A imagem do dia


Por um milímetro se ganha, por um milímetro se perde. Eis a nano distância que transformou o norueguês Alexander Kristoff  no novo campeão europeu de estrada (sucedendo a Peter Sagan) e que penalizou o enorme trabalho que foi desenvolvido pela selecção italiana para levar o seu sprinter Elia Viviani (Team Sky) à vitória na alucinante viagem que meia europa realizou no traçado desenhado pela UEC (Union Européene de Cyclisme) na fascinante região de Herning, Dinamarca.

Para o sprinter noruguês da Katusha, corredor que na próxima temporada irá ao que tudo indica irá correr na UAE Emirates de Rui Costa (a equipa emir oficializou a contratação do sprinter durante esta semana, para, passadas algumas horas da suposta oficialização, lançar um comunicado no qual explicou que o ciclista só iria assinar o referido contrato quando a formação pudesse realizar os indispensáveis testes médicos e anti dopagem) a vitória na prova de estrada da 2ª edição dos campeonatos da Europa representa um enorme alívio. Kristoff conseguiu finalmente por cobro à onda de maus resultados que o tem abalado desde o início do mês de Maio, numa temporada em que já conseguiu alcançar a fabulosa registo de 8 vitórias em etapas e 3 vitórias em classificações de regularidade (pontos).

Apesar de ter vencido a London-Surrey Classic no passado dia 30 de Maio, a vitória na prova londrina que está categorizada actualmente com a categoria de 1 HC (2ª categoria das 4 categorias estabelecidas pela federação internacional que tutela o ciclismo mundial) na escala de classificação das corridas que é feita anualmente pela UCI, não apaga o péssimo desempenho que o norueguês realizou, a meu ver, no Tour de France, prova onde não conseguiu conquistar qualquer etapa, não obstante o enorme esforço que foi realizado nas 19 etapas em linha da prova pela sua formação.

Com a camisola da sua selecção, Kristoff parece ganhar outra alma. O mesmo ciclista que tem por vezes muitas dificuldades para aproveitar o trabalho de lançamento que é executado em diversas provas sem mácula pelo bloco formado pela sua formação, é o ciclista que conseguiu, em Herning, aproveitar da melhor forma o lançamento que foi protagonizado pela selecção italiana para o seu explosivo sprinter Elia Viviani.

Não posso também não destacar o fabuloso ataque executado nos quilómetros finais por Jens Keukeleire (Bélgica\Orica), Edvald Boasson Hagen (Noruega\Dimension Data) e Nikolay Trusov (Rússia\Gazprom-Rusvelo). O noruguês da Dimension Data pode revelar uma enorme inteligência na gestão da sua posição da frente da corrida. Ao abdicar da possibilidade de ter Boasson Hagen junto de Kristoff no momento do lançamento do sprint final, ou até de ter o corredor da Dimension Data na frente com o objectivo de também vir a disputar o sprint final (onde teria sérias hipóteses de ganhar dado o seu fantástico momento de forma actual), o director desportivo da selecção norueguesa quis literalmente utilizar todos os recursos disponíveis para tentar alcançar a vitória (como pudemos ver no Tour, Boasson Hagen pode vencer uma etapa com recurso a um ataque com uma configuração e distância bastante semelhante aquele que protagonizou nesta prova) na prova dinamarquesa.

O lançamento de Hagen na fuga foi ordenado com os olhos postos na linha de chegada, mas, por outro lado, não descurou os propósitos iniciais almejados pelos noruegueses. Se a ofensiva do trio que rodava na dianteira não vingasse, Boasson Hagen já teria ajudado os propósitos de Kristoff porque obrigou as selecções da Polónia, da Holanda, da Itália e da Espanha a queimar unidades no esforço de perseguição que viriam a faltar no momento do lançamento do sprint. Se repararem bem, à entrada para os 1000 metros finais, só os italianos é que tinham mais de 3 unidades no apoio directo ao seu sprinter. A Holanda de Moreno Hofland (3º classificado) deixou o sprinter da Lotto-Soudal dependente da roda de terceiros.

Nota final para a atrevida prova que os ciclistas portugueses puderam realizar em Herning 

Tanto Tiago Machado como José Mendes tentaram atacar várias vezes ao longo da corrida. Sem grandes probabilidades de se poderem imiscuir na luta final ao sprint, os ciclistas portugueses fizeram a corrida possível para as suas características. Tiago Machado foi 35º enquanto José Mendes foi 69º. Rafael Reis desistiu a meio da prova.

Se o actual campeão nacional de estrada Rúben Guerreiro (inicialmente convocado; não alinhou à partida) não tivesse sofrido uma virose há cerca de uma semana e meia atrás, a história poderia ter sido outra. Com Rúben, o seleccionador nacional José Poeira poderia ter optado por outra estratégia visto que tinha corredores capazes de o posicionar bem na frente e até quicá de lhe promover um bom lançamento no sprint final.

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