A importância e a função dos dois médios no sistema 3x4x3 – o exemplo paradigmático de Granit Xhaka no Arsenal


Num sistema táctica 3x4x3, as necessidades ditadas pelo próprio sistema (alas bem projectados no último terço do terreno, avançados interiores com uma forte capacidade de drible, a criação de situações de superioridade numérica ao redor da área; normalmente de 5 para 4, ou seja, os 3 da frente acompanhados dos dois alas contra 4 adversários) obrigam os médios a adoptar um posicionamento mais recuado no terreno e a terem funções completamente distintas. Um dos médios é por norma mais destruidor (podendo jogar ligeiramente atrás ou ligeiramente à frente do outro médio conforme as necessidades da equipa; Mohammed El Neny usualmente joga ligeiramente mais à frente do médio, para poder reagir mais rapidamente à perda da bola resultante de uma tentativa de passe deste, através da pressão imediata ao jogador que intercepta, ou então para poder receber a bola entre entre linhas; para além desse aspecto muito peculiar, o médio egípcio, tem, como já pudemos ver frente ao Benfica na Emirates Cup muita clarividência quando se aproxima da área) assume a construção de jogo, preferencialmente através do passe longo lateralizado e do passe curto verticalizado para a entrada entre linhas de um dos avançados\avançados interiores (com esporádicas incursões verticais em passe longo às costas da defesa se a equipa tiver um jogador capaz de se desmarcar rapidamente por entre os centrais para as suas costas). 

O recuo dos médios neste sistema, também permite à equipa que utiliza este sistema táctico um certo equilíbrio defensivo. Enquanto um número 8 clássico pode cair constantemente nas alas, quando a equipa está no último terço para apoiar as acções dos alas ou até para entrar nos flancos de forma a criar situações de superioridade numérica (veja-se por exemplo o que faz Pizzi esporadicamente na ala direita encarnada), o médio centro num sistema 3x4x3, apesar de ter uma espécie de stopper ao seu lado nunca se expõe tanto no terreno quando falha um passe, ou seja, nunca está demasiado avançado no terreno quando falha um passe. Se este estiver excessivamente adiantado no terreno, a equipa contrária terá algum espaço para colocar imediatamente a bolas no espaço livre que deixa nas suas costas, obrigando portanto, um dos elementos da linha de 3 a ter que sair na pressão. Este tipo de situações podem gerar facilmente contra-ataques em que a equipa fica rapidamente em situações de inferioridade numérica perante o adversário.

Para contrariar um 3x4x3, o adversário deve ser rápido a colocar bolas para os flancos. A linha recuada de 3 servida para 2 médios muito próximos torna ou deverá tornar o corredor central impenetrável.

Tudo isto pode ser observável a olho nu no vídeo acima postado. Wenger usa e abusa da extraordinária capacidade de passe longo do internacional suíço para os mais variados objectivos do seu novo modelo (municiar os alas nos corredores; municiar os avançados interiores, passe vertical para a entrada entre linhas, jogo em profundidade para a desmarcação de um dos avançados para as costas da defesa) sem abdicar da estabilidade defensiva que este deve em caso de perda de bola garantir imediatamente.

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