Os golos da jornada


O regresso do Mónaco de Jardim

Após a realização de uma pré-temporada algo periclitante no qual se depreendeu claramente que Leonardo Jardim terá que refazer a sua equipa (sem abdicar do seu tradicional modelo de jogo e da sua abordagem às partidas) com outros craques que a extraordinária formação (e direcção) monegasca lhe oferece, face às saídas de jogadores importantes como Benjamin Mendy, Tiemoué Bakayoko, Bernardo Silva e ao que tudo indica, Kylian Mbappé, a formação monegasca voltou, frente ao Marselha, ao seu estilo habitual. Do pouco que pude ver vi que a equipa voltou a recuperar os seus processos de jogo habituais (pressão alta à saída adversária, ataque à profundidade, tabelas no jogo interior, aceleração no contra-ataque seguida de abertura para a entrada de Thomas Lemar na esquerda) e foi muito eficaz nos lances de bola parada. O exemplo disso foram os golos apontados pelo central internacional polaco Kamil Glik e Radamel Falcão, em dois lances nos quais a formação orientada por Rudi Garcia cometeu dois inexplicáveis erros de marcação. No primeiro lance é inacreditável, para uma equipa que treina semanalmente lances de bola parada, o facto de terem aparecido 4 jogadores em zona de finalização sem marcação ou sem que a equipa pudesse justificar as falhas de marcação com um acto de subida da linha defensiva no momento do passe para deixar os monegascos em offside.

Thumbs down para Rudy Garcia. Este é um daqueles lances que deixa qualquer treinador à beira de um ataque de nervos. Ou melhor: lances. O Mónaco marcou 3 golos dos 6 golos em lances de bola parada. Garcia terá portanto muito trabalho pela frente neste capítulo durante os próximos 15 dias.

Piotr Zielinski, o maestro que acompanha Sarri até à lua ou até ao fundo do poço!

Desde o momento em que as suas vidas se cruzaram em Empoli, na Toscânia em 2014, surgiu uma relação de amor entre Maurizio Sarri e o médio polaco Piotr Zielinski. Num meio-campo cravejado de estrelas (Allan, Hamsik, Jorginho, Diawara) Zielinski é desde há muito o médio que Sarri não abdica e o treinador italiano tem razões para isso. Se há jogador que entende tudo o que o mister pretende para aquela posição no seu modelo de jogo, esse jogador é o polaco.

Médio de uma enorme versatilidade (provida pela velocidade e rapidez com que pensa e executa) que lhe permite jogar no miolo como centrocampista ou como meio ofensivo (atrás de Mertens; como alternativa a Marek Hamsik) ou na direita do ataque, o médio polaco é um jogador capaz de cobrir, com a mais alta gama de funcionalidades no seu jogo, um raio de acção gigantesco. Tanto o podemos ver na 1ª fase de construção a suplantar a pressão adversária e a queimar as linhas adversárias em alta velocidade (a capacidade de saída de zonas de pressão é na minha opinião a característica fulcral do amor que Sarri sente por este jogador visto que o jogador consegue não só livrar-se do primeiro jogador que lhe cai em cima com sai a jogar facilmente em velocidade, ultrapassando para o efeito mais 1 ou 2 jogadores que lhe apareçam pela frente; estas acções criam situações de ruptura junto do adversário e por consequência situações de superioridade numérica) como o podemos ver a suplantar essa mesma pressão já com os olhos postos no último passe (no ataque à profundidade) para as desmarcações de Dries Mertens, Lorenzo Insigne ou José Callejón ou no remate de meia distância. A velocidade não é porém a única característica de topo do jogador. O seu apuradíssimo controlo e condução de bola, a forma tensa em como coloca passes longos, o seu explosivo remate de meia distância e os passes diagonais para as entradas em zona de finalização dos extremos nas costas da defesa são outros dos “atributos” do internacional polaco. Zielinski é um jogador que coloca a bola onde quer com uma enorme categoria técnica e muita eficácia. Na época passada, em 27 jogos disputados na Série A (cerca de 1000 minutos) o jogador terminou a temporada com uma eficácia de 87% no capítulo do passe, com 65% de eficácia no passe vertical. Nesses 27 jogos, criou 33 ocasiões de golo.

zielinski

Pormenores de extrema inteligência. Sai da pressão de 3 adversários em velocidade, queima por completo a linha de pressão adversária, aproxima-se dos centrais (atraindo a pressão; cria confusão nos defesas, visto que um dos centrais pede à sua linha para fechar ao meio de forma a impedir que o polaco remate ou lance o companheiro nas costas da defesa) e quando vê a defesa concentrada no centro, abre no timing correcto para as alas.

O mágico Sergej Milinkovic-Savic!

Tem dias. O algoritmo das boas exibições do sérvio está completamente avariado. Faz 1 ou 2 boas exibições por cada 10 más exibições. Arrisco-me a dizer que o sérvio é uma espécie de novo Boniek, aquele que outrora foi apelidado em Itália como o “belo da noite”: à imagem e semelhança do polaco, o sérvio é um jogador que cresce imenso nos jogos nocturnos.

Reparem no pormenor técnico no primeiro lance do vídeo acima postado. Delicioso!

Permitam-me a interrupção nesta pequena amostra para recordar o belo da noite Zbigniew Boniek, o tal das chapeletas e dos tiraços à entrada da área que quando jogava à noite brilhava mais que as estrelas do céu:

Voltemos à 2ª jornada da série A

A razão pela qual Mattia Destro (Bologna) não ficou num grande italiano e deixou de ser alternativa na selecção italiana.

Tive o avançado outra compostura à frente da baliza.

Renovamos porém os nossos escritos de Julho sobre Godfred Donsah

O ganês do Bolonha continua aquele verdadeiro motor de 400cv, com imensa chegada à área adversária no seu possante drible, revelando contudo melhorias significativas no capítulo da finalização.

E depois há Andrea Belotti, o bombadeiro que supostamente vale ouro mas ninguém quer vá-se-lá saber porquê:

Olhem a forma deliciosa em como o jogador constrói as suas próprias oportunidades de golo:

Num lance aparente fechado para o passe, o jogador vai andando com a bola controlada dentro da área, ao mesmo tempo em que procura vislumbrar a abertura de uma linha de passe por parte de um companheiro. Ao olhar para essa possibilidade, o jogador acaba por imobilizar a defesa porque esta espera que o jogador passe e não arrisque o remate. Ao imobilizar a defesa com a sua acção\expectável tomada de decisão, o jogador acaba por arranjar o espaço que necessita para criar a sua própria oportunidade de remate.

Lance clássico da malandrice que caracteriza os grandes avançados italianos.

Quem disse que um médio de características defensivas também não sabe bailar à frente de um adversário? 

Tomás Rincon ensina o jogador do Sassuolo a dançar o Joropo Venezuelano.

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