Uma missiva contra um clube que não verá nem mais um cêntimo da minha parte


Caros Dirigentes do Académico de Viseu Futebol Clube,

Em particular

Excelentíssimo Presidente do Académico de Viseu Futebol Clube António Silva Albino,

Deste lado, escreve um mero adepto de futebol. É revestido nessa pele que me dirijo a vós, esquecendo, por breves momentos, todas as circunstâncias passadas e actuais da minha vida como a minha eterna ligação sentimental à minha bela e sempre presente (em pensamento) Cidade de Coimbra, a minha paixão pela Académica, o meu estatuto de associado da Associação Académica de Coimbra\Organismo Autónomo de Futebol, a minha ligação presente à fantástica Cidade de Viseu, o meu respeito por todas as instituições do concelho e a minha colaboração (sem reservas) com duas dessas instituições.

Sendo eu um consumidor regular (pagante) do espectáculo que é oferecido pelo vosso clube, não posso deixar de mostrar alguma raiva sobre o triste espectáculo a que pude assistir durante a tarde de hoje no Estádio Municipal do Fontelo, palco que é, como todos sabemos, pago com o dinheiro de todos nós, munícipes do concelho. Os munícipes do concelho de Viseu, gente honrada e trabalhadora, não gostará decerto de saber que o fruto do seu esforço, do seu suor e do seu trabalho, está neste momento a ser consumido por uma colectividade que não respeita os mais elementares valores que o desporto oferece à sociedade. Ao longo do dia vários foram os associados do clube que me puderam garantir que não se revêem na tipologia dos comportamentos praticados por elementos da direcção que o Senhor Dirige.

A situação em causa seria passível de me gerar revolta indiferentemente dos actores e das vítimas. Nada me move contra o seu clube e até lhe posso dizer, em jeito de confissão, que nos últimos dias tenho vindo a ser cativado pelo entusiasmo colectivo que o trabalho da sua Direcção tem vindo a exercer sobre os associados que me são, quotidianamente, mais próximos. Quero portanto com isto dizer que estive a pensar seriamente na possibilidade de exercer a minha opção, enquanto consumidor e adepto de futebol, de compra sobre um bilhete de temporada no vosso Estádio de forma a poder responder ao apelo que tem sido feito nos últimos meses pelo Senhor nos Órgãos de Comunicação Social da região. O Senhor tem vindo a pedir incessantemente para que todas as pessoas da cidade compareçam no estádio, mas assim, francamente, quem é que quer ir ver um espectáculo manchado com os lamentáveis episódios que ocorreram na bancada afecta aos adeptos da Académica?

Não, ninguém quer ver esse tipo de espectáculo.

Sim, eu vi o que aconteceu, mesmo apesar de estar na bancada afecta aos adeptos do Académico de Viseu. Sim, porque eu próprio fui ameaçado na bancada do estádio que eu pago com os meus impostos pelos adeptos do seu clube, quando celebrei tranquilamente, com civismo, o golo do meu clube. Sim, nesse momentos, alguns adeptos e sócios do seu clube, sentiram nojo da atitude que um bando de miúdos mal formados e mal educados tinha acabado de realizar para com um mero adepto de futebol. E sim, eu vi com os meus olhos os elementos do seu clube a expulsar os elementos da direcção do meu clube do espaço que está destinado pelos regulamentos das competições em que o Seu clube participa. E sim porque eu vi: no final da partida, os adeptos do meu clube foram impedidos de sair do estádio sabe-se-lá porquê. O adensar da situação criada (sem razões aparentes) motivou uma série de desmaios de pessoas de idade e colocou uma série de crianças, de meras crianças, numa enorme crise de medo. Leu bem António Silva Albino: meras crianças.

Acha portanto correcta a prática deste tipo de situações sem uma única razão plausível que as justifique?

Acha correcta? Estou certo que não.

Quando pude deslocar-me ao local para tentar desbloquear a questão junto de um assistente de recinto pago pelo Seu Clube, eis que o mesmo me responde que a situação (a retenção de adeptos dentro do estádio) estava a ser ordenada por elementos da direcção do seu clube. Passei-me, como deverá decerto compreender. Quem se mete com os meus mete-se comigo.

Posto isto, quero dizer-lhe que a partir do dia de hoje não irei dar mais um cêntimo à sua Instituição. O bilhete que estava pronto a adquirir na loja do Clube no Palácio do Gelo ficará lá à espera de outro que se reveja nesta estranha, para não dizer recambolesca, forma de dirigir um clube.

A camisola que tencionava adquirir na mesma loja, também ficará lá à espera de quem, face ao sucedido, não tenha nojo de a usar.

O sucedido motivará também uma exposição à Câmara Municipal de Viseu. Irei até às últimas instâncias. Se tiver que entrar esta semana pelo gabinete do Dr. Guilherme Almeida para expor o caso, entrarei sem hesitar. Não continuarei a pagar de ânimo leve o usufruto de uma infra estrutura por parte de um clube que não se rege pelos mais elementares valores do desporto.

Lamento muito que assim tenha que actuar. Da minha parte, o clube que dirige não verá nem mais um único cêntimo nem terá sequer o meu respeito e consideração.

Despeço-me com os mais cordiais cumprimentos. Votos de uma má época desportiva.

 

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4 thoughts on “Uma missiva contra um clube que não verá nem mais um cêntimo da minha parte”

  1. A camisola que melhor lhe ficará certamente será a da Académica de Coimbra, não precisa de comprar a do Académico de Viseu. Revejo-me no seu manifesto conta a forma como talvez terá sido tratado no estádio do fontelo, não me revejo é no mau perder e na azia com que fala do Académico de Viseu. É curioso como um adepto da Académica de Coimbra tensionava consumir tanto do Académico de Viseu! (ou talvez seja por conveniencia da reclamação). Os votos de má época desportiva que dirigiu ficam ao nível da atitude lastimável daqueles que não o deixaram festejar o golo do seu clube. Não se deixe levar pela azia. Saudações academistas (de Viseu).

    P.S. Não queira dar razão aqueles que dizem que a segunda vos fica tão bem.

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    1. Não queira o senhor dar razão aqueles que acham que as gentes de viseu, passam demasiado tempo sem ver o sol, e que talvez isso, estäo como que embrutecidas, selvagens, um tanto ou quanto boçais. Bem haja amigo.

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      1. E não estão, meu caro? Em 26 anos de Coimbra, nunca tive por exemplo, na mesma semana, duas situações nas quais, no mesmo local (no cruzamento entre a 25 de Abril e o Liceu) dois automobilistas decidiram ultrapassar-me e travar o carro após a ultrapassagem e ameaçar-me “por estar a engonhar na estrada” – Se fosse um ainda diria que aquela pessoa tinha sido simplesmente incauta e intolerante e que aquele caso tinha sido um caso isolado. Como foram duas em dois dias consecutivos, creio que será prática habitual no Viseense sair do carro para ameaçar a pessoa que não circula à velocidade que deseja. Se juntarmos a essas duas, a terceira situação de ameaça cometida no estádio, passamos de um estado de meros sintomas à doença propriamente dita.

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    2. Nao ha duvida que quem dá confiança a cu é penico.
      O futebol que hoje se pratica ainda nalguns lugares, com uma bola quadrada dá nestas coisas…onde cada um acha que a democracia lhe permite ser trauliteiro e caceteiro ao ponto de amedrontar os forasteiros como bons filisteus. Isto aconteceu em Viseu e não foi a primeira nem ha-de ser a ultima…mas acontece pelo país fora em terreolas mais pequenas ou iguais a Viseu. Será que Bijeu não mudou nada? Acho que o B mudou para V e o…j mudou para s a valer z.
      Acabe-se com estes futebois..
      . é um desperdicio de valores e de dinheiro.

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