Vuelta – 7ª etapa – Fantástica vitória para Matej Mohoric na chegada a Cuenca


Esta é uma Vuelta para os Jovens. Depois de Alexei Lutsenko (ciclista que se sagrou campeão do mundo de sub-23 em 2012), Matej Mohoric, o homem que sucedeu a Lutsenko na posse da camisola do arco íris, símbolo da UCI, no ano de 2013, pode colmatar a 3ª vitória consecutiva de uma fuga na prova na chegada à belíssima cidade de Cuenca, cidade-província de 55 mil habitantes, de estilo arquitectónico variado (do gótico ao barroco passando pela arquitectura árabe) que representa os vários povos que ali se fixaram ao longo de séculos. Cuenca é desde 1996 reconhecida pela Unesco como Património Mundial da Humanidade.

O esloveno desejou com ardor a vitória. Esta não foi uma vitória de circunstancia, ao calhas, de um ciclista qualquer. Foi uma vitória muito desejada, muito suada, muito trabalhada (repare-se na aerodinâmica perfeita que o ciclista apresentou no último ataque, realizado após a passagem na dura colina de 3ª categoria do Alto Del Castillo) de um ciclista muito talentoso, que precisou de 3 investidas para conseguir suplantar a oposição de ciclistas muito mais calejados como José Joaquin Rojas ou Alessandro DeMarchi. Depois de ter passado praticamente uma temporada a investir sem sucesso em várias fugas noutras provas, o tenro esloveno de 22 anos, ciclista formado na Sava que conquistou no passado a prova de estrada de juniores e sub-23 dos campeonatos do Mundo, pode finalmente saborear uma vitória (e que vitória) numa prova de World Tour. Esta será uma vitória que o ciclista jamais irá esquecer.

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Numa etapa que ficou marcada por muitas quedas na sua fase preliminar, motivadas essencialmente pelo nervosismo que se instalou no seio do pelotão pelos fortes ventos laterais que se fizeram sentir nas primeiras 3 horas de corridas, uma fuga numerosa, composta por Alessandro De Marchi (BMC), Richard Carapaz, Jose Joaquin Rojas (Movistar), Pawel Poljanski (Bora-Hansgrohe; depois de ter perdido a etapa de ontem ao sprint, o ciclista polaco voltou a ter disponibilidade física e mental para voltar a lutar pela vitória na etapa)  Jose Joaquin Rojas (Movistar), Pawel Poljanski (Bora), Alexis Gougeard (Ag2r), Floris De Tier (Lotto-Jumbo), Matej Mohoric (UAE Team Emirates), Thomas De Gendt (Lotto-Soudal), Arnaud Courteille (FDJ), Luis Angel Mate, Anthony Perez (Cofidis), Rafael Reis (Caja Rural), Aldemar Reyes e Jetse Bol (Manzana-Postobon), lançou-se à estrada para voltar a desafiar o “Jogo das Sortes”.

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A fuga ganhou desde logo uma imensa vantagem de 7 minutos para gerir. Não obstante o altíssimo ritmo de corrida que foi, na segunda hora de corrida, colocado pela Sky de Christopher Froome, facto que veio a adensar o verdadeiro estado de pânico que já era visível em algumas formações (os britânicos tentaram com esta manobra, ver se conseguiam eventualmente fazer descolar um dos candidatos; a formação de Froome tem utilizado estas etapas para proteger o seu líder ao mesmo tempo que testa a colocação no pelotão dos rivais do seu chefe-de-fila) a fuga pode ganhar o seu espaço. Previa-se portanto que o momento das decisões, no que à vitória de etapa diz respeito, seria iniciado provavelmente na abordagem ao mais difícil obstáculo do dia: o Alto del Castillo, contagem de 3ª categoria de pequena extensão, corrida em paralelo, em pleno centro histórico de Cuenca.

Assim que a Sky percebeu que não conseguiria fazer descolar qualquer candidato por via das acelerações promovidas (o único que viria a descolar na parte final, devido a um furo seria o chefe-de-fila da Sunweb Wilco Kelderman; o ciclista holandês acabou por ter algum azar visto que o furo da roda traseira da sua bicicleta deu-se precisamente no momento mais sensível da etapa, na aproximação à Colina de Cuenca; a formação alemã disponibilizou rapidamente 3 homens para fazer aproximar Kelderman ao grupo da frente, mas, não obstante os esforços realizados que deixaram o ciclista com o grupo da dianteira à vista, Kelderman não seria capaz de recuperar os 17 segundos que o distanciariam do grupo dos candidatos) diminuiu o ritmo e limitou-se a gerir a corrida na passagem pelo Alto del Castillo.

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Na frente, a excelente colaboração que estava a ser dada pela totalidade dos ciclistas em fuga só foi quebrada quando Thomas DeGent, o mais favorito dos corredores em fuga, decidiu lançar um ataque. Faltavam 22 km para a meta. O ritmo no grupo subiu e Alexis Gougeard da AG2R, um dos homens que mais km tem andado em fuga na edição deste ano (o ciclista já vinha embalado de uma boa prestação na Binckbank Tour) tentou um novo ataque na companhia de Mohoric. A primeira investida do esloveno terminaria de forma inglória.

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Mohoric não desistiu e voltou à carga na subida para Cuenca. Com uma forte peugada, o esloveno entrou em Cueca a abrir. Enquanto Gougeard pagava bem caro o esforço realizado nos últimos km, o ciclista da UAE, avançava pela colina acima com uma cadencia musical, digna de um verdadeiro metrónomo. Pelo meio Rafael Reis caiu. O português da Caja Rural embateu contra uma mota da organização no preciso momento em que tentava recuperar a desvantagem sofrida para os homens da frente na primeira parte da subida.

A carga, bem pensada, bem planeada e bem executada pelo jovem ciclista de 22 anos teve o condão de rachar o grupo fugitivo em vários grupos e causou imensas dificuldades tanto a Thomas DeGent como a outros calejados que por lá se encontravam. Rojas foi mesmo obrigado, em certo momento, a ter que puxar da 5ª mudança para colar ao ciclista da UAE. Já Alessandro DeMarchi, ciclista que vinha na roda do sprinter all-arounder da Movistar, não conseguiu simplesmente aguentar a pantufada de esforço que estava ali a realizar. DeMarchi preferiu esperar por Poljanski, no sentido de ali apanhar, na roda do polaco, um ajudante de ritmo mais certeiro que pudesse fazer a junção entre grupos. A junção viria a fazer-se mais à frente, na descida, sem a sua presença. Apenas Poljanski e DeGent puderam chegar ao convívio de Rojas e Mohoric.

O cenário traçado não interessava ao esloveno. Com Rojas e DeGent a viajar “na cola”, o ciclista esloveno sabia perfeitamente que não teria grandes probabilidades de bater os referidos ao sprint. Dessa percepção ao 3º ataque foi um passo. Com um estilo de descida fantástico, o ciclista da UAE, projectou o tronco sobre o guiador, tirou o rabo do selim, fixou-o no quadro e arrancou estrada fora para a vitória.

Enquanto Wilco Kelderman tentava recuperar os cerca de 700 metros de desvantagem que possuía para o grupo dos restantes candidatos com a ajuda de Sam Oomen e Soren Kragh Anderson…

soren kragh

Veja-se o estado de Soren Kragh Anderson na sequência da queda sofrida nos primeiros quilómetros da equipa. O vibrante sprinter dinamarquês ainda teve forças para tentar ajudar o seu chefe-de-fila a recolar na parte final.

  (…) a Sky abrandava o ritmo na frente do pelotão. Tomando a dianteira na subida ao Alto del Castillo, a formação britânica assistiu confortavelmente à provocação que foi realizada pelo gregário de Aru Miguel Angel Lopez. Com um provocador ataque na colina, Lopez tentou obrigar a Sky a subir o ritmo para ser criado, no grupo principal, grupo que reunia cerca de 50 unidades, mais um rebuliço que poderia trazer complicações para alguns chefes-de-fila. O ataque foi facilmente anulado pela formação britânica. Até ao final da etapa, os 10 km finais foram corridos a ritmo de passeio, facto que permitiu a ascensão da Movistar e da UAE aos 2 primeiros lugares da geral colectiva. A formação de Eusébio Unzué tem agora 2:45 de vantagem sobre a formação de Rui Costa e mais de 8 minutos de vantagem sobre a anterior líder, a Astana.

Na classificação por pontos, Matteo Trentin viu aproximar Pawel Poljanski da Bora. O italiano continua a liderar com 49 pontos, mais 5 que o ciclista polaco e mais 6 que Matej Mohoric da UAE.

Na classificação da montanha, os 17 pontos somados por Thomas DeGent na etapa permitiram a sua aproximação a Davide Villela da Cannondale (38).

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Devo destacar, para finalizar, as desistência (motivadas por queda) do campeão Norte-Americano Larry Warbasse (Aqua Blue), do belga  Jonas Van Genechten da Cofidis, e Merhawi Kudus da Dimension Data.

 

 

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