Pedro Santos


Há anos que venho a dizer que Pedro Santos merecia uma oportunidade num dos grandes. À semelhança do que aconteceu na última década, com outros jogadores que realizaram extraordinárias temporadas em Braga como Márcio Mossoró, Elderson, Leandro Salino, Zé Luís, Baiano, Ismaily, Felipe Pardo, Wallace, ou Luiz Carlos, o extremo foi obrigado a esticar a sua permanência em Braga à espera daquela (tão desejada) oportunidade que nunca chegou. Quando a idade começa a pesar, a necessidade de realizar o “contrato de uma vida” e de se ganhar o que nunca se ganhou, é ampliada para uma nova dimensão: o primeiro que acenar com o cheque, é o primeiro que leva o jogador.

O Braga tem sido, na última década, o maior viveiro de jovens talentos ou desenvolvimento de jogadores para consumo interno e um dos maiores mercados nacionais para o mercado externo. Pesem as 19 transferências (num valor total de 43,19 milhões de euros) de jogadores para os 3 grandes nos últimos 12 anos e o absurdo valor de 110,14 milhões facturado no mesmo período em 32 transferências para o estrangeiro, existem certas injustiças que os números não conseguem apagar.

Márcio Mossóro, Ismaily e Pedro Santos são, na minha opinião, algumas das vítimas dessa espécie de sentimento de injustiça. Se o médio ofensivo foi provavelmente um dos melhores números 10 que passou pelo Futebol Português desde o início do século XXI, o extremo que agora se transfere para o Columbus Crew da MLS foi sem qualquer sombra de dúvida um dos melhores extremos da Liga dos últimos 5 anos. É um facto inegável: ao longo dos 4 anos, o extremo reuniu grande parte das características que aprecio num extremo – velocidade (em especial nas acções de transição, ponto forte do seu jogo), uma fortíssima capacidade de finta em acções 1×1, uma enormíssima capacidade de cruzamento e colocação de bolas à distância, uma enorme agilidade e destreza técnica, características que lhe permitem executar com eficácia, em drible, tanto os movimentos para o exterior como para o interior, preferindo porém o extremo procurar mais o jogo interior para cruzar ou até mesmo para rematar, versatilidade (pode jogar com facilidade em qualquer sector do último terço) finalização e uma adicional mais-valia nos lances de bola parada.

É certo e sabido que o mercado do futebol age consoante as necessidades dos clubes. Se na Luz, por exemplo, a presença do intocável Toto Salvio e a chegada de André Carrillo nunca permitiram ao extremo equacionar uma transferência para o Benfica, tanto em Alvalade como no Dragão, o extremo poderia ter a sua oportunidade. Em Alvalade, na temporada passada, Pedro Santos poderia ter sido apresentado como alternativa a Gelson Martins, não obstante, em teoria, o facto de poder vir a passar uma temporada inteira no banco de suplentes. As suas características poderiam porém encaixar muito bem nas ideias de Jorge Jesus, visto que o treinador gosta que os seus extremos procurem o jogo interior e possam inclusive deambular pelo corredor central quando a equipa tem a posse de bola em ataque organizado. No Dragão, Pedro Santos poderia inclusive concorrer pela posição com Corona, já que as suas características também casavam muito bem com as características (de jogo exterior) de Maxi Pereira.

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