Os golos do dia


Como já tive oportunidade de dizer, tenho apreciado a construção de equipa que Sérgio Conceição tem realizado nas primeiras semanas da nova temporada. Este Porto aparece em Agosto com mais sumo de futebol do que aquele que alguma vez teve com Nuno Espírito Santo. Os princípios de jogo pelos quais a equipa está a reger o seu plano ofensivo são bem elaborados (muitas entradas dos dois médios centros no bloco adversário em ataque organizado, em especial, nos momentos em que Brahimi é chamado a construir; entrada dos extremos no jogo interior; Aboubakar sempre disponível para se mover no sentido de participar na construção das jogadas; laterais sempre bem projectados, boa interligação entre Óliver e Alex Telles; se os extremos assumem um posicionamento mais interior, a entrada dos laterais cria momentos de sobreposição se estes não forem devidamente acompanhados pelos extremos\médios ala adversários; a equipa ganhou outra profundidade com a entrada de Marega) e no capítulo defensivo, existe uma especial preocupação para sair imediatamente na pressão quando a equipa perde (ou simplesmente não tem) a posse de bola para anular as investidas adversárias e voltar à carga.

Existem porém aspectos por limar neste Porto. A equipa ainda falha alguns passes no momento de construção e Aboubakar é um avançado tenebroso no momento da finalização. O camaronês dispôs na partida, se não estou em erro, de 4 oportunidades flagrantes para marcar. Vão existir jogos em que provavelmente só lhe vai passar uma ou no máximo duas pelos pés. Sérgio Conceição precisa urgentemente de rever a finalização do atleta, apesar deste começar a ser um jogador muito importante na fase de construção.

No 3º golo dos dragões, a diagonal de Oliver foi exemplar. O movimento sem bola do espanhol para dar sequência e progressão ao trabalho de Telles,criou e bem o momento de ruptura (como afirmou e bem Luís Freitas Lobo, embora o jornalista não seja capaz de explicar de descer à terra para explicar aos leigos o que é que é um movimento de ruptura; o comentador fala bem para experts mas depois tem alguma dificuldade para falar para os “assinantes” que lhe pagam o ordenado).

porto 14

Como podemos ver no momento da recepção, a entrada no espaço livre em diagonal de Óliver pelas costas de dois jogadores adversários, cria um momento de instabilidade (posicional) na defesa contrária e dificulta-lhe a acção. Um movimento de ruptura em futebol é, resumidamente, no fundo todo aquele que permite ao ataque gerar mais eficiência na sua acção e dificultar o trabalho defensivo. Os movimentos de ruptura podem ser vários:

  • Divergentes – entrada de um jogador para as laterais para obrigar o adversário por exemplo a ter que abrir espaços (no meio essencialmente) porque é obrigado a movimentar-se no sentido de prover a devida marcação. Aí está portanto um problema defensivo que se cria à defesa. Os movimentos divergentes procuram que a equipa abra o jogo para as faixas laterais de forma a dar lateralidade e profundidade ao jogo,
  • Convergentes – Vulgarmente conhecido como diagonal. As diagonais realizas pelos jogadores da faixa para o corredor central visam aproximar o centro de jogo para o meio, por norma, em direcção à baliza. Foi o movimento que Óliver realizou.
  • Verticais – A movimentação que um jogador faz em linha recta para o espaço livre de forma a poder tirar vantagem do posicionamento adversário.

O espanhol utiliza o 3º tipo de movimento quando pede a bola (pela primeira vez) na jogada a Ricardo Pereira.

porto 15

Como podemos ver, Óliver faz um deslocamento em linha recta para a linha de fundo porque percebe que existe um enorme espaço (passível para criar) entre o lateral e o central do Estoril.

Feito este pequeno check in no futebol dos dragões, mudemos de assunto:

A bela desmarcação de Hassan no lance do golo do Braga, num momento da partida em que a equipa bracarense estava a ter muitas dificuldades para contornar a efectiva e intensa pressão alta que é feita pela formação de Rui Vitória. Se a equipa encarnada aguentar toda a temporada neste ritmo, podem já entregar as faixas de campeão. Tanto no jogo contra o Guimarães como na primeira parte do jogo contra o Braga, a pressão dos encarnados foi, em vários momentos, agonizante para as duas formações minhotas. Claro que Rui Vitória pretende com a pressão alta obrigar as equipas adversárias ao erro, seja ele nas faixas ou no meio. No miolo tanto melhor porque como já pudemos observar, os encarnados conseguem colocar verticalidade (passes de ruptura para as desmarcações de Seferovic) imediata no momento de recuperação.

Os adversários do Benfica terão nitidamente de colocar mais carne no assador no momento da construção. Para baralhar o sistema de pressão alta, deve existir mais dinamismo, de mais unidades da equipa que tem a posse de bola, de forma a serem criadas mais soluções de passe para o portador. A melhor forma de sair frente aos encarnados será a meu ver, através de triângulos (dinâmicos; de toca e dá, preferencialmente a um toque) nos corredores. Jogar longo nunca será uma solução eficaz porque serão mais as bolas que se dão aos adversários do que as bolas que geram proveitos para a equipa.

Assim que o Braga pode sair pelos corredores (a partir dos 40 minutos), Xadas, jogador que tem alguma propensão para o interior em virtude do facto de ser um canhoto a jogar na direita, teve a inteligência de iniciar variações do centro de jogo que quase sempre redundaram em espaço para Jefferson (com o apoio de Vuckcevic em diversos momentos; já que Ricardo Horta assumiu uma posição mais interior) colocar os seus cruzamentos.

Haris, a bela bisca de trunfo de Rui Vitória.

É simplesmente excitante ver a qualidade do avançado suíço. Tudo o que faz, faz com uma sobriedade incrível. Desde os apoios frontais no momento de construção (arrastando consigo a sua marcação) para os mais diversos objectivos ao nível dos processos de construção, às desmarcações para as costas da defesa no ataque à profundidade, e às “circulares” que faz pelas costas da defesa para ir buscar jogo às alas, passando pelo imaculado trabalho que qualquer bom avançado deve ter na área, frente ao Braga, o suíço confirmou o seu selo de excelência e as mais-valias que traz aos encarnados.

Neste lance, o suíço beneficia do amplo trabalho realizado na faixa esquerda por Jonas, jogador que apesar de andar mais arredio do que é habitualmente normal do jogo de área (o brasileiro nunca foi um jogador de área, a bom da verdade) continua a votar as defesas a um profundo estado de miséria.

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