Vuelta – 18ª etapa – Sander Armée dá o terceira vitória em etapa à Lotto-Soudal; Froome volta a mostrar à concorrência quem manda


A melhor defesa é o ataque. Assim o provaram, em dois momentos completamente distintos Sander Armée e Christopher Froome. Se o primeiro, conseguiu, finalmente, à 6ª tentativa de fuga na prova, almejar o objectivo pelo qual já vinha a trabalhar desde o seu início (a vitória numa etapa; depois das duas de Marczynski, a Lotto-Soudal inscreveu mais uma vez o seu nome na lista dos vencedores de etapas da prova) com um ataque na rampa mais acentuada da “colina” para  Santo Toribio de Liébana, o segundo, apagou o mau desempenho na etapa de ontem, ganhou tempo aos perseguidores directos e acima de qualquer proveito na geral, enviou quer a Nibali, quer a Kelderman uma mensagem de força muito precisa para a etapa de sábado: “eu não estou morto. Não queiram fazer de mim o bobo no Angliru porque eu irei estar lá para provar que sou o melhor desta Vuelta”

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Foi já dentro do último km que Sander Armée conseguiu atingir o objectivo para o qual se tinha proposto em várias etapas desta prova. Com uma aceleração decisiva, o belga de 31 anos, pode alcançar aquela que é, até ao momento, a maior vitória de uma carreira que não conta com muitos triunfos. O que Armée fez ao aniversariante Lutsenko (vencedor de uma etapa nesta edição) no dia em que o casaque completou 25 anos foi uma pura maldade porque o jovem baroudeur da Astana já estaria decerto a contar com a cereja no topo do bolo que seria repartido no final da etapa no autocarro da equipa. Se tivesse levado a discussão para o sprint, o corredor de 25 anos seria certamente mais rápido que o veterano belga. Como Armée não estava pelos ajustes e passou toda a etapa a tentar livrar-se dos bons finalizadores, a 700 metros da meta, o belga não deu quaisquer hipóteses ao seu companheiro de fuga.

Como as oportunidades já começam a escassear para as equipas que ainda não conquistaram qualquer etapa na prova (a lista é longa: Française des Jeux, Movistar, AG2R, Lotto-Jumbo, Manzana Postobon, Orica-Scott, Cannondale, Cofidis, Caja Rural, Trek, Team Sunweb, Katusha, Dimension Data) uma boa parte dessas equipas decidiu lançar um ou mais corredores na fuga do dia. A tirada chegou a ter 20 corredores em fuga quando um grupo constituído por Sander Armée (Lotto-Soudal) Julian Alaphilippe Matteo Trentin (Quick-Step), Alessandro De Marchi (BMC), Magnus Cort Nielsen (Orica), Nelson Oliveira e Marc Soler (Movistar), Patrick Konrad (Bora), Clément Chevrier e Alexis Gougeard (AG2R La Mondiale), Toms Skujins (Cannondale), Antwan Tolhoek (Lotto-Jumbo), Matej Mohoric (UAE), Alexey Lutsenko (Astana), Giovanni Visconti (Bahrain-Merida), Jérémy Maison e Anthony Roux (FDJ), Stéphane Rossetto (Cofidis), Sergio Pardilla (Caja Rural-Seguros RGA), e Aldemar Reyes (Manzana-Postobón) saiu do pelotão para tentar a sua sorte. A Sky não se incomodou minimamente com a fuga, tendo deixado o grupo rolar até uma diferença na ordem dos 13 minutos. O melhor colocado desta fuga era o trepador da Caja Rural Sergio Pardilha a menos de 25 minutos de Christopher Froome.

Com várias contagens de montanha de 2ª e 3ª categoria pela frente, e um final em alto nos explosivos 3,2 km da 3ª categoria do Alto de Santo Toribio de Liébana (rampa com 6,4% de pendente média), o grupo veio obviamente a fragmentar-se na 2ª categoria da Collada de la Hoz. No primeiro dos vários ataques realizados ao longo da etapa, Sander Armée, acompanhado por Alexis Gougeard da AG2R numa primeira fase e numa segunda por Marc Soler, Julian Alaphillippe e Alexei Lutsenko, decidiu livrar-se de todos os roladores presentes no grupo e de ciclistas que podiam ter uma palavra a dizer na subida final, casos de Tolhoek, DeMarchi, Patrick Konrad, Sergio Pardilha, Matej Mohoric, Giovanni Visconti ou até o nosso Nélson Oliveira, ciclista que tem vindo a revelar nas etapas de média montanha, os frutos do trabalho que tem realizado nos últimos meses. A primeira selecção feita pelo belga não o livrou porém, numa primeira fase dos melhores trepadores\finalizadores. Alaphillippe, Soler e o próprio Lutsenko, ciclista que apresenta um bom andamento em qualquer terreno, continuavam a ser uma ameaça às pretensões do ciclista da Lotto-Soudal.

Na descida para o Alto de Santo Toribio de Liébana o quinteto que seguia na frente até foi reforçado com a chegada de mais 2 ciclistas. No entanto, Armée tinha mais um trunfo na manga. Numa nova aceleração promovida, Armée livrou-se finalmente de Alaphillippe, levando apenas Lutsenko na sua roda. Com uma agradável colaboração nos km finais, os dois ciclistas chegaram aos últimos 1000 metros com a certeza de que seriam eles a discutir a vitória da etapa. Sem forças para reagir à 3ª aceleração do dia promovida pelo belga, o jovem aniversariante ficou pregado na sua bicicleta enquanto Armée pode levantar os braços para festejar a melhor vitória da sua carreira.

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Enquanto na frente, a fuga discutia à vontade a vitória na etapa, no grupo dos favoritos, Fábio Aru mostrava-se pela primeira vez nesta Vuelta em grande nível. Zangado pelo facto da equipa ter feito borrada com a sua bicicleta na etapa de ontem (Los Machucos; em declarações à Gazzetta dello Sport, o italiano afirmou que o mecânico da equipa casaque não colocou o prato de 36 dentes pedidos pelo italiano; no fundo creio que toda esta a situação está a ser motivada pelo diferendo existente entre a equipa e o ciclista visto que este estará, segundo os rumores que tem sido publicados, prestes a assinar com a UAE para a próxima temporada) o italiano decidiu atacar com o intuito de tentar recuperar tempo para os ciclistas que estão à sua frente na geral. A verdade é que meio pelotão ignorou por completo o ataque do campeão italiano. Não só nenhum dos ciclistas como Michael Woods ou Miguel Angel López, respectivamente, 7º e 6º à geral) saíram para defender as suas posições como, os esforços levados a cabo pelo italiano ao longo de dezenas de quilómetros (chegou a ter 1:20 de vantagem para o pelotão) acabaram por ser anulados, com alguma tragico-comédia à mistura, nos 3 km finais da etapa quando a Sky diabolizou o ritmo de corrida.

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A Sky e Christopher Froome não tiveram um dia de todo fácil. Nos quilómetros finais da 2ª categoria da Collada de la Hoz, a formação britânica teve que lidar com uma série de movimentações tácticas que poderiam ter apimentado a corrida. Tudo começou quando o colombiano Jarlinson Pantano lançou um ataque. Se o principal gregário de Alberto Contador passava ao ataque, a leitura de corrida era simples: El Pistolero estaria cheio de vontade de voltar a fazer das suas. Com a saída de Pantano, saíram também Pelizotti (o principal gregário de Nibali) David de La Cruz (atacou 3 vezes ao longo da subida; depois de ter padecido de dias menos bons, o espanhol tem provado que quer mesmo fechar dentro do top10) e Luis León Sanchez (Astana). Os ingleses desconfiaram dos interesses envolvidos nestas motivações: os 3 ciclistas estavam a preparar uma mega movimentação.

Não tardou muito até Contador sair do grupo na companhia da sua sombra Miguel Angel López. Os dois estão efectivamente a protagonizar uma luta titânica ao longo desta Vuelta. Com Pantano e Sanchez em posição intermédia, os dois trataram de tentar aproveitar a boleia do ciclista colombiano da Trek. Sem ir em cantigas, a Sky de Froome, mais concretamente Gianni Moscon, acelerou o ritmo para matar a investida logo à nascença.

Cumprida sem sobressalto o final da descida, a Sky até aproveitou a descida para ganhar forças para a rampa final. Vários foram, nesta fase, os ciclistas que perderam contacto na 2ª categoria para retomar posição no grupo principal.

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Na chegada ao destino, com Aru na frente a ganhar perto de 1:20m, a Trek decidiu, por intermédio de Peter Stetina acelerar novamente o ritmo da corrida. Contador queria fazer um assalto ao pódio. Com alguma inteligência, a Sky, equipa que estava como é hábito cravejada de unidades no apoio ao seu líder, tratou de impedir que a Trek se movimentasse à larga. Com um subito impulso, a formação britânica decidiu acelerar a subida de tal maneira, que o tempo que Aru estava a ganhar, diminui drasticamente, em menos de 1 km, do minuto de vantagem para os 35 segundos.

O ritmo demoníaco colocado pela formação britânica pulverizou por completo o grupo principal. Chavez foi o primeiro a rebentar. Tanto Kelderman como Zakarin como Nibali seguiam na cauda do grupo. Quando Froome ficou encarregue de fazer as diferenças, só Contador e o guerreiro Michael Woods (é caso para perguntar simplesmente: como é que este ciclista, corredor que só apresenta no seu currículo 3 vitórias insignificantes em provas menores e meia dúzia de boas prestações em provas de world tour só aparece para a alta montanha aos 30 anos?) conseguiram acompanhar a cadência do ciclista britânico, deixando para trás toda a concorrência.

Segundinho a segundinho, lá vai Froome levando a água ao seu moínho.

4 segundos para Kelderman e 21 para Nibali permitem ao ciclista britânico voltar a ter algum conforto depois do tempo precioso que perdeu durante a etapa de ontem.

Contador voltou a aproximar-se dos homens do pódio. A 1:05m do 4º que é Ilnur Zakarin e a 1:17m de Kelderman, El Pistolero tentará nas próximas etapas dar o tudo por tudo para sair de cena em ombros. No Angliru, estou certo (aposto já aqui as minhas preciosas mãos) em como teremos El Pistolero em modo de ataque total, tudo por tudo, para poder despedir-se em glória.

A luta pela última posição no top 10 continua ao rubro. Steven Kruisjwijk tem 5 segundos de vantagem sobre David de La Cruz, no dia em que Esteban Chavez e Tejay Van Garderen (respectivamente a 1:31m e 1:40 do holandês) confirmaram novamente a péssima prova que tem vindo a realizar.

A Astana confirmou praticamente a vitória na geral por equipas. Os 9 minutos amealhados por Lutsenko dão uma confortável vantagem de 20 minutos sobre a Sky.

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