As 5 formas de desmarcação para Marcelo Bielsa


Um verdadeiro tratado de mobilidade, passe e recepção (orientada com giro, ou em perfil, queimando as linhas adversárias visto que o receptor pode colocar-se logo de frente para o jogo sem ter que perder tempo a rodar para se orientar de frente) oferecido por El Loco num simpósio realizado no ano passado pela Aspire em Amesterdão, no qual o treinador argentino, actualmente ao serviço do Lille, oferece 5 possibilidades de desmarcação muito úteis para bater (e criar superioridade) várias disposições posicionais defensivas adversárias quer na fase de construção quer na fase de criação de jogo. Os exemplos demonstrados foram como se pode ver captados em sessões de treino e de jogo nas suas passagens pelo Athletic e pelo Olympique de Marseille. 

“Yo siempre les digo a los muchachos que el fútbol para nosotros es movimiento, desplazamiento. Que hay que estar siempre corriendo. A cualquier jugador, y en cualquier circunstancia, le encuentro un motivo para estar corriendo. En el fútbol no existe circunstancia alguna, escuchame bien, no existe motivo alguno para que un jugador esté parado en la cancha”

Todos estes exercícios enquadram-se obviamente na teoria particular de mobilidade argentino. Para Marcelo Bielsa, sempre que a equipa está com a posse de bola, a desmarcação constante dos seus jogadores surge como uma obrigação ditada pela necessidade de mobilidade, ideia que visa garantir fluidez, imprevisibilidade, continuidade, progressão e profundidade, numa segunda fase, a fase de criação.

  • Fluidez – uma circulação sem falhas, em poucos toques, sem intercepções adversárias, sem possibilidade de garantir à defesa a intervenção no lance.
  • Imprevisibilidade – uma circulação sem posições fixas e estáticas, ou seja, mais difícil de interpretar e de anular pela defesa adversária. Quando existe movimento, os adversários são obrigados a acompanhar todas as movimentações, ou seja, são obrigados a entrar na espiral de movimento criado por quem tem a posse para tentar retirar a posse. Se os adversários são obrigados a acompanhar todas as movimentações (um exemplo entre muitos, a vasculação de uma linha média quando existe uma rotação entre flancos por parte da equipa que tem a posse de bola), uma circulação fluída, em poucos toques, num reduzido espaço de tempo, irá obrigar o adversário a ter que sair do seu posicionamento pré-estabelecido para atacar o portador de forma a roubar-lhe a posse ou a impedir a sua progressão. Bastará portanto uma entrada num espaço livre deixado pelo adversário para garantir continuidade. Essa entrada pode ser porém concedida pelo adversário. Certas disposições defensivas criadas por treinadores garantem determinados espaços ao adversários para a jogar, num clima controlado. A equipa sabe que esses espaços estão vazios mas tem mecanismos para os ocupar quando a bola lá entrar. A ideia de Bielsa é entrar nos espaços para os quais as equipas não tem uma resposta imediata, quebrando portanto a disposição adversária.
  • Continuidade – da posse.
  • Progressão – à medida que a equipa vai progredindo vai invadindo espaço adversário e vai criando outros problemas para quem defende. Para Bielsa, a mobilidade não se esgota num primeiro momento de progressão. Há que continuar portanto a efectuar desmarcações para criar problemas para os adversários até ao objectivo final: a criação de situações de oportunidade no término do espaço adversário: o último terço adversário.
  • Profundidade – a 2ª forma de recepção. Nas costas dos rivais.

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