Os golos do dia


Começo pelo quentinho clássico disputado no Olímpico entre a Roma e o Inter (1-3) mais concretamente pelo lance do golo que deu vantagem aos romanos numa partida em que a formação de Eusébio Di Francesco mandou 3 bolas aos ferros da baliza de Samir Handanovic.

Bom trabalho de Grégoire Defrel a encontrar a linha de passe para Naingollan perante a desvantagem que possuia frente aos 2 jogadores do Inter que estavam a realizar a cobertura. O cruzamento do belga é soberbo assim como também é a desmarcação do ponta-de-lança bósnio no meio dos dois centrais da formação de Spalletti. Aproveitando a falha de marcação, o bósnio pede atempadamente a bola para as costas, posiciona-se no limite da linha defensiva, entra nas costas dos centrais, mata a bola no peito e coloca um daqueles remate secos dignos do killer instinct que só os grandes pontas-de-lança conseguem ter no momento de finalizar.

Saída a jogar extraordinariamente inteligente por parte do Inter. A vertigem e a verticalidade que é adorada por Spaletti nas acções de contra-ataque

Esta é uma daquelas jogadas que explica a razão que levou Luciano Spaletti aceitou o convite do Inter depois de ter sido despedido da Roma em função da contratação de Monchi Rodriguez para o cargo de director desportivo e da não continuidade de Francesco Totti ao serviço do clube. Spaletti viu no Inter jogadores capazes de dar, tanto em ataque organizado, como em contra-ataque, verticalidade e vertigem ao futebol da equipa num futebol altamente pragmático (Vejam-se estes dois exemplos do futebol praticado pela Roma na época passada; aqui e aqui) de colocação da bola nos flancos em poucos passes, abusando por vezes do passe longo.

Para o efeito o treinador conta com homens velozes e criativos nas faixas (Perisic e Candreva; podendo aí também funcionar João Mário; no esquema de Spaletti o português parte do centro para cair nas faixas, funcionando como um criativo a toda a largura do terreno), um 9 perfeito (Icardi) e bons lançadores a meio-campo (Valero e Vecino) com alcance de área quando é necessária a sua presença. (Spaletti também é adepto de alguma rigidez táctica, principalmente na fase de organização defensiva, ou seja, nunca abdica de ter equilíbrio lá atrás)

inter 1

Abertura para a entrada de Candreva, aproveitando o adiantamento do adversário. Criação de uma situação de 3×3.

inter 2

O inteligente extremo internacional italiano procura imediatamente a finta para o interior, não só para tirar o adversário da jogada com um verdadeiro nó cego, como para procurar o passe interior que poderá criar uma situação de finalização a Icardi. Não deu porque Candreva não coloca a bola na área no timing certo. A opção de passe recai na entrada de Perisic.

inter 3

A entrada de Candreva na área e a presença de Icardi bloqueiam dois centrais. Em vez de arriscar um drible que traria decerto um lance estéril de proveito nulo em virtude da presença de adversários (se o croata partisse para o remate, o cenário mais certo seria o bloqueio do mesmo por parte de um adversário), o extremo croata contemporiza e espera a subida de Valero que vai entrar nas costas dos centrais romanos….

inter 4

(…) aproveitando o bloqueio legal que é feito por Mauro Icardi.

Mais uma vez a verticalização pragmática do jogo dos milaneses.

João Mário a funcionar como acelerador de jogo no corredor central.

João Mário! O português foi importantíssimo no esforço desenvolvido pelos nerazzurri para matar a partida nos minutos finais.  

Roubo de bola importante num lance em que a formação romana está exposta defensivamente. Ao contornar a pressão adversária o internacional português cria uma situação de 5×3. Entrada de um dos médios na área em zona de finalização, neste caso, do uruguaio Matías Vecino. Com tantas linhas de passe e de tanta qualidade, difícil era este lance não dar golo.

O fortíssimo jogo interior da Juve

Genoa em bloco recuado. Circulação paciente por parte da Juve a pedir a pressão do adversário para serem abertos os correctos espaços para fazer circular a bola as linhas adversárias. Presença de 4 jogadores no interior do bloco adversário, entre a linha mais avançada e a linha média e a linha média e a linha defensiva. Tanto Mandzukic (movimento sem bola habitual) como Juan Cuadrado tentam vir buscar jogo ao interior. Assim que o colombiano arranja o espaço necessário para colocar no espaço vazio onde cai Mandzukic (a defesa genovesa não foi rápida a subir para tentar encurtar espaços para jogar)

mandzukic

cuadrado

Um dos centrais tenta sair na pressão a Mandzukic, mas está demasiado longe para intervir. O seu deslocamento leva Cuadrado a aperceber-se que existe muito espaço nas costas para receber o passe do seu companheiro croata. Assim sendo, faz um corte pelas costas do seu adversário directo e entra no espaço para o qual Mandzukic colocará o passe.

cuadrado 2

Cuadrado termina a jogada com uma bela finta sobre o adversário e com uma fantástica finalização de pé esquerdo.

Vai com fé Charlie Daniels!

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