Vila da Feira e o que se segue


Por Miguel Condessa

Uma equipa de futebol tem um plantel com 20 e qualquer coisa jogadores porque se sabe que não podem jogar sempre os mesmos 11 nem se pode recorrer sempre aos mesmos 14 jogadores em todos os jogos.
Hoje em dia também toda a gente sabe, ou devia saber, que ter atitude e entrega ao jogo e ter uma boa intensidade de jogo durante os 90 minutos é tão importante como toda a parte técnica de um jogador. Quem não tem entrega ao jogo, quem não mete intensidade no seu futebol ou quem tem défice técnico ficará sempre bem atrás de quem consegue juntar as
duas componentes quando está em campo. E, reforço, não é atrás, mas é BEM atrás…

O Sporting apresenta este ano o melhor plantel da Era Bruno de Carvalho! Eu não tenho dúvidas disso e acredito que não haja um adepto sequer que as tenha. Não é um plantel perfeito, obviamente. Não temos os melhores jogadores do mundo! Terá algumas lacunas e também algumas “questões” a considerar importantes – há jogadores que têm de ser geridos fisicamente com muita sabedoria, a saída do Adrien foi uma baixa de peso, e como quase todos são internacionais estão sujeitos a viagens e jogos extra que quase sempre complicam o nosso jogo posterior a essa situação! Mas existe muita qualidade e qualidade para além do 11 que tem sido titular neste início de época.

No plantel do Sporting só há 2 jogadores que me parecem a mais: um é o Alan Ruiz; outro é o Matheus Oliveira. Ambos porque são jogadores sem intensidade para jogar o futebol que o Jesus gosta, que o Jesus quer, que todos nós gostamos, que todos nós queremos. E se ao filho do Bebeto eu ainda dou o benefício da dúvida, ao Alan já não! Ter intensidade,
ou não, é uma cena mental. Ou metes na cabeça que tens de correr o jogo todo, disputar cada lance como se a tua vida dependesse disso, ou não metes. É daquelas coisas que eu acho que um jogador pode não ter e um dia meter na cabeça que vai mudar e muda mesmo. Não é fácil, nem muito usual, mas é possível. Mas não demora um ano a fazê-lo…e, muito menos, sai de uma época com esse défice competitivo e entra noutra época à espera que um dia isso aconteça!

O JJ é sempre o maior? Não! Ninguém é sempre o maior e o JJ não foge à regra, por muito que alguns adeptos façam querer parecer isso! O JJ, além disso, tem o handicap de, sendo uma pessoa casmurra e narcisista, ser uma espécie do seu pior inimigo. Algumas das suas facetas, como as 2 que indiquei, limitam muito do que tem de bom na parte técnica do
treinador que é. Não fosse este handicap e o Jesus seria um caso sério como treinador!
Mas sempre foi assim e não é uma coisa que tenha aparecido agora desde que chegou ao Sporting!
No 11 que se apresentou em campo o Sporting teve 2 jogadores que tinham vindo do outro lado do mundo e chegado praticamente em cima do jogo, o Coates e o Acuña, com a agravante do segundo ter feito 2 jogos de grande intensidade. Se tens um plantel bom, como nós temos, tem de se ter confiança nos que normalmente não são os titulares. Podia perfeitamente ter jogado o André Pinto no lugar do Coates, que estando em 2 dos nossos
golos também esteve nos 2 golos deles, e o Iuri ou o Bruno César no lugar do Acuña, reservando estes 2 jogadores para o banco para a eventualidade de poderem ser necessários. Ambos os jogadores tiveram uma boa atitude mas percebeu-se que não estavam no seu máximo!

Não esteve bem ao não levar um lateral de raiz no banco! Quando compões um banco, nos 7 jogadores tens de ter soluções para todas as posições. Tens de saber quem entra se o GR se lesiona – por isso vai sempre um GR suplente – tens de saber quem entra se um central se lesiona – ou levas um central no banco ou sabes que passas o 6 a central e metes um novo médio – e assim por diante… E ontem viu-se que ele não soube o que fazer quando o Piccini se lesionou. Aliás, ele mesmo disse isso depois do jogo. Portanto não esteve bem neste aspecto.

Insistir no Alan, para mim, é não estar bem. Por isso voltou a não estar bem quando meteu o Alan em campo. Quem já me conhece pode vir aqui dizer que é o meu ódiozinho de estimação pelo Alan, que não tenho – desejo até que seja muito feliz mas noutro clube – mas a realidade é que há pouco menos de um ano, quando aqui comecei a escrever com
mais frequência sobre o Sporting, contavam-se pelos dedos de uma mão, e sobravam metade, os adeptos que, como eu, apontavam os defeitos do jogo do Alan e hoje também se contam pelos dedos de uma mão os que AINDA defendem que o Alan é um grande jogador! O Alan foi uma má contratação, custou-nos 10M€ na época anterior – entre passe,
comissões, prémio de assinatura, ordenado e um apêndice – e não traz nada à equipa, antes pelo contrário, só tira. Tira velocidade, tira intensidade, tira capacidade defensiva, enfim, tira um jogador em campo!

Finalmente o Jesus demorou a mexer na equipa. Chegados ao 2-0, a equipa caiu a pique elevou rapidamente um golo, metendo o feirense na disputa do resultado novamente. Aliás,se a equipa não tivesse caído a pique aquele 2º canto que deu o 1º golo ao Feirense nãotinha acontecido porque a abordagem ao 1º canto teria sido outra. Já se percebia, mesmo antes dos nossos golos, que o Alan era uma peça a menos. Assim que chegámos, quase de rompante, ao 2-0, devia ter tirado o Alan para ter mais uma unidade que defendesse melhor – a substituição que penso que seria a melhor era meter o Iuri nesse lugar pois manteria o poder de fogo e a parte atacante e ganharia mais uma unidade a defender – o Iuri já percebeu que tem de defender e que vai ter de dar ao pedal para jogar nesta equipa.

Mantinha a possibilidade de, se fosse necessário como depois foi, meter o Doumbia no meio, tirando o Acuña, e passar o Iuri para a esquerda.
Quando se ganha com um penalti tão estúpido como claro no último minuto dos descontos, tem que se assumir que se teve uma certa sorte! Não me interessa que se tenham falhado 2 ou 3 golos certos nos 15/20 minutos anteriores! Não perceber isto é fazer de conta…
Foi uma vitória tão justa quanto sofrida, num jogo em que só jogámos a partir do intervalo!
Se queremos ser campeões não podemos dar meias partes aos adversários,sejam de avanço, sejam por sairmos ao intervalo, como aconteceu contra o Estoril! Espero que tenha, finalmente, servido de exemplo.
Espero também que o Jesus comece a rodar jogadores quando for necessário e não apostes sempre nos mesmos, sabendo, e até assumindo, que alguns terão dificuldades físicas na2ª parte. Ou se tem confiança nos jogadores do plantel e se mostra isso, ou não vale a pena andar a dizer que se confia em todos!
Este foi o primeiro jogo duma série de 7 jogos em 21 dias. Seguem-se Olympiacos fora (LC), Tondela em casa (1ªL), Marítimo em casa (TL), Moreirense fora (1ªL), Barcelona em casa (LC) e Porto em casa (1ªL). É um ciclo complicado, similar ao que tem o Porto mas mais difícil do que tem o Benfica. Espero que estejam todos à altura, que o Jesus seja
inteligente em gerir a equipa, que não haja lesões e que os jogadores percebam a importância de todos os jogos, dando tudo e mais um extra em campo! Os jogos internos são todos para ganhar! Não podem ser encarados de outra forma! Na Liga dos Campeões, não perder em Atenas é fundamental mas gostaria que viéssemos de lá com uma vitória.
Depois, não perder com o Barcelona é importante mas haverá sempre uma pequena percentagem de esperança por uma surpreendente vitória!

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Um pensamento em “Vila da Feira e o que se segue”

  1. Bom dia Caro Miguel, subscrevo inteiramente a sua análise e junto-me assim no clube dos não-fans do Alan Ruiz desde a primeira hora. Vejo muitas lacunas no jogo dele: a lentidão exasperante, nunca recebe a bola de forma orientada para o meio campo-adversário, o não compromisso com a equipa. Ainda assim, quando a equipa está bem e isso foi evidente no melhor período da equipa, ele teve movimentações interessante sobretudo na direita que permitiram ao Gelson e ao Battaglia ganharem metros. Mas ainda assim é muito pouco…
    Eu fui ver o jogo à Feira e como o Miguel, temia pela condição física de alguns jogadores nomeadamente o Acuña e o Coates. Penso que na base da decisão do JJ, devido à baixa forçada do Coentrão, esteve a vontade em não querer fazer uma revolução completa na asa esquerda tirando o Acuña que tem na fiabilidade a sua melhor característica.
    Sobre o Alan Ruiz, há um lance revelador (não sei se foi possivel de ter toda a leitura do lance na TV, mas no estádio foi gritante) do que ele aporta à equipa: lançamento na lateral direita na zona do meio campo, o Gelson aproxima-se do Battaglia e arrasta o seu marcador directo e o Alan Ruiz está no meio (zona interior) e com umm homem nas costas mas com mais de 30m sem ninguém na zona que Gelson deixou descoberta. Se ele tem feito a diagonal para essa zona o Battaglia podia ter-lhe endossado a bola e ele teria espaço para ir quase até ao enfiamento da linha de área na banda direita. Mas como ele não tem velocidade (com e sem bola) não arriscou nesse movimento de ruptura…
    Na minha opinião, o melhor jogador do SCP no jogo foi o William seguido do BF, com o WC a ser mais efectivo durante mais tempo. Gostaria de destacar o Battaglia, que aporta à equipa um sentido de compromisso com os colegas e é de tal forma assertivo no jogo que mesmo não sendo um fora-de-série começa a ser para mim um dos imprescindíveis. A forma como assume o lugar de defesa direito é notável. Estes jogadores solidários e gregários são o cimentos que solidificam as equipas, junte-se isso ao seu discurso (Conf.Imprensa e nas redes sociais) e tenho um dos meus favoritos nesta época de 2017/2018.
    Gostaria de realçar que a jogada do penalty, começa na recuperação do Iuri a um contra-ataque do Feirense em igualdade numérica!!!
    Espero que o JJ hoje faça algumas rotações eu poria o Doumbia, (que ainda parece um corpo estranho à equipa) e dava tb descanso ao Gelson (está a perder discernimento) colocando o Iuri. Acho que o JJ deveria trabalhar bem um tandem entre Iuri e Doumbia, pois o Iuri na ala direita com a sua visão de jogo poderia descobrir avenidas para as desmarcações em profundidade do Doumbia.
    Apesar de achar que ele precisa, esperava pelo regresso do Coentrão para dar descanso ao Acuna (rotação não deve implicar revolução e para mim significa mudar 2 no máximo 3 elementos por jogo)
    Saudações Leoninas

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