Os golos do dia


Uma estreia de sonho para Ben Woodburn. Frente à selecção austríaca, na sua primeira internacionalização pelo País de Gales, o criativo extremo esquerdo de 17 anos, jogador que na temporada passada convenceu Jurgen Klopp a promovê-lo da equipa de sub-16 do clube à equipa principal manteve intactas as esperanças do País de Gales no Grupo D de qualificação. 5 minutos depois de ter entrado para o lugar de Tom Lawrence, o jovem de 17 anos conquistou os 3 pontos para os galeses com este golaço ao ângulo num remate de meia distância. Enquanto os austríacos estão praticamente eliminados (8 pontos frente aos 13 da Irlanda; selecção que hoje empatou na Geórgia), os galeses ganharam com este golo um novo balão de oxigénio na sua campanha, nas vésperas de um decisivo Sérvia vs Irlanda.

Ramsey a baralhar os austríacos – o poder de boas decisões

Da prestação do médio do Arsenal captei alguns bons momentos.

Um drible que faz toda a diferença. A jogada inicia-se numa saída a construir a partir de trás de Gales perante uma situação de pressão alta realizada dentro do seu meio-campo pelos austríacos. Aaron Ramsey não participa na primeira fase de construção. O médio sai até algo sorrateiramente da situação, posicionando-se no espaço deixado pela linha média adversária nas suas costas em função da subida realizada para pressionar alto. A bola é colocada no médio do Arsenal com um passe vertical.

Neste tipo de lances, a maioria dos jogadores toma 1 de 3 decisões:

  • Tratam de lançar para a desmarcação do ponta-de-lança ou realizam uma variação para a chegada de um apoio no flanco contrário (o Mónaco de Leonardo Jardim é uma das equipas que executa várias vezes esses processos nas suas acções em contragolpe) se existir uma linha de passe desobstruída (não é o caso deste lance dado o posicionamento de um austríaco).

vokes

a verdade é que determinada altura do lance, Sam Vokes deu a entender que iria fazer o corte, acabando por abortar a acção a meio do lance, facto que dificultou ainda mais “a decisão” do lance ao seu companheiro de selecção. 

  • O jogador parte para o drible para tentar romper através de uma acção individual.
  • O jogador contemporiza (congela a acção) e espera pela chegada de um apoio vindo de trás para prosseguir, decisão que obviamente retira toda a acção surpresa à jogada e garante à equipa adversária preciosos segundos para se voltar a reorganizar.

O jogador do Arsenal tentou acelerar pelo meio-campo adversário mas apercebeu-se, ao olhar para trás, que vinha um jogador (nº6; Stefan Ilsanker) a alta velocidade para o desarmar. O galês jogou com esse factor, ou seja, com a velocidade a que vinha o adversário, para lhe esconder a bola com um subtil toque de pé direito, toque que foi suficiente para evitar o carrinho do austríaco numa primeira fase. Numa segunda fase, Ramsey é inteligente a aproveitar o natural desequilíbrio do jogador austríaco (contra-movimento) para o passar ao mesmo tempo em que o lateral esquerdo dos austríacos, Martin Hinteregger, se reposiciona no terreno.

ramsey 2

Como podemos ver neste frame, Hinteregger, de perfil para o portador, está a ter um “dilema posicional”. Deverá o austríaco, no caso concreto, fechar o exterior ou o interior? O carácter dúbio da jogada (o lateral não sabe qual vai ser a opção que vai ser tomada por Aaron Ramsey) leva-o a ter que tomar uma decisão num curto espaço de tempo. Como podemos ver na linha vermelha (a imagem não mostra o jogador mas a verdade é que o ala estava mesmo atrás), Chris Gunter está a subir pelo flanco direito para apoiar a acção do seu colega. Ao acreditar que Ramsey vai colocar a bola na subida do seu ala, Hinteregger descura o interior e dá o espaço que o médio necessita para cortar para dentro executar o remate. Quando o lateral do Augsburg finalmente se apercebe que foi traído, já o médio do Arsenal criou a situação de perigo para a sua baliza.

ramsey 2

Os austríacos jogaram bem mas não finalizaram as oportunidades criadas

Linda combinação entre o avançado Marcel Sabitzer na qual, o ponta-de-lança austríaco aproveita a distância que tem para o seu marcador directo para dar o apoio frontal a Julien Baumgartlingen. A presença entre linhas de David Alaba concentra 5 jogadores austríacos, ao mesmo tempo que, pelas costas do ala Chris Gunter, o avançado do Hannover Martin Harnik entra nas costas da defensiva galesa para receber o passe do médio do Bayer de Leverkusen. Harnik está em linha com o último defensor no momento do passe mas não consegue pura e simplesmente finalizar o lance. Já não é a primeira vez que reparo que o avançado do Hannover é um jogador com um comportamento bastante interessante sem bola, apesar de ser um jogador algo rudimentar na vertente técnica.

O golo da vitória Finlandesa frente à Islândia. O autor foi o canhoto Alexander Ring, jogador dos New York Red Bulls da MLS.

Quem beneficiou com o inesperado deslize dos islandeses na Finlândia (e com o cancelamento do jogo entre Croácia e Kosovo) para subir à condição ao primeiro lugar do grupo I de qualificação foi a selecção ucraniana, formação que é orientada por Andriy Shevchenko. O primeiro golo da vitória dos ucranianos sobre a selecção turca em Kiev (a selecção orientada por Mircea Lucescu continua porém com hipóteses de se qualificar se vencer a Croácia em Istambul na próxima terça-feira) resulta deste trabalho colectivo iniciado nos pés do lateral esquerdo Mykola Matviyenko com a longa abertura provida para o seu colega de sector, o mágico Yevhen Konoplyanka. Pelo meio de dois jogadores, o jogador de 27 anos do Schalke fornece o seu avançado Artem Kravets.

Rodeado de adversários, Kravets consegue segurar bem a bola, acção que lhe permite rodar bem para perceber se tem algum colega a entrar em zona de finalização. Com possibilidades de rematar, não consigo perceber se o médio ofensivo do Shakthar queria rematar ou servir a posição privilegiada (em ligeiro offside no momento do passe) de Andriy Yarmolenko. O que é certo é que o “tosco” passe realizado permitiu ao novo reforço do Borussia de Dortmund (os alemães pagaram 25 milhões de euros ao Dínamo, valor que considero uma verdadeira pechincha pelo tecnicista) abrir o marcador.

Yarmolenko viria a bisar na partida na sequência de um lance em que a equipa de arbitragem comandada pelo espanhol David Fernandez e o videoárbitro nomeado pela UEFA para a partida cometeram um erro grosseiro. Como se pode ver nas imagens, Yevhen Konoplyanka cruza com a bola bem fora das 4 linhas.

Ao ter visto em directo a goleada da Dinamarca frente à Polónia (4-0) coloquei a mim mesmo esta pergunta: como é que uma equipa que marcou presença nos quartos-de-final do Euro consegue ser tão passiva do ponto de vista defensivo e consegue falhar tantas marcações? O sistema de marcação que os polacos utilizam nos lances de bola parada é homem-a-homem. Este é um dos problemas da utilização da marcação homem-a-homem: se um jogador falhar “a sua marcação” nenhum colega estará em posição de compensar a sua falha. Qualquer falha num lance de bola parada tem um altíssimo grau de concretização. Bastará que a bola seja endereçada para um bom cabeceador ou para um bom finalizador de primeira, caso de Delaney. Não acreditando que um treinador tenha obrigatoriamente que treinar um sistema de marcações “standardizado” para toda a temporada visto que irá jogar contra adversários bastante diversificados ao nível de abordagem aos lances de bola parada, creio que o método defensivo mais eficaz para defender as bolas é a defesa mista, na qual, alguns jogadores marcam os melhores cabeceadores (no máximo 2; devidamente alertados para o espaço onde esses jogadores tentarão entrar para receber o cruzamento) enquanto os restantes marcam à zona.

No lance do primeiro golo, autoria de Thomas Delaney, o médio de contenção dinamarquês passa que nem uma flecha pelo seu marcador directo antes de beneficiar de um bloqueio feito por um companheiro para aparecer livre para cabecear.

Quer no 2º (Cornelius) quer no 3º (Jorgensen) os dois homens estão completamente soltos de marcação, pese embora o facto de Pione Sisto ter dado uma ajuda no lance do 2º golo com a movimentação que, ao arrastar um defensor, abre espaço para a finalização sem oposição nas suas costas.

sistosisto 2

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