A estupidez sem limites da Sunweb


warren barguil 4

Esta é a notícia do dia no que a ciclismo diz respeito. No final da 7ª etapa da Vuelta, Warren Barguil foi expulso da Vuelta por decisão da própria equipa, a Sunweb, devido ao facto de não ter respeitado as indicações dadas pelo director desportivo Marc Reef no momento em que Wilco Kelderman furou. Trocando por miúdos: assim que Kelderman teve um furo na sua roda traseira na aproximação à subida do Alto del Castillo (Cuenca), Reef deu a indicação aos 3 corredores que se encontravam no grupo principal (Soren Kragh Andersen, Sam Oomen e Warren Barguil) para baixar imediatamente na corrida até ao ponto no qual se encontrava o seu chefe-de-fila para o ajudarem a regressar ao grupo principal. Andersen e Oomen baixaram imediatamente para tentar recolocar o seu chefe-de-fila. Barguil decidiu permanecer no grupo principal, contrariando portanto as indicações que lhe foram dadas pelos responsáveis da equipa alemã.

No final da etapa, a Sunweb resolveu dar guia de marcha ao ciclista francês. No meu entendimento, creio que esta foi, a todos os níveis uma decisão completamente despropositada e descabida por parte da Sunweb, e reveladora do mau estar latente que ficou no seio dos responsáveis da equipa devido ao facto do corredor não ter concordado com a proposta de renovação contratual (com um salário na ordem dos 800 mil euros por temporada; sem alteração de estatuto do seu estatuto de corredor protegido em algumas provas; nas quais não estão por exemplo as 3 grandes voltas) que lhe foi apresentada no final do mês de Julho pela formação alemã.

Como é sabido, Warren Barguil irá auferir cerca de 1 milhão de euros anuais nos próximos anos na Fortuneo, equipa que lhe irá oferecer a liderança absoluta da formação durante o período de vigência do contrato assinado no primeiro dia de Agosto. Na Sunweb, o ciclista, que venceu ao longo dos últimos 4 anos duas etapas e o Prémio da Montanha no Tour e duas etapas da Vuelta, nunca teve a possibilidade de chefiar a equipa numa grande volta e foi sempre obrigado, na ausência dos dois líderes da formação (Wilco Kelderman e Tom Dumoulin) a submeter-se à liderança de Michael Matthews. A Sunweb tratou mal e porcamente um dos seus maiores activo do presente e para o futuro. Na última edição do Tour, o corredor não tinha sua formação um único ciclista com características de montanha para o ajudar nas referidas etapas. O seu 10º lugar da geral bem como as duas vitórias que conquistou e o feito que realizou no Prémio da Montanha, deveram-se sobretudo à sua audácia, à sua vontade de vencer (ao longo de vários dias, o ciclista foi galopando lugares na geral até chegar ao top10) à sua enorme resistência e ao seu imenso e intenso espírito combativo.

Se a Sunweb quisesse verdadeiramente castigar o corredor pelos comportamentos que este veio a tomar (total desrespeito pela hierarquia de equipa e pelas instruções que lhe foram dadas), teria optado pela sanção que é aplicada habitualmente por grande parte das equipas para estes casos: a aplicação de uma multa pesada ao corredor. Veja-se por exemplo, a atitude que a Sky teve para com a atitude de Mikel Landa na etapa (do Tour) em que o espanhol não esperou por Christopher Froome para o poder ajudar a diminuir as perdas para os rivais. No mesmo dia, Landa pediu desculpa aos responsáveis da equipa e a história morreu ali, sem que a Sky fosse obrigada a tomar uma decisão drástica passível de prejudicar os objectivos do seu chefe-de-fila na prova. No dia seguinte, Landa esteve novamente focado nos objectivos traçados pela equipa e Froome veio a necessitar ao longo da prova, dos valiosos préstimos de Landa para vencer a prova.

A decisão tomada pela Sunweb ainda deve ser considerada mais estúpida se pensarmos que Barguil estava, à partida para a etapa, na 13ª posição da geral, ou seja, duas posições abaixo de Kelderman na geral individual. Em melhor forma física que o ciclista holandês, a Sunweb poderia ter no ciclista bretão uma franca janela de oportunidade para atacar uma vitória de etapa nas etapas de montanha e um lugar, quem sabe, no top 5 da prova. Sempre que acontecem este tipo de situações, a esmagadora maioria dos directores desportivos, ordena o recuo de todos os gregários disponíveis, deixando o ciclista melhor classificado na frente, excepto em situações nas quais, o 2º melhor classificado da equipa já não esteja em posição de atacar qualquer objectivo ambicionado pela equipa. Mesmo que Barguil viesse a perder tempo numa das próximas etapas, estou certo que o corredor estaria disposto a ajudar Kelderman na montanha. No fundo, o erro cometido pelo ciclista francês foi um erro motivado unica e exclusivamente pela sua ambição de querer fazer a melhor corrida possível.

 

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