Muito desconforto e muito nervosismo na Feira


Fortíssimos nas transições e pouco mais. Ao dar apoio à acção de Gelson Martins, Alan Ruiz (jogador que finalmente começou a movimentar-se mais para as alas na 2ª parte, contrariando o estaticismo que enunciei no post anterior desde o momento em que entrou para dentro do terreno de jogo) permitiu a continuidade da acção a Gelson (no momento em que o argentino faz o movimento divergente para o lado direito para oferecer apoio ao companheiro, o jogador que o acompanha decide parar a sua acção para eventualmente esperar o 1×1 de Gelson; o jogador da Feira não acreditava na possibilidade do extremo colocar um cruzamento daquele sector do terreno).

O corte de Bas Dost é importantíssimo. Ao dar a entender ao central que tenciona atacar aquela bola, o ponta-de-lança do Sporting prende por completo o central, ou seja, não permite que este recue para estorvar a acção de quem vai realmente receber: Bruno Fernandes.

Inteligência do médio no timing de entrada nas costas, aproveitando a ausência do lateral direito Jean Sony.

O meu coração não aguenta. Depois do frenético final frente ao Setúbal, daquela cardíaca ponta final de partida frente ao Estoril (na qual esta equipa deu os primeiros indícios daquilo que viemos a confirmar na 2ª parte do jogo desta noite: uma equipa que tem muita dificuldade para gerir vantagens) e de uma salutar pausa de 2 semanas para recarregar baterias, na Feira, o alívio só veio mesmo no último minuto e veio porque um dos centrais da dupla de “paus-de-virar tripa” de Nuno Manta, o elo mais fraco desta galharda formação da Feira, cometeu um daqueles erros que vulgarmente designo como “erro provocado por desgaste e fadiga”

Uma 2ª parte de loucos valeu bem o preço do bilhete para quem foi à Feira ao engano, à procura de Caviar ao intervalo. Se na primeira parte, os problemas verificados aqui não permitiram ao Sporting tomar vantagem na partida (quem esteve mais perto até foram os homens da casa quando Edson Farias perdeu aquela grande oportunidade na cara de Rui Patrício; após uma estranha oferta de Mathieu, ele que tanta segurança e eficácia garante à primeira fase de construção da equipa quando sai a jogar pela meia esquerda) na 2ª parte tudo mudou quando o Sporting tomou finalmente conta das operações a meio-campo. A equipa subiu a sua linha média, Bruno soltou-se do espartilho táctico montado pelo treinador do Feirense a meio-campo, teve mais bola nos pés para construir (se bem que Gelson continuava a receber o esférico tarde e a más horas com Alex Kakuba e Etebo à perna) Alan começou a procurar mais as faixas para apoiar as acções dos extremos e dos laterais (Battaglia faz na minha opinião um jogo fantástico dadas as suas limitações para aquela posição; o argentino faz das suas fraquezas, forças; estava à espera de uma atitude mais comedida e mais defensiva do argentino, pese embora a sua latente capacidade para transportar jogo; o que assistimos foi o contrário: sempre que podia o argentino, subia, apoiava, tentava cruzar) e William começou a dominar por completo as segundas bolas, efeito que fazia recuar mais a defesa do Feirense até ao seu último reduto. O Sporting carregou (em ataque organizado e em duas transições nas quais William solicitou Acuña com os seus eficazes passes em profundidade), foi montando boas plataformas de ataque (nas quais o último passe; quase sempre o último passe não entrada) e foi conquistando cantos. Coátes marca o primeiro e Bruno, 2 minutos depois, deu o natural conforto que a equipa precisava para gerir a partida. Errado, totalmente errado!

Frente ao Estoril, a equipa já tinha dado mostras de não saber gerir uma vantagem. O recuo abrupto de linhas associado a um certo adormecimento ofensivo e defensivo (falhas de marcação, falta de intensidade na pressão, falta de iniciativa ofensiva, característica essencial para quem quer dominar totalmente o adversário, retirando-lhe a preciosa posse de bola; muitas falhas na transmissão a meio-campo, falhas que permitiram ao adversário recuperar e lançar ataques rápidos) permitiu na altura aos estorilistas reabrir a discussão pela partida nos 10 minutos, causando um autêntico estado colectivo de insuficiência cardíaca em Alvalade.

Por outro lado, a equipa de Nuno Manta Soares esteve de parabéns pela forma em como continuou a acreditar que era possível “tirar qualquer coisa do jogo”. Mesmo depois de ter levado dois socos de rajada no espaço de 2 minutos, o jovem treinador manteve a aposta no seu meio-campo de contenção e pressão, reiterou a aposta no seu fantástico construtor de jogo (Tiago Silva) e no seu “criador” Etebo, reforçou as alas com duas setas (Luís Machado e Hugo Seco) que criaram perigo sempre que puderam acelerar pelos corredores e a equipa soube sempre pressionar com intensidade a saída de jogo dos leões. O 1º golo surge num banal lance na sequência de um pontapé de canto. Já o golo do empate surge inserido num contexto de oferta, não obstante, porém, a extraordinária jogada que foi construída pelo flanco esquerdo pelos jogadores da formação nortenha.

Pelo meio, com todo o tempo do mundo para colocar a bola ao ângulo falha (por milímetros) aquele brinde que lhe foi concedido à entrada da área pela defensiva do Feirense.

O laxismo revelado no primeiro tempo na 1ª fase de construção (os brindes de William e Jeremy Mathieu em zona proibida) estendeu-se até ao 2º. O golo do empate dos homens da casa nasce de uma perda de bola que não é naturalmente compensada (para amenizar efeitos) com uma rápida reacção à perda por parte de quem perdeu o esférico:

Relembremos o lance. Na transição para o meio-campo adversário, William coloca a bola nos pés do adversário. A equipa do Feirense contemporiza para fazer subir unidades e coloca a bola na ala esquerda.

william 3

De perfil para o lance, William nem ataca o portador nem fecha a linha de passe interior. O médio desinteressa-se por completo da jogada. Se Battaglia estivesse naquela posição, Etebo jamais receberia aquela bola entre linhas porque estaria a ser marcado em cima.

Jonathan Silva também é muito lesto a sair na pressão para encurtar espaço e tempo para o jogador pensar o que vai fazer com a bola.

Existe espaço entre os dois centrais para Etebo entrar, receber, ganhar a frente na raça com um adiantamento e estufar a baliza de Rui Patrício com aquela potente e colocada finalização.

Grande golo da formação de Nuno Manta! Foi sem dúvida um dos melhores golos da Liga até ao momento e um bonito presente para o fantástico jogo realizado por Etebo.

Poucos minutos depois há aquela situação na qual, lançado em profundidade junto aos centrais, Luís Machado não consegue finalizar a jogada para completar uma reviravolta merecida.

O Sporting volta à carga nos minutos finais, sendo William quem carrega a equipa para o último terço adversário. Jorge Jesus foi feliz na entrada de Iuri Medeiros mas não foi na entrada de Doumbia. Enquanto o extremo procurou muito bem terrenos interiores para receber e poder puxar a bola para o seu pé esquerdo (é numa destas acções que o extremo conquista um livre perigoso à entrada da área que redunda num remate para fora de Bruno Fernandes) o avançado esteve completamente perdido nos minutos em que esteve em campo. Em vários lances vi William a pedir o recuo em antecipação do marfinense para poder dar continuidade aos lances.

O redentor lance acabaria por surgir mais uma vez (à semelhança do que já tinha acontecido frente ao Setúbal em Alvalade) numa jogada de puro coração, na qual a recepção de Coates fez toda a diferença. O Sporting volta a ter a sempre necessária estrelinha de campeão num jogo em que voltou a não conseguir saber gerir da melhor maneira a vantagem alcançada.

Um pensamento em “Muito desconforto e muito nervosismo na Feira”

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