Vuelta – 13ª etapa – Em Tomares, nos arredores de Sevilla, tomara a muitos ter esta organização da Quickstep


Já não existem adjectivos para descrever a prestação da formação belga (líder do ranking da UCI) durante a temporada de 2017: as vitórias caem estrondosamente no seu bolso como a água numa catarata. A Quickstep já é desde há muitos anos um projecto vencedor mas a verdade é que durante o presente ano ainda o está a ser mais vencedor. No Giro, os belgas venceram 4 etapas ao sprint com o colombiano Fernando Gavíria e 1 por intermédio de Bob Jungels. No Tour, Marcel Kittel limpou 5 etapas. Na Vuelta, Matteo Trentin, o lançador do alemão ganhou 3, Julian Alaphillippe ganhou outra e Yves Lampaert também já sentiu a emoção de subir ao pódio no final de uma etapa. Quando até a 3ª escolha (ainda tem uma 4ª: Maximiliano Richeze) para os sprints limpa 3 etapas numa Grande Volta, o que é que poderemos acrescentar ao formidável rendimento desta equipa?

Ao todo, a equipa que representa um dos maiores fabricantes mundiais de pavimentos laminados já conquistou 56 vitórias repartidas entre 2 vitórias em classificações gerais individuais, 10 prémios categorizados, e 44 etapas\provas de um dia. Nas 53 etapas corridas nas 3 grandes voltas até ao dia de ontem, a formação comandada por Patrick Lefévère conquistou um total de 15 etapas. Na esmagadora maioria das vitórias, há um denominador comum que explica grande parte do sucesso: a organização que esta equipa demonstra nas chegadas ao sprint. A vitória conquistada na 13ª etapa da Vuelta, não foi excepção. 

matteo trentin

O pensamento estratégico que Patrick Lefèvére ensinou e estimula a todos os directores desportivos e treinadores da formação que comanda deverá ser porventura um dos mais amplos da história do ciclismo. Na cabeça do grande senhor do ciclismo moderno, homem que esteve por detrás dos crescimento históricos sucessos que foram equipas como a Mapei (a Quickstep é a herdeira dos direitos desportivos desta equipa, tendo sido inclusive uma luta e uma conquista pessoal de Lefévère quando a Mapei decidiu retirar o seu patrocínio à equipa homónima) e de ciclistas como Franco Ballerini ou Mário Cipollini (quando orientou a MG-GB; posteriormente patrocinada pela Saeco), Michelle Bartoli, Johan Museeuw, Tom Steels, Paolo Bettini, Stefano della Santa, Adriano Baffi, Pavel Tonkov, Jan Svorada, Fabien Cancellara, Oscar Freire, Lazlo Bodrogi, Tom Boonen, Michael Rogers, Dan Martin, Giovanni Visconti, Tony Martin e tantos outros corredores históricos da modalidade cuja memória, à hora a que escrevo (2:43 da manhã) naturalmente me falha por cansaço, tem como pedras basilares o controlo total da corrida em qualquer cenário: “nós controlamos, nós perseguimos, nós lideramos, sem eles atacam, nós também lançamos alguém, se vamos ao sprint, lançamos bem o nosso sprinter e se sprintamos, temos forçosamente que ser mais fortes que o adversário.”

Este lema auxilia a explicar o que se passou na chegada a Tomares.

A Quickstep perseguiu a valiosa fuga que se formou na frente (Alessandro DeMarchi da BMC; Arnaud Courteille da FDJ; Thomas deGent da Lotto-Soudal; Alexis Gougeard da AG25) sem contudo arriscar a colocação de “várias unidades ao trabalho” (apesar de ter colocado toda a equipa na frente à excepção de David de La Cruz, o homem da equipa para a geral, foi Tim Declercq quem assumiu grande parte do trabalho de perseguição ao quarteto ao fuga, rodando ininterruptamente na frente durante 60 km!), acelerou a corrida de tal maneira nos 10 km finais ao ponto de não permitir que as outras equipas com interesses pudessem lançar os seus blocos na frente, anulou as 2 investidas que tentaram sair do pelotão (a única que ameaçou realmente foi a do norte-americano Chad Haga da Sunweb, pese embora o facto do norte-americano só ter saído do pelotão com o intuito de provocar um desgaste superior nos homens da formação belga de forma a retirar-lhes algum gás para o acto de lançamento; os alemães apostaram imenso no seu sprinter Soren Kragh Andersen) no falso plano de 1 km que se iniciou a 3,5 km da meta, e lançou devidamente o seu sprinter nos metros finais. Bob Jungels e Julian Alaphillippe foram incansáveis nos quilómetros finais. Com um sprint de longe (Matteo Trentin saiu a sensivelmente 400 metros da linha de chegada) o lançador\sprinter italiano pode bater Gianni Moscon da Sky (o 2º lugar do ciclista italiano explica a razão pela qual vimos constantemente alguns homens da Sky a rondar a frente da corrida) e Soren Kragh Andersen da Sunweb. As duas equipas que mais tentaram contrariar a formação belga ao longo da etapa (Bora e Cannondale) tiveram que se contentar, respectivamente, com o 4º lugar de Michael Schwarzmann e com o 5º de Tom van Asbroeck.

Ossos do ofício

O dia de ontem foi um dia de bastante sofrimento para vários corredores. Jetse Bol (Manzana Postobón) e Bert-Jan Lindeman caíram na traseira do pelotão. Já Omar Fraille da Dimension Data teve um verdadeiro dia de suplício à guisa de uma virose.

A pequena rampa final

A pequena inclinação de 5% estacionada a 3,5 km da meta poderia prometer cortes no pelotão se eventualmente a “corrida de eliminação” que estava a ser realizada entre sprinters não fosse suficientemente pelas equipas dos candidatos à geral com a colocação destes na frente. Sem equipa para o ajudar a posicionar-se (os esforços estavam todos alocados para o sprint final) David de La Cruz (Quickstep; 4º à geral) foi um dos 3 corredores do top 10 que acumulou segundos na chegada. Os 7 segundos perdidos permitiram a Wilco Kelderman subir ao 4º posto em troca com o espanhol. Ilnur Zakarin e Miguel Angel López (Astana; 10º) também perderam 7 segundos. O 12º, Tejay Van Garderen também perdeu os mesmos 7 segundos.

A classificação geral parte para as 2 terríveis etapas de montanha que teremos pela frente no dia de hoje e amanhã, domingo, com o seguinte cenário:

vuelta 60

Não descartando a possibilidade de qualquer um destes ciclistas vir a ganhar o tempo necessário para subir à liderança da prova, deve-se salientar a proximidade na geral entre o 3º classificado, Johan Esteban Chavez e o 9º Alberto Contador. Reiterando a ideia que não se deve descartar nenhum dos ciclistas de top 10 até domingo (Miguel Angel López já provou que tem capacidades para ganhar tempo a toda a gente na montanha) até porque Froome ou qualquer outro protagonista desta Vuelta pode(m) ter um dia mau que os leve a perder tempo significativo, a luta pelo 3º lugar estará ao rubro nos próximos dias.

Com esta vitória, Matteo Trentin reforçou a liderança da camisola verde dos Pontos. Sem grandes oportunidades para voltar a somar pontos até Madrid (excepto se tentar entrar em fugas a partir de amanhã para bonificar nos sprints intermédios), o italiano parte para a alta montanha com uma vantagem muito ténue de 19 pontos (bastará a Froome conquistar uma etapa para voltar a deter a camisola) face a Christopher Froome. Com 63 pontos, Vincenzo Níbali ainda pode ter pretensões a esta camisola.

A partir de amanhã começará o grande teste a Davide Villela da Cannondale na luta pelo prémio da Montanha. O italiano terá obrigatoriamente de sair numa fuga nas próximas duas etapas para conservar a Polka Dot Azul e Branca no seu corpo. O italiano tem 14 pontos de vantagem sobre José Joaquin Rojas (Movistar) mas não é o ciclista espanhol que se constitui como a grande ameaça à sua liderança. Logo atrás vem Chris Froome com 21 pontos.

A Astana lidera por equipas com mais 17 segundos que a Movistar. A Sky é 3ª a mais de 6 minutos.

 

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