Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –


O suspense na chegada a Ardooie. Os derradeiros 15 km da 3ª etapa foram de verdadeira adrenalina. A cada viragem, o perigo espreitou e o nervosismo instalou-se no pelotão. A mistura explosiva fabricada pelas acentuadas viragens, pelo estreitamento da via em alguns sectores da parte final, pelo terrível s colocado a 1,5 km da metade e pelos pequenos aguaceiros que se fizeram sentir na parte final, levaram as equipas a puxar a adoptar aquela postura irracional que normalmente nunca dá bons resultados. A queda de 4 corredores no referido s (sem consequências de maior para a integridade física dos atletas em causa) foi um mal menor. Assim que vi a primeira passagem pela meta pensei que a coisa poderia redundar numa queda colectiva de proporções dramáticas. Este tipo de chegadas trazem espectacularidade à prova, porque obrigam as equipas a lutar, metro a metro, pela dianteira do pelotão, mas por outro lado, contém uma alta percentagem de risco.

A fuga do dia, escapada onde pode andar o papa milhas do pelotão internacional Frederick Backaert (continuo a considerar que a Wanty não utiliza da melhor forma um dos seus principais trunfos; bem treinado, o atleta de 27 anos tem um potencial enorme para ser lançado ao ataque nos últimos quilómetros) foi o menor dos problemas para o pelotão. Tanto a Bora como a AG2r conseguiram levar a coisa controlada numa primeira fase, ou seja, até à primeira passagem pela meta. O estreitamento das vias de rodagem (vias onde cabiam lado-a-lado 4\5 ciclistas) presentes nos últimos quilómetros bem como a exigente chegada, foram os obstáculos que preencheram a mente dos ciclistas na volta final ao circuito instalado em Ardooie.

A desenfreada luta pelo posicionamento na dianteira do pelotão levou as equipas dos sprinters a apostar todas as suas fichinhas. Como pudemos ver no comportamento de algumas, sempre que se aproximava uma viragem, os directores desportivos deram ordem para as equipas subirem em bloco para a dianteira do pelotão. O comportamento adoptado visava sobretudo manter várias unidades perto dos sprinters, não viesse o diabo a tecê-las com um simples abanão. Um simples toque entre ciclistas era o suficiente para fazer cortes no pelotão, facto que poderia obrigar as equipas a serem rápidas a recolocar o seu sprinter na frente.

kittel 16

trek lotto

A poucos metros de uma viragem, dois comportamentos distintos. Enquanto Marcel Kittel (Quickstep) estava acompanhado por 1 ciclista (Van Keirsbuick) a Trek e a Lotto subiam a pulso no pelotão com várias unidades.

A movimentação das Trek surtiu algum efeito. Só não veio a ser totalmente eficaz para cumprir os desideratos do seu director desportivo porque a Bora teve no seu contra-relogista Maciej Bodnar um homem muito válido para esta chegada. O polaco acelerou ainda mais o pelotão e impediu que a formação luxemburguesa pudesse lançar à vontadinha o seu sprinter Edward Theuns, ciclista que viria a fechar na 2ª posição a meros milímetros do bicampeão do mundo de estrada.

Peter Sagan teve que reconhecer o esforço ao seu esforçado colega. Apesar de não o ter posicionado na frente, Bodnar deixou-o na roda de Phil Bauhaus, ciclista que já tinha feito um óptimo 2º lugar na primeira etapa da prova. O eslovaco só teve portanto que descolar da traseira de Bauhaus para imprimir toda a potência que conseguiu nos 250 metros finais

No quilómetro final, deve-se dar algum destaque ao fortíssimo ataque do experiente rolador luxemburguês Jempy Drucker da BMC. Drucker aproveitou a confusão instalada pela queda para lançar um furioso ataque que poderia ter gerado ganhos. Valeu a prontidão na resposta de um ciclista da Trek.

4ª etapa – Edward Theuns premeia o esforço de perseguição realizado no último quilómetro pela Trek

O traçado desenhado pela organização para a 4ª etapa não destoou muito em relação ao que foi apresentado no dia anterior. A abordagem à linha de meta também foi realizada através de ruas e ruelas, com curvas algo perigosas pelo meio.

A etapa acabou porém por ter um desfecho diferente da anterior. Se na 3ª etapa, a fuga dia foi alcançada a escassos km da meta, na 4ª, dois ataques de surpresa (o ritmo colocado na frente naquele momento por Elia Viviani e pelos ciclistas da Bora até estava a ser puxadote; pelo menos teve a capacidade de descartar Arnaud Demare a 20 km da meta; tanto o francês como os seus “amiguinhos”  Greipel e Kittel voltaram a apresentar um estado de condição muito débil; a fadiga acumulada ao longo destes 7 meses de competição e o facto de não constarem na convocatória das suas respectivas equipas para a Vuelta, leva os ciclistas a aproveitarem estes momentos de competição para “descansar” em cima da bicicleta de forma a poupar o máximo de energias para a preparação para os Campeonatos do Mundo de Bergen) protagonizados, numa primeira fase, pelo contra-relogista\rolador da Movistar Alex Downsett na companhia (bem, na companhia é um termo algo puxado para descrever o sentimento que assolou a cabeça de Downsett quando viu o ciclista neozelandês da Wanty a colar-se que nem uma lapa à sua roda; compreende-se a razão: o britânico lançou-se ao ataque na expectativa de poder fazer um mini contra-relógio) do all-black Dion Smith da Wanty, e numa segunda fase pelo irrequieto ciclista belga Yves Lampaert da Quickstep. Se os primeiros navegaram à vista do pelotão, o segundo, conseguiu desorganizar por completo o pelotão.

Tanto o momento como o ponto escolhido pela formação belga para lançar o seu magnífico rolador, ciclista que, aos 26 anos, já tem um currículo muito interessante em que sobressaem as duas vitórias no Campeonato Nacional Belga de contra-relógio em sub23 e elites, um 2º lugar na corrida de esperanças do Paris-Roubaix, um 4º lugar na sempre complicada Kuurne-Brussels-Kuurne, um 7º lugar na prova de elites da Paris-Roubaix e um 7º lugar na prova de contra-relógio dos Campeonatos do Mundo de Doha (2016), não foi escolhido ao acaso. No preciso momento em que as câmaras de televisão anunciavam a “despedida” de Marcel Kittel do pelotão, a formação belga decidiu aproveitar a chicana de curvas que se seguiu para utilizar um dos seus melhores roladores.

O ataque de Lampaerts (algo inofensivo numa fase inicial) causou uma profunda desorganização no pelotão. Se até então a corrida tinha sido controlada à vez pela Sky (a trabalhar para Danny Van Poppel), BMC e Bora, no último km, a vantagem obtida pelo ciclista belga obrigou a Trek de Edward Theuns a ter que pegar ao serviço. A formação luxemburguesa realizou um trabalho de aproximação e lançamento muito eficaz para o seu ciclista. Sem dar hipóteses à concorrência, o belga de 26 anos derrotou Marko Kump (UAE) e Tim Merlier (Verandas Willems) nos últimos 150 metros.

Stefan Kung segue de amarelo para a primeira das etapas decisivas no que respeita à geral individual. O suíço tem 4 segundos de vantagem para Maciej Bodnar e 5 para Tom Dumoulin.

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