O golo do dia


O golo de Adrien Rabiot na goleada por 6-2 do Toulouse ao PSG.

Desde que se estreou pela formação principal do clube parisiense, nunca consegui compreender com exactidão o potencial do médio de 22 anos formado a “meias” por vários clubes, do Créteil ao Paris Saint Germain, passando pelo Manchester City, clube onde atleta permaneceu durante 6 meses durante o ano de 2008, altura em que apenas tinha 13 anos. As características tão díspares apresentadas pelo jogador (que o tornam ao mesmo tempo, um médio tão completo; daí advém o facto do PSG não só nunca se ter livre dele mesmo quando não fazia parte das escolhas de Ancelotti, Blanc ou Emery e de lhe ter renovado o contrato até 2019 quando Arsenal e Tottenham se preparavam para o atacar) nunca me deram a segura percepção em relação à posição em que o jogador poderia render mais.

A sua estampa física e a forma em como consegue desarmar (com elegância) os adversários sem ter puxar do corpo, a sua boa leitura posicional e a forma em como consegue sair a jogar em velocidade ou colocar a bola redondinha nos pés do construtor (Verratti) no primeiro passe após a recuperação, poderiam fazer dele um bom 6. Rabiot não é um 6 mas estas características acabaram por revelar-se como fundamentais para o papel que este ocupa no PSG de Emery. No entanto, o seu suave toque de bola, a capacidade de pensamento e execução em passe curto, características que o transformam num médio que sabe dar critério ao jogo da equipa (o passe longo ainda é o maior défice do seu jogo), a aparente calma (o jogador parece lento mas de facto não o é) com que sai das situações de pressão intensa colocadas pelo adversário a meio-campo e a sua enorme capacidade em queimar linhas contra adversários que jogam mais fechados (ou em situações nas quais, os laterais e os homens do sector criativo do PSG não lhe dão linhas de passe que possam gerar progressão no terreno) fazem dele um interessante construtor de jogo.

adrien rabiot

A sua procura constante pela criação de desequilíbrios no corredor central (quer através de slaloms pelo meio dos adversários, quer através da execução de tabelas com os jogadores que alinham mais à sua frente; processo bem enraizado por exemplo com Lucas Moura) a sua visão de jogo, a sua tomada de decisão e a colocação do último passe podiam fazer dele um razoável 10. Digo razoável porque creio que lhe falta aquela agilidade clássica qualquer 10 precisa para gingar e para mudar rapidamente o sentido da bola através da mudança do sentido da direcção do corpo, num movimento executado a alta velocidade. Não peçamos tudo ao homem: com 1,88m é natural que o jogador não seja o topo da agilidade. A física não perdoa.

Este caldeirão de valências acabou por criar um médio box-to-box, um jogador cuja esfera de influência parece ilimitada. Ele está de facto em todo o lado e é demasiado versátil para ser verdade. Ele aparece a desarmar (no corredor central ou até mesmo nos flancos), ele aparece a sair, a construir, a tabelar, a rematar de meia distância ou até caído para uma ala a apoiar por dentro e a cruzar.

O golo apontado ontem contra o Toulouse foi fruto de uma dessas jogadas acima explicadas. No início da fase de criação, sem linhas de passe, o jogador decidiu dar dois passos com a bola antes de procurar uma tabela para entrar no miolo do bloco adversário. Sem delongas, puxou a bola para o seu pé direito e atirou a contar.

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