares complicou a missão à formação de Jorge Jesus nos momentos em que esta teve de assumir as despesas do jogo em ataque posicional. O Sporting conseguiu contudo expôr as limitações da equipa nortenha ao nível da transição para a defesa e da pressão quando explorou o contragolpe.

No plano ofensivo, a formação do concelho de Santo Tirso é uma formação que demonstra alguma aptidão para sair no contragolpe mas os processos de jogo ainda não foram bem trabalhados. Por outro lado, Ricardo Soares também não possui na Vila das Aves as setas e os alvos de qualidade que possuía em Chaves para o efeito (Battaglia, Fábio Martins, Perdigão, Rafael Lopes). Salvador Agra pode facilmente fazer de Perdigão porque é um extremo de altíssima rotação. Washington está longe de ser Battaglia porque é um jogador muito lento a pensar e a executar. O argentino é um às a recuperar e a lançar em velocidade. Falcão é mais dinâmico mas não é de todo um jogador pragmático e vertical, ou seja, um médio capaz de adicionar metros de progressão à equipa em poucos toques.

Em Chaves, Soares podia pôr em marcha um estilo de jogo alicerçado na saída para o contragolpe com verticalidade e pragmatismo. A dupla de extremos que possuía permitia-lhe a colocação sistemática de lances pouco trabalhados a meio-campo nas bandas porque tanto Fábio Martins como Perdigão, devidamente embalados pela ala, tinham o dom de resolver no 1×1. Ao drible e à fantasia, o extremo (agora no Braga) juntava a sua fenomenal capacidade de remate. Na Vila das Aves já se denota alguma vivacidade na construção a meio-campo por intermédio do médio Falcão (bom de bola; fantástico a tirar a bola das zonas de pressão de Adrien e William; generoso nas aberturas de promoveu para os flancos sempre que os laterais se aventuraram no ataque; aventureiro sempre que tentou desequilibrar no corredor central através de slaloms sobre os adversários) , muita dinâmica no estabelecimento de triângulos no flanco direito com a dinâmica que é promovida pelo avançado Alexandre Guedes e muita vontade de surpreender o adversário através das famosas situações de desequilíbrio (obrigou Rui Patrício à defesa da tarde num remate cheio de sentido de colocação) que Braga cria em drible no corredor central. No entanto, sempre que a equipa é obrigada a assumir a posse de bola por mais tempo daquele que é considerado (e treinado quiçá) como normal (frente ao adversário em questão), a equipa perde-se num mar de processos previsíveis de flanqueamento constante do centro de jogo, e de crença naquilo que os seus extremos consigam fazer no último terço.

acuna 2

Marcos Acuña é de facto um craque – Qualquer pessoa com dois olhos na cara consegue perceber as mais-valias defensivas e ofensivas que o argentino oferece à equipa de Jorge Jesus. Defensivamente, o jogador argentino é rápido a fechar o flanco, a acompanhar a subida do lateral adversário e incisivo\agressivo\raçudo nas divididas.

Ofensivamente, bem, ofensivamente, o argentino é de uma inteligência fora de série. Acelera quando tem que acelerar (quando tem espaço e quanto vê que aquele tipo de acções irá criar situações de superioridade numérica), demonstra uma capacidade prodigiosa no capítulo do passe (como pudemos ver no lance do primeiro golo), quando não tem jogo na sua ala vem ao meio buscar jogo, quando tem espaço para rematar não pede autorização. Tem uma capacidade invulgar de remate de meia distância, pese embora me pareça que é um jogador que não finaliza bem quando tem oportunidades no interior da área. Na 2ª parte poderia ter feito bem melhor naquele lance em que rematou à figura de Adriano Facchini. Se aquela bola tivesse caído do céu nos pés de Alan Ruiz, outro galo cantaria…

O argentino pingou classe

Para além de ter realizado a exibição que realizou, o argentino teve o dom de empolgar Fábio Coentrão. Com um colega de sector rápido a recuperar e a fechar, o lateral esquerdo sente que pode subir mais no terreno. Em alguns lances, Coentrão não foi suficientemente rápido a recuperar sempre que a equipa perdeu a bola mas Acuña esteve sempre lá para o compensar.

A estabilidade do meio-campo leonino – Será impressão minha ou William fez um jogaço das antigas? Tantas foram as vezes em que recuperou e cavalgou pelo meio-campo adversário. Tanta foi a eficácia e passe  qualidade que acrescentou ao jogo colectivo da equipa através do passe. Várias foram as vezes em que o trinco caiu rapidamente nas alas para fazer as devidas compensações aos laterais de forma a anular os laivos em profundidade do adversário para os corredores…

A solidez de uma dupla de centrais madura – Tanto Seba como Jeremy (Dó-Ré-Mi Mateus na linguagem peculiar do “criador” Jorge Jesus) fizeram uma exibição sem mácula. O uruguaio ainda provocou alguns calafrios quando na 2ª parte decidiu sair a jogar em drible após recuperações de bola. De resto, foi intratável nos duelos, agressivo nas antecipações e mandão na marcação Chegou inclusive a balancear-se no ataque quando foi apanhado (pela foice do adversário) a “100 à hora” num slalom realizado sobre 2 adversários no flanco direito. Já mathieu foi menos expansivo que Coates mas não menos eficazes. Nao falhou um único desarme no solo nem perdeu em velocidade quando Alexandre Guedes partiu para o drible.

Bons pormenores de Cristiano Piccini no 2º tempo – O italiano está claramente a subir de forma. Se na primeira parte quase ofereceu o ouro ao bandido a Alexandre Guedes num lance em que a sua “decisão” foi tremendamente infeliz (Coates avançou, ou como quem diz, desinteressou-se do posicionamento do adversário nas costas porque confiou que Piccini seria capaz de dar seguimento à jogada sem precisar de atrasar a bola) em que se lhe pedia mais rapidez a pensar com a bola nos pés (quando a pressão é rápida a chegar, o italiano não consegue ser rápido a encontrar uma solução; isso leva-o imediatamente a recuar com a bola e a tentar procurar uma linha de passe para os centrais; se eventualmente começarem a cair dois jogadores, o Sporting poderá perder muitas bolas em zona proibida), na 2ª parte, o italiano subiu muito bem pelo flanco e começou finalmente a sua propensão para o jogo interior. Num lance vi uma excelente entrada por dentro e noutro tentou inflectir para dentro de forma a poder rematar à baliza.

Daniel Podence – Não podendo de maneira nenhuma comparar a prestação de Podence nos 30 minutos em que este esteve em campo aos 60 minutos de marasmo de Bruno Fernandes em virtude dos diferentes contextos de jogo (quando o irreverente avançado entrou na partida, Jorge Jesus pediu à equipa para recuar o seu bloco, dar mais iniciativa ao adversário, e tentar jogar com o erro do adversário no capítulo do passe com o lançamento de rápidas transições nas quais o avançado era imediatamente procurado para dar aquela velocidade e vertigem que habitualmente oferece às acções de contra-ataque), a verdade é que o avançado veio agitar novamente a partida. Foi feliz a aparecer imediatamente para receber e acelerar mas em alguns lances creio que não foi feliz a definir os lances. Tem vindo a demonstrar alguma propensão para se agarrar em demasia à bola. Conquista várias faltas mas o aproveitamento desses mesmos lances é, contudo, algo diminuto.

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