O algodão não engana


Denis Shapovalov. Memorizem o nome. Dentro 2 ou 3 anos começaremos a ver o jovem talento de 18 anos (actual 143º do ranking ATP) na crista da onda do ténis mundial. A carinha laroca até pode indicar à primeira vista a ingenuidade própria da idade. A qualidade do ténis praticado, não. O ténis do miúdo canadiano (nascido em Israel; filho de pais russos) indica maturidade, técnica, estratégia, compromisso, profissionalismo e acima de qualquer outro atributo, frieza. Muita frieza. 

Em certos períodos da partida revi no jovem tenista alguns dos backhands clássicos de Roger Federer. No entanto, o segredo da vitória sobre um dos mais importantes tenistas da história do ténis não residiu nas proezas técnicas que o jovem canadiano foi capaz de executar perante o seu público. O segredo do feito residiu essencialmente na forma altamente ambiciosa com que o jogador encarou a partida contra Rafa Nadal. É preciso ter os tomates no sítio para desafiar Rafael Nadal como o jovem canadiano o desafiou.

Os seus tenros 18 anos permitiriam-lhe (em teoria) à partida adoptar uma atitude relaxada perante a situação. Aos 18 anos, qualquer atleta não deposita muitas esperanças num encontro como este porque acredita, acima de tudo, que a vida lhe irá dar muitas oportunidades e que a sua carreira poderá entrar por uma infinidade de caminhos. Por outro lado, o facto do tenista (convidado por via um Wild Card atribuído pela organização) ter superado Juan Martin Del Potro na ronda anterior atribuiu-lhe uma imensidão de créditos para o jogo contra o maiorquino. Se o tenista viesse a perder por duplo 6-0 frente ao espanhol, não “viria qualquer mal ao mundo”. A vitória sobre Del Potro já tinha de certo modo ultrapassado qualquer expectativa que o jovem pudesse ter à partida para o torneio. O mais certo seria ter sido eliminado na primeira ronda pelo experiente brasileiro Rogério Dutra.

Os atletas mais jovens utilizam sobretudo estes jogos para aferir o seu estado de evolução (o seu grau de competitividade contra tenistas mais credenciados), para se divertir (entram sem qualquer pressão) e para adquirir a estampa e o conhecimento que só se podem adqurir em jogos contra os melhores. A derrota era certa e estava garantida. Qualquer resultado que possa ser atingido para além do clássico 6-0, seria lucro. Conquistar dois jogos de serviço é sempre melhor do que conquistar apenas um. Conquistar três jogos de serviço seria uma proeza fantástica. Realizar um break contra um tenista como Nadal é o combustível, o estímulo que um atleta desta idade necessita para ir ao topo do mundo. Shapovalov foi ao topo do mundo mas foi com muita calma e com muita cabeça. Falhou 3 volleys pelo meio com a mesma facilidade com que obrigou Rafa a cometer muitos erros na resposta ao serviço e muitos erros não-forçados. Na resposta ao serviço do espanhol, a prestação do canadiano foi simplesmente brutal! Em várias acções de serviço, o atleta matou alguns pontos com um único shot.

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