Jorge Jesus ensandeceu de vez


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Não sei se neste atestado de estupidez passado a todos os sócios e simpatizantes do Sporting, o técnico se referiu à actual equipa do Steaua ou às mega competitivas equipas que os romenos apresentavam nas provas europeias há 30 anos. Se eventualmente se referiu a ambas nas declarações que proferiu na sala de imprensa do Estádio José de Alvalade, não posso dar-lhe razão por diferentes motivos. O Steaua de Emerich Jenei, campeão europeu em 1986 e de Anghel Iordanescu (bicampeão romeno) era uma equipa mágica que fazia da agressividade, e da elegância de algumas unidades (como Hagi, Petrescu, Boloni, Belodedic, Lacatus, Barbulescu, Stoica, Balint ou Piturca) os seus pontos fortes. O Sporting de 1985\1986 estava vários furos abaixo dessa consagrada formação do futebol romeno. Se Jesus eventualmente apenas se referiu à equipa que ontem pisou o relvado do Estádio José de Alvalade, sou obrigado a concluir que a sua avaliação do potencial do adversário está tão errada quanto anacrónico está o futebol praticado pela equipa que comanda. Esta equipa romena é uma equipa que luta com todas as (limitadas) armas que possui. É uma equipa cheia de limitações (nas várias dimensões do jogo) mas tem vontade e quer realizar feitos. A equipa do Sporting é uma equipa cheia de potencialidades em sub rendimento. Pior que não ter cão para ir à caça é ter um cão manco, que nos dá a aparente sensação que podíamos andar pelo “ground” a apanhar coelhos, quando no fundo nem de casa consegue sair. 

Se ambas as equipas estão ao mesmo nível, não se compreende portanto a assimetria de gastos existente entre ambas nos últimos defesos. Para estar ao nível de uma equipa que apresenta dois processos de jogo ofensivo padronizados (no fundo, se os romenos forem apertados logo à saída da área, não sabem o que fazer com a bola) não será preciso esbanjar 68,52 milhões em 3 temporadas (os 13,55 milhões gastos pelo Steaua nas últimas 3 temporadas sobravam; aliás, até poderíamos constituir uma equipa mais forte que a dos Romenos só com produtos da formação; os tais que Jesus afasta ou manda rodar por capricho, sem aparente e razoável justificação) em 39 reforços, acrescidos dos 15 milhões pagos a um treinador que está cada vez mais embrutecido e anacrónico na sua forma de pensar o futebol no geral (quando qualquer José Mota servia para lutar taco-a-taco com um Guimarães ou com um Marítimo pelo 6º lugar; este Steaua muito dificilmente atingiria as competições europeias se algum dia viesse a participar na Liga Portuguesa), não existiria necessidade de gastar outros tantos milhões em salários nem existiria a necessidade de oferecer dinheiro às pazadas a um tal de Costa Aguiar, advogado emparelhado a Jorge Jesus que não precisa de trabalhar para ser milionário: basta-lhe tão e somente ser testemunha nos contratos assinados pelos jogadores que Jesus pede às direcções dos clubes por onde tem passado.

Não me venham com conversa fiada. Um Gelson Dala não é um Tanase. Um Francisco Geraldes não é um Budescu. Tomara o Budescu ter metade da inteligência e do conhecimento sobre futebol do Geraldes. Um Marcos Acuña não é um Golofca, um Rui Patrício não é um Florin Nita, um William Carvalho não é um Pintilii, um Adrien não é um Ovidiu Popescu nem um Matheus Pereira é um dos Filipes “globetrotters” Teixeiras desta vida. O nível deste elenco (e até de grande parte dos jovens que o clube tem a rodar na 1ª liga e na equipa B) tem um potencial superior aos seus congéneres de posição do Steaua. O futebol praticado e as ideias e princípios de jogo que o “destroem” (construir uma boa equipa é outra coisa, cujo caminho marítimo ainda parece ser um mistério insondável para o treinador do Sporting; a sua agenda de trabalho vai sendo marcada à medida das necessidades mais urgentes) é que são uma merda.

Desta equipa do Steaua, o único que poderia ser aproveitado em Alvalade (para suplente de Bas Dost) seria o ponta-de-lança Denis Alibec. Só posso aceitar “nivelar” (por baixo) a equipa que o meu clube possui actualmente com as “posses do Steaua” se considerar que temos neste momento um treinador acabrunhado que gosta de nivelar as suas equipas por baixo e que, mentalmente, revela um enorme complexo de inferioridade quando joga na Europa. Essa falta de ambição revela-se no futebol que constrói diariamente com a equipa nas sessões de treino. A equipa vive presa num enorme colete de forças (o seu previsível fio-de-jogo flanqueado) que a torna refém da explosão (nem se pode dizer da criatividade porque o jogador limita-se a fazer o que qualquer extremo puro faz) de uma ou duas individualidades (que nem centram por aí além) e da eficácia de um jogador. Os problemas defensivos resolvidos (a intensidade da pressão nos momentos de perda da posse; os défices no controlo da profundidade) à medida das necessidades ditadas pelos erros cometidos nos amigáveis de pré-temporada, assim o foram às custas dos défices apresentados (contra o Vitória de Setúbal e contra o Steaua) no momento da construção. O cerne da questão é o trabalho funcional que deve ser feito com Battaglia. Eu adoro o futebol do argentino. William precisava de um suplente capaz de ombrear pela posição para o motivar a trabalhar mais e o Sporting precisava há muito de um médio versátil capaz de correr que nem um galgo atrás dos adversários para pressionar, conter, limitar, e\ou roubar. O argentino é a mesmo tempo um jogador atrevido que gosta de queimar linhas com a bola nos pés. No entanto, temos de convergir: ao nível do passe, o argentino é um jogador limitadíssimo. Não podemos portanto pedir a um jacaré que se torne William em pouco tempo. A venda de William será um erro que nos custará muito caro. Ninguém melhor que Sir W para procurar aquele jogo interior com aquelas arrancadas, com aqueles slaloms, com aquele passe vertical que acrescenta progressão e procura imediatamente lançar Podence no espaço vazio, naquele espaço em que a sua velocidade faz a diferença. Ninguém melhor que Sir W para lançar em profundidade nas costas da defesa. No fundo, o Sporting não tem neste momento um jogador no plantel capaz de pensar o seu futebol com tamanha diversificação de processos. Pode vir a ter com Bruno Fernandes (com os défices defensivos que a sua colocação a 8 ainda acarreta) mas neste momento não tem.

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