Na Hungria, a História escrita no futebol feminino português pelas bravas leoas fez renascer a esperança quanto ao apuramento


sporting 20

Com um ligeiro travo ao Cantinho de Morais, a formação de Nuno Cristóvão pode fazer renascer a esperança quanto ao apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões feminina de futebol ao bater as Húngaras do MTK Budapeste por 2-0. Num jogo totalmente controlado do princípio ao fim pelas leões frente a uma equipa de qualidade e potencial visivelmente inferior, as húngaras desde cedo tentaram contornar o domínio exercido pelo Sporting na posse de bola com um bloco recuado de 3 linhas (em 4x4x2) relativamente bem organizado, de modo a contrariar sobretudo a fase de construção das médias leoninas. Foi nesse capítulo onde, a nova contratação do emblema de Alvalade, a americana Carlyn Baldwin, teve algumas dificuldades para se impor. Sinceramente, não achei a jogadora nada de extraordinário. Baldwin dá algum estabilidade defensiva à equipa no momento das transições defensivas (dada a sua proximidade às centrais) mas, a construir, revela imensas limitações. A Americana raramente procura como primeira solução de construção o passe vertical para as movimentações de Diana Silva, não tem uma visão de jogo por aí além (nas várias situações em que as laterais e extremos apareciam abertas na ponta, a americana não conseguia fazer a leitura de jogo adequada; na 2ª parte, a central Carole Costa acabou por ter que subir com a bola no meio-campo adversário para abrir o jogo para os flancos) e quando não lhe é dada automaticamente uma linha de passe por uma jogadora mais adiantada, a jogadora raramente arrisca a condução de jogo ou o que mormente designado como “movimento de condução para queimar as linhas adversárias”.

O nulo ao intervalo justificou-se essencialmente por 2 razões: o Sporting sentiu dificuldades na fase de construção (em especial, quando as húngaras subiram as suas linhas para a entrada do meio-campo adversário, começando a partir daí a condicionar quer a distribiuição de Baldwin quer a recepção das médias Tatiana Pinto e Ana Leite em terrenos interiores) e a equipa leonina foi algo perdulária. Através dos processos de jogo (algo repetitivos) que transitam do trabalho realizado por Nuno Cristóvão da época passada (colocação da bola à entrada da área para os arrastamentos promovidos por Diana Silva, seguidas de passe da avançada para o flanco direito à procura da velocidade e da capacidade de finta de Ana Borges; lançamento em profundidade para as desmarcações de Diana Silva para as costas da defesa: triangulações entre Tatiana, Ana Borges e Rita Fontemanha no flanco direito; o flanco esquerdo foi durante os primeiros 45 minutos algo mortiço, apesar dos esforços que foram sistematicamente desenvolvidos pela lateral esquerda Joana Marchão para carregar o jogo para a frente e para dar alguma vivacidade ao flanco) a equipa conseguiu criar algumas boas situações de perigo para a baliza das húngaras. A mais clara aconteceu quando, isolada na cara da guarda-redes magiar, Diana Silva não conseguiu finalizar.

Eu gostei mais do futebol que foi praticado na 2ª parte. As húngaras do MTK voltaram a recuar o seu bloco ao seu meio-campo e a distribuição leonina deu um pulo qualitativo. Com uma circulação mais rendilhada, as comandadas de Nuno Cristóvão tentaram concentrar o máximo número de unidades da formação magiar em terrenos interiores para poder libertar espaço para jogar nas alas. Exemplo disso mesmo foi o lance do 2º golo, lance no qual, no flanco direito, com a doçura de trato (de bola) que a caracteriza, Ana Borges partiu para cima da defesa, “picou” a bola para a adiantar de forma a ultrapassá-la em velocidade e serviu a entrada vitoriosa de Solange Carvalhas em zona de finalização.

Esta vitória dá à a formação leonina uma réstia de esperança (é mesmo uma réstia; há várias 2ª classificadas com goal averages de 9 golos positivos) para a última partida desta fase de grupos preliminar. Como as casaques do BIIK (formação que venceu na Academia de Alcochete na primeira jornada) venceram o WFC Hajvalia do Kosovo por 1-0, para se apurar directamente a formação leonina necessita

  • De vencer e esperar uma derrota da formação do BIIK frente ao MTK.
  • De vencer pelo máximo número de golos possível (para ser a melhor 2ª classificada dos 10 grupos; neste momento a formação leonina é, virtualmente a 9ª 2ª melhor classificada) desde que as seguintes equipas (algumas são do mesmo grupo e estão ainda em condições de se apurar como primeiras classificadas na última ronda) não marquem pontos adicionais: Gintra, Konac, Hibernians (com 4 pontos, as escocesas precisam apenas de vencer para superar o Sporting) Standard de Liège, Ajax, Medyk Konin, PF 35 Vantaa, Apollon Ladies, Sturm Graz, ZFK Minsk, Zurique, Stjarnan, Osijek, Spartak Subotica, Avaldsnes. Das equipas citadas, algumas estão virtualmente na liderança do seu grupo ou ainda estão em condições de chegar a essa mesma liderança.

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