Os golos do dia


Quando pensamos que o modelo de jogo de Sarri poderá estar perto da sua exaustão, eis que o técnico italiano nos surpreende com algo de novo. Ao observar o jogo disputado pelos napolitanos em Verona frente ao Hellas, pude constatar a congeminação de um novo processo ofensivo a envolver os dois homens da faixa esquerda. Para o explicar, preciso de recuar aos processos de circulação\movimentações\acções base mais utilizados pela equipa (a envolver a participação do extremo) até aos últimos jogos.
Até às últimas semanas, Lorenzo Insigne era chamado a participar no jogo pela equipa através da canalização (em passe curto em saídas apoiadas, saídas rápidas; ou passe longo a procurar a profundidade) do jogo para o flanco esquerdo ou para o corredor central. Quando recebe no corredor esquerdo, na sua posição natural, o extremo internacional italiano tende a cortar para dentro para aplicar o seu colocado remate, para servir com um passe vertical as diagonais de Mertens ou Milik ou para, cruzar para as entradas de Callejón ao 2º poste e\ou as entradas de Callejón na zona de penalty em diagonal. Tanto a primeira acção descrita como a terceira funcionam na perfeição. Os adversários julgam conhecê-las de cor mas a verdade é que o extremo espanhol continua a entrar ao 2º poste (pelas costas dos laterais) com uma facilidade tremenda.

Quando vem ao corredor central receber jogo, o extremo tende a aproveitar o espaço que lhe é concedido pelos adversários para acelerar e realizar tabela com o apoio frontal que lhe é dado pelos avançados, para acelerar e rematar ou, em caso de boa ocupação de espaços por parte do adversário naquele sector do terreno, parte sempre para os slaloms.

Estes são, repito, os processos\acções\movimentações mais utilizadas pela equipa e pelo extremo.

Junta-se agora outra. A combinação com Ghoulam (bem projectado; a pedir para que o extremo dê a ideia que quer ligar o jogo) seguida de uma movimentação para a zona da meia-lua, ao mesmo tempo em que Ghoulam dá a entender que vai tentar ganhar a linha para tentar servir Mertens com um cruzamento e o holandês prende um dos centrais. Com estas movimentações, abre-se portanto uma carreira de tiro perfeita para o italiano. Vejamos:

ghoulam

Ligação de jogo com Ghoulam. Qual será a vosso ver a decisão que Ghoulam irá tomar dada a posição de Mertens à frente do defesa do Nice? Receber e cruzar de imediato para o avançado holandês deverá ser, à priori, a decisão mais acertada para o lance. Mas não é.

ghoulam 2

Enquanto o lateral chega, domina, pensa, executa, Insigne já está a procurar a carreira de tiro. E Mertens continua a dar a entender que está à espera do cruzamento. O holandês prende um central. O outro, Dante, está mal posicionado porque no início da jogada tenta sair para pressionar Insigne. Fica a meio da viagem. O brasileiro estava à espera do cruzamento para fazer o corte.

insigne

A defesa está tão fixada na ideia que a bola vai sair para a finalização de Mertens que se esquece que Insigne ainda pode receber de volta a bola, para ficar, como podemos ver, com esta apetitosa carreira de tiro. A jogada é-lhe oferecida sem complicações. O extremo só precisa de a dominar e encaixar no ângulo. Sem dribles. Sem ter que andar a procurar o espaço ideal para chutar. Sem aquele drible a mais que separa o sucesso (o momento exacto para rematar) do insucesso (a perda da oportunidade para rematar).

Reparem também onde anda Callejón. Se Insigne tem dominado e tem chamado o lateral esquerdo do Nice, também poderia ter oferecido (pelo meio dos dois jogadores) o golo ao espanhol.

Os dois primeiros golos do Leicester frente ao Sheffield United do Championship em jogo a contar para a Taça da Liga Inglesa.

No primeiro, autoria de Demaray Gray, destaco a exploração de toda a largura do terreno em quatro toques e está claro, a virtuosa acção do internacional sub-21 inglês na conclusão da jogada.

No segundo golo, autoria do nosso Islam Slimani, a construção foi mais complexa que a construção anterior mas também muito simples face à exposição táctica oferecida pelo adversário.

Vejamos:

sheffield united 2

  1. No momento em que Kasper Schmeichel vai pontapear a bola, o guarda-redes dá claramente a entender que vai passar a bola para o flanco esquerdo para aí começar a construção. Os jogadores do Sheffield tentam adiantar-se no terreno para tentar condicionar a saída dos forasteiros.
  2. A subida da linha média cria um enorme fosso entre linhas que vai ser aproveitado por Leonardo Ulloa para baixar para receber e deixar a bola para Andy King. O marcador directo não acompanha a acção do argentino para ganhar a bola no ar ou condicionar-lhe a recepção. Meio passo para o golo.

ulloa

king

Como a linha média não é rápida a retomar posição e nenhum dos defesas sai imediatamente a pressionar (a sair teriam que sair os centrais mais descaídos para os flancos) King pode progredir à vontade. A desmarcação de Slimani é deliciosa. O avançado passa rapidamente à frente do central (uma espécie de screen; movimento de bloqueio utilizado no basquetebol) de forma a confundi-lo para lhe tomar as costas e criar a linha de passe para o médio internacional pelo País de Gales.

Magia. Tudo, mas tudo bem decidido. Nolito e Ben Yedder no difícil apuramento do Sevilla frente aos turcos do Istambul BB.

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