A Amália já morreu e a Rainha Santa já não dá pontos em troca de rosas


Yankuba Jallow, Xiu Chen Yuan, Yuan Xiuqi, Malick Kujabi, Ousman Sanneh, Remi Mendy, Femi Balogun e Pa Omar Badjas. Se a Académica não carregasse consigo 130 anos de história e glória, diria que estaríamos perante um novo entreposto de comércio de escravos.

Estes foram os melhores reforços que um projecto de agente de jogadores de 27 anos, contratado (?) por Pedro Roxo para o cargo de director desportivo da Académica (depois de ter prestado um péssimo serviço à Olhanense nas últimas 3 temporadas; como será do conhecimento de muitos, os jogadores que este fedelho transportou para o clube de Olhão na temporada transacta conduziram o clube para um verdadeiro estado de ruína que culminou com a descida de divisão) trouxe no último dia de mercado para Ivo Vieira, um treinador cada vez mais ciente da miserável realidade actual do clube. Segundo a informação de fonte não-oficial que vai circulando nas últimas horas nas redes sociais, os jogadores africanos, jogadores cujo registo ou percurso é totalmente desconhecido do público (ao longo desta tarde tentei rastrear o seu percurso, não tendo obtido qualquer informação sobre o seu passado futebolístico) irão rodar na formação da Secção de Futebol. Os chineses, bem, os chineses é outra história. Mais à frente, irei dedicar-lhes um breve trecho de texto. 

Todos já sabemos (ou pelo menos já depreendemos, em função dos maus resultados que tem sido alcançados nesta ponta inicial do campeonato) que a suposta ambição declarada pelo presidente no dia em que Ivo Vieira foi apresentado como o novo treinador da Académica, a luta pela subida de divisão, não passou de uma mera tentativa de galvanização junto dos associados para a horrível temporada que se avizinha em Coimbra. Esperava-se portanto, nesse dia, que Pedro Roxo pudesse ter demonstrado algum conhecimento e alguma experiência acumulada (no último ano) ao nível de comunicação organizacional. Quando um presidente de um clube histórico, tenta vender aos descontentes associados  e simpatizantes um conjunto de expectativas elevadas que são fervorosamente desejadas por todos, deve ter em conta os desastrosos efeitos que as suas declarações podem vir a produzir se a época redundar num total fracasso. Creio, na minha humilde opinião, que o presidente da Académica deveria ter optado por um discurso mais humilde para não criar falsas expectativas junto dos seus associados. Esta industria vive, quer queiramos quer não, de resultados. Quando o futebol idealizado pelas falsas expectativas depositadas pelos dirigentes junto dos adeptos não tem um mínimo de correlação na realidade, as pessoas tendem a afastar-se ainda mais do clube porque pura e simplesmente deixam de acreditar na credibilidade dos seus dirigentes.

Desenganem-se os crentes que ainda acreditam que é possível lutar pela subida à 1ª liga. Tais ambições não estão minimamente ajustadas à qualidade do plantel que a Académica apresenta para a temporada 2017\2018 e o plantel da Académica não tem nem de perto nem de longe a qualidade dos planteis das equipas que investiram verdadeiramente para subir de divisão, casos do Académico de Viseu (clube que se reforçou com vários titulares de clubes de 1ª liga, casos de Fábio Soares, João Pica, Fernando Ferreira ou Peçanha e com vários titulares do Desportivo das Aves de Ivo Vieira) do Santa Clara (o clube açoriano manteve grande parte da estrutura que tem vindo a ser trabalhada nas últimas duas épocas, reforçando-se na 1ª liga para as posições onde se puderam identificar carências) e do Nacional (os madeirenses voltaram a apostar em força no mercado brasileiro depois do fracasso resultante da aposta realizada em jogadores emprestados por outros clubes). Essas 3 parecem-me para já as únicas equipas capazes de lutar entre si pelos lugares cimeiros da tabela. Não tendo potencial para lutar pela subida, as equipas do Gil Vicente, do União poderão no entanto andar ali muito próximo dos lugares cimeiros. À Académica caberá no máximo, se tudo correr bem, um lugar nos 8 primeiros. Se tudo descambar, podem escrever aí nas vossas agendas que a Académica terminará a época de coração nas mãos.

Pior que viver num sonho totalmente irrealista é ver que a Académica serve de palco para os mais variados e obscuros interesses de empresários e de apostadores. Sim, de apostadores. A parceria com a Ledman não é mais do que uma parceria que torna o clube refém dos gananciosos interesses de apostadores. Desenganem-se também todos aqueles que pensaram que a Ledman vai dar o quer que seja à Académica. A Ledman, tal como vários interesses chineses que se instalaram noutros clubes do mesmo escalão, escolhem bem as vítimas do seu negócio. Por norma, nos últimos anos, todos os clubes que assinaram parcerias estratégicas com agentes daquele país asiático, são clubes que passam por grandes problemas financeiros. Os chineses apenas precisam de mascarar os seus verdadeiros interesses (a manipulação de resultados) com a atribuição de um cheque ao clube para fazer face às suas necessidades mais urgentes, resolvendo assim os problemas que cujos dirigentes não conseguem resolver por clara falta de engenho. Os jogadores chineses colocados ao abrigo das parcerias contratualizadas não vem propriamente jogar à bola, porque como sabemos, o seu potencial, é diminuto (se fossem realmente bons jogadores ou apostas de futuro, seriam ou estariam obviamente inseridos em contextos mais competitivos) mas vêm, inseridos numa lógica de intermediação entre apostadores e os jogadores do plantel onde são colocados. Os jogadores chineses são portanto encarregados de corromper os companheiros do plantel e de lhes prover todas as informações necessárias à prossecução dos objectivos traçados pelos “mandantes”, se assim lhes posso chamar.

Os chineses não são de todo um povo filantropo. Onde se metem tem sempre o desiderato de ganhar dinheiro. Muito dinheiro. E na China, como sabem, as apostas em eventos desportivos são ilegais mas toda a gente o sabe que os chineses o fazem noutros países, muitas vezes, à luz da lei.

A quantidade de jogadores e treinadores que estes queriam desde o início colocar nos clubes da 2ª Liga foi outra das questões que me levou a chegar a algumas conclusões. Parece-me claro como a água que quem está por detrás deste patrocínio queria colocar o máximo número de jogadores (escondido sobre o pretexto de um intercâmbio de jogadores e treinadores “de que alegadamente beneficiariam também jogadores e treinadores portugueses”) e pretensos treinadores para que eles pudessem, no coração dos clubes, influenciar os colegas portugueses. Os chineses estudaram portanto muito bem todas as condicionantes destes clubes bem como os seus problemas de fundo: os crónicos problemas de tesouraria dos clubes de 2ª liga, a ausência de receitas de maior que possam garantir sustentabilidade à actividade das organizações, os crónicos atrasos destes no pagamento das suas obrigações perante jogadores e funcionários, os problemas financeiros pelos quais passou a própria Liga de Clubes e até os problemas financeiros pontuais que um ou outro dirigente de um clube pode estar a passar.

Noutro vértice do puro estado de lapidação a que esta direcção votou o clube (por puro amadorismo e desconhecimento profundo da realidade em que os seus principais dirigentes se encontram inseridos) encontra-se o famoso Américo Branco. Américo Branco, actual director desportivo da Académica é filho de Américo Jorge Branco, antiga glória do Leixões e irmão de Mário Branco, antigo director desportivo do Estoril e testa de ferro de uma empresa de agenciamento de jogadores chamada Team of Future, empresa sediada em Castelo da Maia, detida por um agente chamado Bruno Carvalho, que tem na sua carteira de activos alguns jogadores que actualmente representam a Académica, caso do médio Chiquinho. Com negócios transversais que vão desde o agenciamento de jogadores já estabelecidos nas divisões profissionais, ao agenciamento de jogadores que iniciam os seus percursos no escalão sénior em escalões amadores, à prospecção de jogadores nos PALOP e noutros países (caso da Gâmbia), a Team of Future tem como modus operandi a colocação de um responsável num cargo de gestão do clube. Américo Branco, de 27 anos, já foi, no passado a porta de entrada da referida empresa no Olhanense. O resultado foi desastroso para o clube de Olhão.

Todos os africanos contratados serão daqui em diante agenciados pela Team of Future. Américo Branco insere-se portanto numa lógica de lapidação do clube iniciada por outros empresários como Nuno Rolo, Ulisses Santos, Nuno Patrão ou Carlos Gonçalves. Tão simples quanto isto. Mais uma vez creio que os dirigentes da Académica caíram como patinhos na canção do bandido. Estariam decerto à espera que Américo intercedesse no sentido de providencial as melhores soluções detidas em carteira pela empresa que representa para o clube. Ao invés, o clube irá receber, por tempo indefinido, um conjunto de jogadores cujo potencial é totalmente desconhecido.

2 opiniões sobre “A Amália já morreu e a Rainha Santa já não dá pontos em troca de rosas”

  1. Concordo consigo. Tudo mentiras para “encherem” os bolsos. A “venda” do prédio dos Arcos a custo zero foi o primeiro golpe na dignidade da associação… E mais se verá em breve, infelozmente

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