Descubram as diferenças entre o Mourinho de 2002 e o Mourinho de 2017


Em 2002, Mourinho era um treinador convicto, confiante e até arrogante para quem, na altura, nada tinha conquistado no mundo do futebol. Não menosprezando de todo a equipa que possuía, uma equipa de tostões, diga-se, na altura, poucos eram aqueles que acreditavam que o treinador seria capaz de criar o monstro que criou com jogadores (alguns dispensados, outros inadaptados; outros recrutados em equipas com poucas ambições) como Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Alenitchev, o próprio Deco (à era, o 10 era um jogador muito errático, irregular do ponto de vista exibicional e até envolto em alguns problemas; constava-se nos meandros que na temporada anterior, Deco tinha passado por uma clínica de desintoxicação na Suíça para resolver a sua grave dependência de Cocaína) Cândido Costa, Marco Ferreira, Derlei ou César Peixoto.

Em 2017, Mourinho é o treinador de uma das sociedades desportivas com maior poder financeiro no futebol mundial. O dinheiro corre a rodos em Manchester e o treinador teve, nos últimos defesos, milhões à larga na carteira para construir uma equipa de sonho. Mourinho apostou todas as fichas num jogador langão que tem uma tomada de decisão horrível, assim como continua, com alguma estranheza, a apostar num sistema de marcação homem-a-homem (acorda homem!! Já não estamos em 1985!!) e em processos de jogo que já não se utilizam (resumidamente e em calão, para me expressar na perfeição, o modelo de jogo consiste basicamente no seguinte: quando recuperas, depois de teres corrido 30 metros atrás do teu adversário directo, sais em velocidade e tentas levar a bola até ao avançado; tabelas com o avançado e entras na área; se não der para tabelar com o avançado, olha, paciência, tenta entrar na área e remata porque alguma será capaz de entrar; se não conseguimos conquistar absolutamente nada durante 70 minutos com esta estratégia de jogo, coloco um gajo alto com uma cabeleira farfalhuda na frente começamos a colocar jogo directo para o gajo). O futebol que é praticado pelo United de hoje consegue ser mais disforme que o futebol de Alex Ferguson nos primeiros anos em Manchester. Para isso não era preciso contratar um treinador consagrado como o português: qualquer José Rachão servia.

O José Mourinho de 2002 metia-me respeito, fazia-me tremer as pernas sempre que o Sporting tinha de jogar contra uma das suas equipas. O Mourinho de 2017 mete-me imensa pena. Para além de estar nitidamente passado conceptualmente, também me parece algo passado metodologicamente. Quando um treinador com 25 títulos conquistados em menos de 20 anos usa e abusa de um rol de justificações para tentar mascarar o mau futebol que a sua equipa pratica desde que chegou ao comando técnico do clube, algo vai mal com a psique desse treinador.

Não, claro que não existem Toni Kroos, Luka Modrics ou Casemiros com fartura. São únicos. Se os tivéssemos em duplicado ou em triplicado, qualquer treinador gostaria de ter um na sua equipa. No entanto, 100 milhões de euros podem comprar e jogadores como William Carvalho, Christian Erikssen, Ever Banega, Nemanja Maksimovic, Adrien Silva, Allan, Amadou Diawara, Jorginho Emre Can, Sebastian Rudy, Dani Ceballos, Ross Barkley, Michail Antonio, Danny Drinkwater, Johannes Geis, Raja Naingollan, Lorenzo Pellegrini, Maximilian Arnold, Max Meyer. Em suma, com aquela espécie de “jogadores esfomeados” com quem, historicamente, Mourinho construiu as suas raízes históricas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s