Vuelta a Espanha – 11ª Etapa – “Superman” Miguel Angel López vence no Observatório de Calar Alto; Chris Froome volta a defender a liderança


Com o seu dedo indicador bem erguido para o céu e consciente do que tinha acabado de fazer frente aos melhores desta Vuelta, Miguel Angel Lopez validou, na subida ao Observatório de Calar Alto, todo o potencial que lhe atribuem para o futuro. O colombiano nascido há 23 anos em Pesca, cidade da histórica região de Boyacá, casa de grandes trepadores responsável pela formação de uma generosa fatia dos grandes talentos dos “escarabajos” (Nairo Quintana, Winner Anacona, Edward Beltran, Fabio Parra, Ivan Parra, Dayer Quintana, Daniel Rincón e Maurício Soler) confirmou no Alto do Observatório de Calar Alto a razão que leva muitos analistas a apontá-lo com um dos mais promissores nomes a ter em conta para as grandes voltas do futuro. Depois de ter conquistado as gerais individuais de provas como a Volta à Suiça ou o Tour de L´Avenir (Volta à França do Futuro) e de ter conquistado também importantíssimas vitórias na Volta à Colômbia (1 etapa e a geral para sub-23), Vuelta a Burgos (3 etapas e a classificação da Juventude em 2015), na Clássica Milão – Turim, e na Ruta de San Luís (1 vitória de etapa e Prémio da Juventude), o colombiano pode juntar ao seu currículo uma fantástica vitória alcançada numa etapa de montanha da Vuelta, sem ter necessitado, para o efeito, de sair numa fuga. 

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“Superman López” pode ter salvo a Vuelta para a Astana com esta tremenda vitória. Esta é também de resto, na minha opinião, uma vitória extremamente merecida para o ciclista colombiano visto que o início da sua carreira como profissional tem sido muito atribulada, em virtude dos longos períodos de lesão pelos quais tem passado o atleta na sequência de algumas quedas aparatosas. Como Fábio Aru não está, nem de perto nem de longe, com uma desenvoltura física que lhe permita lutar sequer por um lugar no pódio ou numa vitória de etapa, os responsáveis técnicos da formação casaque decidiram, na subida final, dar uma oportunidade ao seu jovem corredor de 23 anos no preciso momento em que o seu chefe-de-fila voltava a descolar do grupo principal. A verdade é que o jovem aproveitou a “rara oportunidade” que lhe foi oferecida pelos responsáveis da equipa. Ao invés de ter sido convocado para baixar até ao 2º grupo no sentido de poder trabalhar no sentido de ajudar o italiano a minimizar as perdas que já estava a registar para Froome e demais adversários na luta pela geral (perto de 45 segundos), López recebeu ordens para ficar no grupo, conseguiu resistir aos ataques de Vincenzo Níbali e Alberto Contador e lançou o seu ataque quando os restantes corredores presentes no grupo principal (Froome, Kelderman, Níbali, Bardet, Contador, Zakarin, Mikel Nieve) desconfiavam que o ciclista colombiano já não tinha energia suficiente para atacar na dura rampa final de 11%.

Uma fuga de velhos conhecidos.

Julian Alaphilippe (Quickstep), Romain Bardet (AG2R) Bob Jungels (Quickstep). Alessandro De Marchi (BMC), Antonio Pedrero (Movistar), Lennard Hofstede (Sunweb), Simon Clarke (Cannondale), Antwan Tolhoek (Lotto-Jumbo), Matej Mohoric (UAE Team Emirates), Sander Armée (Lotto Soudal), Giovanni Visconti (Bahrain-Merida), Igor Anton (Dimension Data), David Arroyo (Caja Rural-Seguros RGA), Conor Dunne (Aqua Blue Sport) e Aldemar Reyes (Manzana Postobon foram os ciclistas que animaram a primeira metade da etapa. Nesta fuga podíamos encontrar dois vencedores de etapa (Alaphillippe e Mohoric), um corredor que tem feito de tudo nos últimos dias para vencer uma etapa (Romain Bardet) e vários corredores que tem aparecido em muitas fugas nos últimos dias, casos de De Marchi, Bob Jungels ou Antonio Pedrero.

Não obstante os 5 minutos alcançados pela fuga (a Orica veio a reduzir drasticamente o tempo na abordagem ao Alto de Velefique, diminuindo portanto a vantagem dos fugitivos para metade no início da subida) o pelotão, controlado numa primeira fase pela Orica e numa 2ª fase pela Sky.

Na subida ao Alto de Velefique, Simon Yates e Darwin Atapuma tentaram a sua sorte ao sair do pelotão. Como o grupo lá frente subitamente ficou muito reduzido, contando somente com as presenças de Giovanni Visconti, Romain Bardet e Sander Armée, os dois corredores puderam rapidamente chegar aos homens mais adiantados. A colocação de Visconti e Yates na frente obedecia a dois critérios estratégicos facilmente inteligíveis: se a fuga vingasse, os dois corredores iriam naturalmente lutar pela vitória. Se a fuga não vingasse, ambos poderiam esperar em posição intermédia por um eventual ataque que fosse lançado no grupo dos favoritos por Níbali ou Esteban Chavez.

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Com a fuga reduzida a apenas 2 elementos no início da subida para Calar Alto (Yates e Atapuma) no grupo dos favoritos, a Bahrein assumiu conjuntamente com a Sky as despesas da corrida. Assim que a formação italiana começou a quebrar no trabalho de desgaste que vinha a realizar, Níbali lançou-se juntamente com um ataque algo especulativo que visava essencialmente compreender qual seria o grau de resposta dos dois homens (Moscon e Nieve) que Froome ainda trazia consigo. A investida dos dois homens acabou por não gerar proveitos de maior no que concerne aos homens da Sky porque Moscon foi capaz de controlar a corrida através da colocação de um ritmo confortável mas conseguiu afastar Nicolas Roche (depois do brilharete de ontem, o irlandês começou a revelar algumas dificuldades a meio da ascensão para o Alto de Velefique, altura em que as objectivas o apanharam a ir por duas vezes ao carro de apoio, sinal de que o ciclista não estaria a ter a melhor das sensações) , Tejay Van Garderen, Michael Woods e Fabio Aru da frente da corrida. Azarado, David de La Cruz, ficou impossibilitado de vir a lutar pela vitória na etapa devido a um furo. Acresce salientar que no grupo de Froome ainda se encontravam, com alguma surpresa, Miguel Angel Lopez e Wilco Kelderman da Sunweb.

Assim que Moscon alcançou Níbali, a Sky voltou a abrandar o ritmo a que se disputava a escalada, precisamente numa fase em que as rampas suavizaram. Tal facto permitiu a reentrada no grupo a Franco Pelizotti, o principal gregário de Nibali. Mal reentou, Pelizotti pegou ao serviço. Por momentos, pude perceber que Froome não estava a ter um dia bom e Nieve também não parecia ter capacidades para imprimir o ritmo mais confortável para o seu chefe-de-fila.

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A janela de oportunidade levou o italiano da Bahrain a tentar esticar novamente com a corrida nos 3 km finais, mais concretamente, nas rampas mais duras da ascensão (11%). O seu ataque despertou o desejo de vitória de Miguel Angel López. Com um safanão, o colombiano da Astana largou os seus adversários e caminhou para a merecida vitória na linha de chegada. Enquanto Froome, Níbali (o italiano está a crescer de etapa para etapa) e Kelderman formaram um grupo de perseguição ao vencedor, Contador, tentava, em conjunto com Bardet, Zakarin e Nieve não perder mais tempo para o líder.

Tanto Aru como Esteban Chavez apanharam uma “desmoralizadora paulada” de 1:18m no caso do italiano e 1:51m no caso do colombiano para Christopher Froome. Para ambos, as diferenças somadas para o ciclista britânico podem ser decisivas visto que ambos os corredores irão perder algum tempo para o britânico no contra-relógio da 16ª etapa.

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O que é que precisa de fazer Vincenzo Níbali nas próximas etapas para poder recuperar o minuto e 19 segundos de diferença para Froome) 

A estratégia que tem vindo a ser executada pela Bahrain-Mérida nas últimas etapas tem sido a mais acertada para tentar explorar o ponto fraco de Froome (a mudança de ritmos durante as subidas) mas terá que ser desempenhada com um maior grau de fervor e agressividade. A equipa do italiano tem conseguido colocar várias unidades na frente no apoio ao seu líder mas, a estratégia de desgaste que tem vindo a desempenhar, não está a ser suficientemente agressiva para deixar o ciclista da Sky totalmente desprovido de apoios.

Por outro lado, sempre que a formação do Médio Oriente consegue deixar Froome sem apoios (mantendo-se porém Nieve e Poels muito perto do seu líder nos quilómetros finais das tiradas) os ataques realizados por Níbali não estão a ser suficiente incisivos para apartar Froome.

A equipa deverá portanto, nas próximas etapas, dar o tudo por tudo na aceleração das subidas para deixar Froome sem apoios, e Níbali deverá realizar ataques mais demolidores para recuperar a desvantagem que possui para o corredor da Sky.

Em crescendo – Na etapa de hoje, tanto Wilco Kelderman como Miguel Angel López me pareceram capazes de seguir o andamento dos 2 homens da frente da corrida, facto que os poderá beneficiar nas próximas etapas de montanha, a começar pela dura etapa que teremos amanhã na estrada. Se o seu rendimento nas próximas etapas for semelhante ao rendimento apresentado durante a etapa de hoje, Kelderman poderá facilmente arriscar-se a um lugar no pódio enquanto López (10º a 4:11 da liderança) poderá ambicionar a um lugar dentro do top 5 da geral.

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