Vuelta – 16ª etapa – Meia botija de propano de Froome chegou para Froome ampliar a sua vantagem para toda a concorrência


Conforto. Comodidade. Controlo. No trajecto de 40 km realizado entre o Circuito de Navarra (Los Arcos) até Logroño (La Rioja), o ciclista britânico não cumpriu, na minha opinião, nem de perto nem de longe, o seu melhor desempenho da carreira na especialidade. No entanto, Froome conseguiu neste crono “o melhor de 3 mundos” – ganhou tempo considerável a toda a concorrência, facto que lhe permitiu duplicar a sua vantagem para o 2º classificado Vincenzo Nibali, fez uma gestão correcta das suas energias, e precaveu-se da possibilidade de vir a ter um dia mau na montanha dos próximos dias. A vantagem cavada para Nibali (1,58m) e para Kelderman (2:40m) será muito difícil de recuperar nas próximas etapas por parte destes dois ciclistas. Posso até afirmar que só vejo uma possibilidade para ambos: Froome terá que colapsar no Angliru.

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Se por um lado o inglês fez um crono regular, sem colocar o pé na tábua, por outro lado, alguns ciclistas aproveitaram o dia para colocar a carne toda no assador. Wilco Kelderman (excelente postura na bicicleta ao longo dos 40 km; o holandês pouco moveu o tronco nas fases em que pude acompanhar o seu percurso), a 29 segundos, fez um extraordinário contra-relógio no qual, nos primeiros pontos intermédios, estava a perder incríveis 11 segundos para o ciclista da Sky. Para um ciclista que pesa 65 kg (menos 6 que o britânico), terminar um contra-relógio maioritariamente plano (com várias fases de falso plano a descer) a menos de 30 segundos do britânico é obra.

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Tendo perdido 57 segundos, Vincenzo Nibali (3º) também realizou um bom desempenho no crono. Na antevisão para a etapa previ a possibilidade do Tubarão de Messina perder, no mínimo 2 minutos para Froome. Ao longo da prova, o italiano “bailou” nas rectas e nem sempre conseguiu encontrar boas linhas de corrida. Nos momentos em que pude acompanhar a sua prestação, vi que o ciclista italiano conseguiu encontrar uma boa cadência mas raramente conseguiu manter o seu tronco fixo na bicicleta. Se tivesse conseguido manter uma postura mais uniforme, teria seguramente obtido um resultado próximo do de Kelderman.

Na 4ª posição ficou Ilnur Zakarin, Com uma postura irrepreensível na bicicleta, ao russo falhou-lhe o contrário: cadência. Os 30 segundos averbados para Froome e continuam no entanto a permitir-lhe a luta pelo pódio. O russo é capaz de criar diferenças em ataques realizados em curtos espaços de terreno. Bastarão por exemplo 2 km de terreno para Zakarin recuperar a desvantagem de 33 segundos perdidos para Kelderman nos últimos dias.

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Alberto Contador realizou um fantástico contra-relógio. Posso dizer que foi um dos melhores desempenhos de carreira num contra-relógio plano. Notou-se claramente que El Pistolero aproveitou o dia para puxar do seu enorme arreganho para dar uma enorme sapatada no que à geral diz respeito. Os minutos ganhos a Aru, Chavez e Miguel Angel López permitem-lhe sonhar com um lugar dentro dos 5 primeiros na sua prova de despedida, apesar de ainda ser muito cedo para cantar de galo visto que ainda falta muita montanha pela frente e a diferença para o ofensivo colombiano, 6º da geral, é de apenas 27 segundos. Se o ciclista da Trek continuar a atacar como tem atacado na alta montanha, ainda tem possibilidades de ultrapassar Zakarin na geral. Em condições coeteris paribus só um horrível desempenho de Kelderman ou Nibali no que falta correr permitirá ao veterano espanhol terminar no pódio em Madrid. Não acredito que venha a recuperar os 2 minutos e 18 de diferença para o assertivo holandês e 3 minutos para Níbali.

Fixo no top 10 também parece estar Wout Poels. O principal gregário de Froome não descansou no contra-relógio para poupar energias para as 4 etapas de montanha que teremos até sábado. Tanto os responsáveis da Sky como o corredor parecem apostados na possibilidade deste fechar num lugar de top 10 como até na possibilidade de Poels vir a subir na geral individual. Como o holandês andará junto dos melhores nos próximos dias, não será descabida a possibilidade de vir a manter o seu 8º lugar da geral como de ainda arriscar a possibilidade de atacar pelo menos o 7º lugar de Aru. Poels só não o fará se eventualmente for obrigado a sacrificar-se em prol da vitória do seu chefe-de-fila.

Normalidade – O desempenhos de Miguel Angel López (22º a 2:34m) roçou a normalidade. No entanto, fica aqui um sinal de aviso: para poder almejar no futuro uma vitória na geral, o colombiano terá obrigatoriamente que se defender melhor nesta especialidade; os seus 65 kg, não são, como vimos no rendimento de Kelderman, uma desculpa para não obter melhores resultados nesta especialidade.

Péssimos desempenhos

Tejay Van Garderen – O americano tinha neste crono uma oportunidade de ouro para se aproximar do top 10. Com um tempo (1:55m de Froome) muito abaixo das suas potencialidades, o americano não conseguiu ganhar tempo de maior a Michael Woods (3:40m de Froome; outro péssimo desempenho; se não tivesse feito excelentes exibições na montanha, em condições normais, o canadiano saltaria fora do top 10), a Chavez e a Aru. Se não ganhou tempo na sua especialidade (uma prestação aceitável seria um crono a menos de 30 segundos de diferença para Froome), não será na montanha que o chefe-de-fila da BMC conseguirá recuperar recuperar os três minutos de atraso para o canadiano da Cannondale.

Esteban Chavez – Se o colombiano quiser alguma vez vencer uma Volta terá que melhorar imenso no contra-relógio.

Nota negativa para todos os contra-relogistas puros que se apresentaram – Tobias Ludvigsson (FDJ) liderou a etapa até aos momento em que Alberto Contador cruzou a linha de chegada. O sueco foi o melhor dos contra-relogistas puros, ou seja, de todos aqueles que só fazem a diferença nesta especialidade. No entanto, o tempo realizado pelo ciclista sueco não lhe permitiu ficar à frente na etapa de trepadores puros como Nibali, Kelderman ou Contador. Com um 9º lugar, Bob Jungels fez um tempo profundamente negativo para a sua qualidade na especialidade (a 1:41m de Froome). O mesmo se deve dizer das más prestações de Stef Clement (16º), Niki Terpstra (17º), e Nelson Oliveira (24º a quase 3 minutos de Froome). Esperava-se um melhor desempenho de todas estas unidades visto que as suas equipas depositavam algumas esperanças nas suas prestações individuais (alguns foram até convocados para a prova para poderem lutar pela vitória de etapa nesta tirada) e estes ciclistas já não se encontram a lutar por qualquer objectivo na prova.

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Como já pude referir, com esta vitória, Froome não resolveu a geral individual para o seu lado mas conseguiu adquirir tempo muito valioso para apostar numa postura de serenidade na chicana de 4 etapas que se seguem na montanha até sábado. A fazer fé pelo que se realizou até ao dia de hoje na alta montanha, só uma hecatombe total (no Angliru por exemplo) irá retirar a camisola encarnada do corpo do ciclista da Sky.

A luta pela 2ª posição estará ao rubro. Zakarin será certamente o maior agitador visto que o russo está a crescer ao nível de forma nesta parte final. À semelhança da postura de adoptou na 3ª semana do Giro nas mesmas circunstâncias (às portas do pódio) o russo irá utilizar as próximas etapas para atingir o seu principal objectivo.

Sem esquecer que Alberto Contador também pretenderá subir ainda mais na classificação. El Pistolero já provou ao longo da prova que qualquer dia é bom para atacar. Já se provou noutras equipas que a Sky garantirá alguma liberdade para Contador atacar desde que não pise muito o risco. De meio minuto em meio minuto, o espanhol poderá chegar ao Angliru em condições de desafiar o 4º lugar de Zakarin ou até ao 3º de Kelderman.

Certa certa será a passagem ao ataque de López. A correr sem pressão (as duas vitórias dão-lhe imenso conforto e crédito para conseguir mais) o colombiano tentará ascender pelo menos ao 5º lugar de Contador. Para retirar os 27 segundos de desvantagem, bastará um ataque explosivo a 2,5 km da linha de meta.

Do 7º ao 10º tudo pode acontecer. Não acredito que nenhum dos ciclistas tenha capacidade para ousar mais. Tanto Aru, como Chavez estão em quebra física. Woods está mais fresco mas os 3 minutos e 30 averbados durante o dia de hoje colocam-no a bastante tempo de López e Contador, ciclistas que estão com uma maior disponibilidade física.

Só um milagre ou uma fuga bem executada qualquer um dos ciclistas posicionados entre o 11º e o 14º lugar dentro do top 10. Destes, o único que não está em queda livre é Louis Meintjes. Ao longo da prova, o sul-africano tem vindo a crescer ao nível de sensações, conseguido agora aguentar mais tempo junto dos melhores. No entanto, recuperar 5 minutos em relação a Michael Woods não será tarefa fácil para o sul-africano da UAE.

Com a vitória na etapa, Chris Froome deverá ter dado um passo importante para arrebatar a camisola dos pontos. O britânico tem agora mais 27 pontos que Matteo Trentin. Até ao final da prova, o italiano poderá somar um número máximo de 45 pontos se conseguir vencer todos os sprints (precisando para tal de sair nos próximos dias em fuga e de ultrapassar uma série de primeiras e segundas categorias) que faltam até Madrid e se vencer a derradeira etapa da prova. Os 45 pontos poderão não chegar se Froome marcar 18 nas 4 das 5 chegadas em etapas de montanha que ainda faltam disputar. Uma vitória de etapa será suficiente para o britânico se consagrar como o vencedor do prémio da regularidade.

A 31 pontos de Froome, Vincenzo Nibali tem mais probabilidades de vencer esta categoria visto que irá somar mais pontos que Trentin nas 4 etapas que se irão disputar até sábado.

Davide Villela (Cannondale) será obrigado a andar na frente nas próximas etapas para segurar a magra vantagem de 8 pontos que dispõe para o galgo Miguel Angel López. Se Villela não somar o máximo número de pontos nas primeiras contagens dos próximos dias, arriscar-se-à claramente a ver a sua polka dot passar para o corpo do colombiano da Astana.

Christopher Froome continua a liderar o prémio da combatividade.

Na geral por equipas, a Astana tem 9 minutos de vantagem para a Sky. Tomando em consideração o facto que nem Froome nem Poels farão diferenças de maior para Aru e López até ao final da prova (os ciclistas da formação britânica poderão ganhar, na melhor das hipóteses, uns 5 ou 6 minutos; isto é, se Miguel Àngel não voltar a surpreender) Mikel Nieve poderá dar o seu contributo para a equipa. Como Nieve tem chegado quase sempre mais cedo que Pello Bilbao (apesar de ter reparado nas últimas etapas que Bilbao tem tentado aguentar o máximo tempo possível na frente para ser o 3º homem da Astana a fechar), a Sky poderá aproveitar um deslize do corredor da Astana para somar tempo que lhe permita ainda lutar pela geral colectiva. A jogar a favor da Astana poderá estar eventualmente uma fuga na qual um dos seus ciclistas possa chegar na frente.

A 33 minutos, na 3ª posição, encontra-se a Movistar.

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