A imagem do dia


bolt

Momento de drama no Estádio Olímpico de Londres. Naquela que deveria ser a transmissão mais gloriosa da sua longa e vitoriosa carreira, a última de uma verdadeira segunda vida em que o seu principal rival foi a sua própria sombra e em que a vontade foi sempre de uma voracidade infinita, o músculo agarrou e a máquina foi parando lentamente até cair no chão, exaurida em dor. O valente cérebro do atleta jamaicano ainda quis chegar ao destino mas o músculo, velho e cansado, não lhe permitiu cambalear por mais de 5 metros. Por mais estímulos que o  Usain Bolt estivesse a sentir, o seu corpo atingiu o pleno de estado de finitude. O jamaicano não merecia esta despedida. Nenhuma lenda do desporto merecia despedir-se assim, de forma tão dolorosa, tão dolente, e tão dramática. A dor sentida na coxa não pode ser de forma alguma comparável à dor psicológica que o atleta deverá ter sentido naquele preciso momento.

O cosmos foi injusto para com um atleta que deu tudo o que tinha (e o que não tinha) à modalidade. O cosmos foi acima de tudo injusto para quem, ao longo de uma década e meia, não só pode trabalhar afincadamente para merecer o seu destino como teve a capacidade de o testar até aos seus limites. Ao contrário do que muitos tem dito e escrito, Usain Bolt não sai destes mundiais pela porta pequena. Bolt sai pela porta grande, pela porta reservada aos grandes atletas e\ou aos grandes homens. O jamaicano até poderia arrastar-se num mar de 1000 fracassos. Nenhum dos fracassos seria capaz de apagar a glória dos seus feitos, a vertigem empregue em todas as corridas, os novos horizontes que foi abrindo com galhardia a cada recorde do mundo (pessoal) que bateu, as emoções que provocou em milhões de pessoas, o respeito que cultivou em dezenas de adversários e acima de qualquer outro feito, o número infinito e incontável de pessoas que colocou a correr pelos seus sonhos. Como poderemos esquecer o seu sorriso, o seu jeito brincalhão e o exemplo que deu a milhões de crianças deste planeta? Como poderemos esquecer a inesgotável fonte de sacrifício que empregou ao longo de uma carreira de mais de uma década de sucessos? Existe todo um lado humano e social em Bolt para além da vertente competitiva. Foi ele quem tirou milhares de crianças da miséria. Foi ele quem a certa altura lhes deu sentido, lhes deu cor e lhes deu um objectivo: correr pela sua vida, correr pelo seu destino, correr para fugir à miséria, correr para ser Bolt.

O “maior” despediu-se hoje mas o seu legado perdurará para toda a eternidade.. Só seremos capazes de reconhecer toda a extensão do seu talento e toda a longitude dos seus feitos quando daqui a 30 anos ainda ouvirmos falar dele. Vamos ouvir falar. Estou certo até que daqui a 100 anos, toda a sua técnica e todos os seus métodos de treino continuarão a ser parte integrante da História. As suas corridas serão leccionadas nas faculdades de desporto. Os seus métodos de treino serão dissecados em longas teses de mestrado. O seu legado será visto e revisto em vários documentários, em vários teasers e em várias reposições televisivas.

Para finalizar, resta-me agradecer ao jamaicano todo o espectáculo que me pode protagonizar. Sinto-me eternamente agradecido. Obrigado Usain. Estarás para sempre no nosso pensamento e nos nossos corações!

 

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