O tendão de aquiles dos sistemas de pressão alta


Na primeira parte do jogo disputado ontem entre Arsenal e Chelsea (Community Shield) houve um momento bem interessante no qual os Gunners conseguiram contornar (com bastante estilo e eficácia) a pressão alta realizada pelos homens da formação orientada por António Conte. 

Nos primeiros 45 minutos, a bem coordenada, acutilante e eficaz pressão alta que é característica essencial dos processos defensivos de António Conte criou muitas dificuldades à construção a partir de trás da formação de Wenger. Num lance, Hector Bellerin chegou inclusive a perder a bola no interior da sua área quando foi subitamente pressionado por Willian. O lance só não redundou num lance de perigo para a baliza de Petr Cech porque o médio ofensivo brasileiro optou por “bater-se” ao penalty em vez de procurar servir a entrada de Michy Batshuayi na pequena área.

Os londrinos voltaram a insistir na saída a partir de trás poucos minutos depois. Como se pode ver, os apoios ao portador que foram dados, numa primeira fase por Mohammed El Neny e numa segunda fase por Alex Iwobi permitiram a saída do esférico das zonas de pressão delimitadas pelos jogadores do Chelsea, enquanto Bellerin (à direita) foi subindo calmamente no terreno porque o seu adversário directo “ficou” para continuar a montar o cerco ao adversário em vez de acompanhar a subida do lateral do Arsenal.

Com uma rotação sobre o seu adversário directo, o médio egípcio (El Neny; verdadeiro especialista em tabelas neste Arsenal) pode livrar-se da marcação para tabelar com Iwobi. Assim que o avançado pode receber novamente a bola, virou-se de frente para o jogo e descobriu a cratera oferecida pelo adversário no seu meio. Aqui está o tendão de Aquiles da pressão alta: assim que superado o momento de pressão, se a equipa que está a pressionar não foi rápida a baixar, permite imenso espaço ao adversário para acelerar na transição e permite a criação de uma situação de superioridade numérica que foi devidamente capitalizada pelos Gunners…

chelsea

… com recurso a duas acções muito peculariares dos seus 2 avançados. Com uma diagonal, Welbeck “prende” David Luiz, enquanto Lacazette também “pretende” Azpilicueta com um autêntico bloqueio. As duas acções combinadas dos avançados impedem os centrais do Chelsea de sair na pressão ao portador. E se os centrais saíssem na pressão ao portador?

A possibilidade de um dos centrais sair ao portador poderia permitir a Iwobi a colocação de um passe ruptura para a desmarcação de um dos seus companheiros para as costas da defesa. Tal decisão não seria a meu ver sintomática de ganhos porque como podemos ver na imagem, tanto Victor Moses como Gary Cahill parecem estar com uma atitude expectante em relação à possibilidade de terem que fazer uma dobra ao colega que sair para pressionar, caso Iwobi opte pelo passe de ruptura.

A situação criada pelos dois avançados do Arsenal levou a defesa dos Blues a consentir a abertura para o jogador (Sead Kolasinac) que estava livre de marcação no flanco esquerdo.

david luiz

Moses foi contudo rápido a fechar o exterior. É a sua presença no controlo defensivo que impede Kolasinac de procurar assistir a entrada de Lacazette ao primeiro poste. O lateral vê-se obrigado a ter que jogar para a única linha de passe que lhe é disponibilizada (Iwobi).

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