Vuelta – 10ª etapa – Matteo Trentin vence a 2ª etapa na Vuelta; Nicolas Roche recupera 29 segundos na frenética descida para Múrcia


Em Múrcia, mais concretamente à entrada do Parque Industrial da El Pozo, conhecida empresa de processamento de carnes, Matteo Trentin pode conquistar a sua 2ª etapa na prova, tirada que se tornou em simultâneo a 4ª (4!!) vitória da Quickstep em 10 etapas. Numa fantástica tirada animada pela subida de categoria ao Alto de Collado Bermejo (6,5 km a 8,5% de pendente média) e pela frenética descida de sensivelmente 18 km (dividida em dois sectores por uma pequena fase de plano), o italiano da Quickstep, líder da classificação dos pontos pode bater o espanhol José Joaquin Rojas da Movistar ao sprint. Ainda não é desta feita que a equipa de Eusébio Unzué, equipa que está a ser comandada nesta Vuelta pelo antigo ciclista Chente Garcia Acosta vê recompensados todos os esforços que tem alocado para as fugas.

No que concerne à geral individual, a descida para Múrcia fez mais diferenças que a subida. Apesar de Vincenzo Níbali ter ameaçado poder ganhar tempo durante a descida, quem veio a realizar um ataque vencedor foi Stephen Roche. O principal gregário de Tejay Van Garderen obteve da direcção de corrida da equipa carta branca para reduzir tempo para a liderança, decisão estratégica que me leva a crer que o irlandês está a responder melhor aos estímulos da corrida e está interessado em constituir-se como mais uma ameaça para Chris Froome.

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Mesmo apesar de em alguns sectores o estado do piso molhado recomendar alguma precaução, as primeiras 3 horas de corridas foram disputadas a uma velocidade média frenética. Os culpados dessa situação foram os corredores de qualidade que desde cedo marcaram a sua posição na fuga do dia. Do pelotão pode sair mais uma fornada de qualidade. A Movistar foi novamente a equipa que mais arriscou para vencer a etapa ao colocar na frente Marc Soler e Joaquin Rojas. A equipa espanhola está apostada em vencer uma etapa para compensar a enorme desilusão que tem sido a prestação de alguns corredores como Ruben Fernandez e Daniel Moreno, numa fase da corrida em que já não pode contar com a prestação do azarado Carlos Betancur, vítima de uma queda que o obrigou a ser transportado directamente para o hospital. Porém, nem só a Movistar veio a realizar uma forte aposta na fuga. A Quickstep lançou Niki Terpstra e Matteo Trentin com as suas expectativas assentes na possibilidade de Trentin conseguir passar com sucesso a maior dificuldade do dia: o Alto del Collado Bermejo. A BMC lançou o seu baroudeur Alessandro DeMarchi, a Caja Rural lançou o português Rafael Reis e Jaime Rosón, a Trek lançou Julien Bernard, a AG2R Nico Denz e Alexandre Geniez, a Katusha Michael Morkov, a Astana Luis León Sanchez, a Lotto-Jumbo lançou Juan Lobato e Bert-Jan Lindemann e por fim Valerio Agnoli, Domen Novak (Bahrain-Merida), Arnaud Courteille (FDJ), Jacques Janse Van Rensburg (Dimension Data) foram as apostas de outras equipas. O ritmo alto a que correu na frente (uma média de 52 km\h) levou o grupo de fugitivos a alcançar o seu primeiro objectivo: o estabelecimento de uma diferença controlada de 5 minutos para o pelotão, vantagem que permitiria à priori a discussão entre si da vitória da etapa.

Essa mesma discussão começou na abordagem ao último obstáculo do dia com um ataque de Jacques Janse Van Rensburg. O antigo campeão sul-africano de estrada em 2015 pode sair algo tranquilamente. Mais experientes e conhecedores do terreno, Marc Soler e Rojas sabiam que o rolador africano teria parcas probabilidades de levar a água ao seu moinho. Bert-Jan Lindemann e Rafael Reis tentaram mexer com a corrida logo a seguir mas não tiveram sucesso. Quando a corrida já estava dentro do sector da subida final (com uma via bastante estreita), um ataque de Jaime Rosón com Niki Tersptra acabou por dividir a corrida em dois grupos: no primeiro acabaria por formar-se um quarteto composto por Rosón, Rojas, Trentin e Van Rensburg, quarteto que era, ao longo da subida, seguido de perto por um sexteto no qual Luís Leon Sanchez puxava perante a apatia de Geniez, Courteille, Soler (com Rojas na frente, o jovem espanhol não iria colaborar com a fuga), DeMarchi, Tersptra e Bert-Jan Lindeman.

Lá atrás, o pelotão rolava calmamente. Com as várias equipas dos candidatos à geral presentes na frente com uma ou duas unidades cada, nada parecia indicar a possibilidade da corrida ser esticada na subida final. Assim que esta se iniciou, a Bahrein colocou 5 unidades na frente da corrida com a missão expressa de preparar um eventual ataque de Nibali no final da subida. Mais que a subida, o italiano estava com os olhos colocados na possibilidade de fazer estragos na técnica descida.

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Foi precisamente na descida que o grupo da frente ficou reduzido a 3 unidades. Jacques Van Rensburg já ia no limite das suas capacidades no topo do Collado Bermejo. A Matteo Trentin bastou acelerar na descida para deixar o homem da Dimension Data (péssima prestação até agora na prova; Omar Fraille não tem aparecido nas fugas; estará o trepador a guardar-se para as etapas de montanha desta e da próxima semana?) para trás.

No grupo dos favoritos, Vincenzo Nibali tentou trabalhar no sentido de deixar os seus principais rivais. Nos últimos metros da subida, o italiano, sozinho (aqui se vê a profundidade e a capacidade de trabalho da sua equipa; em 8,5 km a equipa queimou 4 unidades; em 8,5 km de uma subida com esta pendente, a Sky de Froome queima no máximo 2 unidades) tentou destacar-se no sentido de poder ser ele a mexer com a corrida. Durante alguns km, Nibali chegou mesmo a ganhar 200 metros de distância para o pelotão na técnica descida de curvas e contra curvas que levaria os ciclistas até à meta. Nesta fase da corrida, a aceleração promovida pelo chefe-de-fila da Bahrain tirava Fábio Aru do grupo da frente. O campeão italiano só veio a recolar no 2º segmento de descida.

Sem dar hipótese de reingresso ao grupo de trás (Marc Soler e Alexandre Geniez conseguiram evadir-se para ainda tentarem chegar à frente), Matteo Trentin e Rojas continuavam o seu processo de eliminação quando se livraram de Jaime Roson. Em abono da verdade, o corredor da Caja Rural (uma das formações mais activas nas fugas nestes primeiros 10 dias de competição) teria poucas hipóteses de vencer a etapa se fosse obrigado a sprintar contra os seus companheiros de fuga.

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Assim que Vincenzo Níbali foi alcançado, Stephen Roche passou para a frente do reduzido grupo formado durante a descida para tentar tirar os proveitos da situação. Com a colocação de um andamento frenético, o antigo campeão irlandês, ciclista que se encontrava à partida para a etapa na 3ª posição a 1:05m de Froome decidiu lançar um ataque que lhe valeu a recuperação de 29 segundos à chegada. A atitude passiva de Froome perante a situação foi algo surpreendente visto que o inglês conhece perfeitamente o potencial do seu antigo companheiro de equipa nas últimas duas temporadas. Nicolas Roche não é convenhamos melhor trepador que Van Garderen, Chavez, Nibali, Aru, ou que os irmãos Yates. No entanto, há que dizer que em forma, o irlandês é um corredor que pode facilmente resistir (como tem resistido; daí advém os extraordinários resultados que o colocaram à partida para a etapa na 3ª posição da geral) na montanha, muito experiente, com bons resultados no palmarés em grandes voltas (6º na Vuelta em 2010; 5º na Vuelta em 2013) a quem não se pode dar muito espaço quando se apresenta nas competições em boa forma física. Não sendo de todo um ciclista perigoso, se atentarmos ao estado de forma actual de Froome, não convém dar-lhe muito espaço para fazer a diferença porque se trata de um ciclista muito ofensivo quando tem pernas para atacar.

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Chegados à ponta final da etapa, Rojas e Trentin lutaram pela vitória ao sprint. O espanhol entrou na frente e ainda lançou o sprint mas Trentin, o actual lançador de Kittel, ciclista que é em algumas provas do calendário da formação belga a sua cartada para as etapas ao sprint (venceu na Volta a Burgos poucos dias antes de começar a Vuelta) não teve dificuldades para se impor.

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Roche igualou o mesmo tempo de Esteban Chavez.

Na Classificação dos Pontos, os 29 pontos somados por Matteo Trentin permitiram-lhe recuperar novamente a camisola verde. O italiano soma agora 78, mais 23 que Christopher Froome.

Na classificação da montanha, Davide Villela teve um dia muito descansado. O italiano da Cannondale até pode descolar à vontade na subida final para poupar energias para os próximos dias, etapas onde decerto tentará andar na frente para defender a sua camisola. Continua a somar 38 pontos, mais 21 que Thomas deGent.

Christopher Froome continua a liderar a Classificação Combinada.

A Movistar aumentou a sua vantagem na Geral por Equipas. A formação espanhola tem 9 minutos de vantagem sobre a Astana e 11:37 sobre a UAE de Rui Costa. O ciclista português perdeu 14 minutos durante a etapa de hoje. Já Nelson Oliveira desistiu por completo da possibilidade de vir a lutar por um lugar no top-20 ao perder mais de 14 minutos durante o dia de hoje.

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