Vários problemas bicudos para Pedro Martins


pedro martins

A contas com lesões, problemas físicos e com a adaptação ao modelo de jogo e aos princípios e ideias que o compõem de um conjunto de jogadores que chegaram ao clube na recta final da janela de transferências, Pedro Martins vai ter muito trabalho pela frente nas próximas semanas para por o Vitória a jogar um futebol minimamente alinhado relativamente aos objectivos para os quais o clube historicamente luta e às altíssimas exigências que são demandadas pelos exigentes adeptos do Vitórias. Todas as pessoas que puderam ver a franciscana exibição dos vitorianos frente aos austríacos Salzburgo puderam identificar as imensas lacunas da formação vitoriana. Arrisco-me a dizer que equipa da cidade berço é uma equipa que não possui neste momento ponta que se lhe pegue.

  1. A construção – Péssima, identificada logo ao intervalo no post anterior. Os austríacos sabiam que pressionando alto e bem (em cima do adversário, sem marcações falhadas) conseguiriam conduzir o Vitória ao erro ou ao “confortável” e facilmente anulável chutão para a frente. Para além de ser uma equipa extraordinariamente fraca a sair a partir de trás (porque em primeiro lugar, nenhum dos centrais assume a saída de jogo; em segundo lugar não tem no onze mais utilizado uma referência de construção; a existir uma essa referência é Rafael Miranda; quando o brasileiro entrou a equipa teve mais critério na saída; Wakaso é um médio que batalha muito mas treme imenso com a bola nos pés; Célis transporta bem a bola e até demonstra alguma capacidade para decidir quando sente que tem de queimar linhas com bola para a equipa progredir, mas falha como a nota de mil no passe curto; em terceiro lugar, porque os seus laterais são altamente precipitados quando saem a jogar pelos corredores; em quarto lugar porque Hurtado ou até o avançado David Teixeira raramente baixam para apoiar a transição quando os dois médios que jogam nas suas costas apresentam mais dificuldade para lançar o ataque) é uma equipa que tem muitas dificuldades para colocar o primeiro passe quando recupera a posse de bola a meio-campo. Mesmo no meio-campo adversário, na 2ª fase de construção, não existe grande ligação entre sectores. Os médios não conseguem chamar Hurtado ao jogo, limitando-se a despejar bolas para as subidas dos laterais. A construção por norma morre quando a bola entre nas laterais. A partir daí a criação resume-se aos clássicos movimentos 1×2 entre os laterais e os extremos nos flancos ou a acções individuais dos últimos.
  2. Falta de Mobilidade – Grande parte dos problemas dos vitorianos nas duas fases de construção reside na completa falta de mobilidade dos seus jogadores. Por mobilidade não se entendem as constantes trocas posicionais que são realizadas pelo treinador mas sim a dinâmica sem bola que os jogadores realizam para participar no jogo. A inexistência de um ou mais jogadores que se possam desmarcar para vir receber jogo fora da sua “zona de conforto” leva a que a equipa inicie quase sempre a jogar com o arcaico charutão para a frente “à procura de qualquer coisa” que raramente surge contra equipas minimamente organizadas na marcação no seu sector defensivo. Tanto na 1ª fase de construção como no interior meio-campo adversário, os homens do sector ofensivo são estáticos. Os extremos raramente saem do seu posicionamento junto às linhas para vir receber o jogo no interior. O avançado David Teixeira raramente cede apoios frontais para poder colocar Hurtado de frente para o jogo ou tenta atacar a profundidade. Hurtado raramente vem atrás auxiliar os processos de construção. O jogo interior do Vitória é neste momento nulo.
  3. Um tridente ofensivo que nem pressiona a 1ª fase da construção adversária nem apoia os laterais – Deficiência por demais evidente na 1ª parte quando os vitorianos deixavam os centrais e o trinco adversário iniciar a construção à vontadex à entrada do meio-campo, permitindo portanto à equipa austríaca a projecção no terreno de 7 unidades. Os dois extremos não só não pressionaram a saída de bola como ainda demonstraram muitas dificuldades para recuperar rapidamente no momento da pressão. Contra uma equipa que conseguia rapidamente colocar a bola nas alas, fazendo subir os laterais para o efeito (com os médios ala colocados em terrenos interiores para facilitar o 1×2) a falta de pressão na 1ª fase de construção do adversária aliada a falhas na transição defensiva nos corredores expunha em demasia os laterais a situações de inferioridade numérica. Para dificultar ainda mais a tarefa, os dois avançados da formação austríaca (o noruguês Fredrik Gulbrandsen e o israelita Munas Dabbur) não são fixos na área, antes pelo contrário, são avançados que “não se dão à marcação” e que caem muito nas alas para facilitar combinações com os homens dos corredores. O erro dos austríacos residiu a meu ver aí: a mobilidade dos seus avançados fez posteriormente muita falta na área.
  4. O estado físico de alguns atletas que agora estão a começar a temporada – O exemplo flagrante foi o estado físico de Celis a partir dos 65 minutos. Cambaleante, o colombiano já nem pressionava, nem cobria (principalmente a linha de passe para o interior; para Berisha; linha que foi descurando a espaços) nem tão pouco lançava o ataque. Se o homem que teve o espaço livre nas suas costas para criar (o rapaz não fez uma má exibição mas a verdade é que para além da capacidade técnica que apresenta no levantamento das bolas paradas, não lhe vejo muito talento) se chamasse Daniel Podence (um exemplo entre muitos possíveis) ao invés de Valon Berisha, o Vitória jamais teria saboreado o empate. Para uma equipa que ainda só vai no seu 7º jogo oficial da temporada, ter jogadores a rebentar fisicamente aos 60 minutos é um dado preocupante.
  5. Dois laterais que “valha-me Deus” – Tanto Konan como Victor Garcia são jogadores muito limitados. Reconheço-lhes muito pulmão para fazerem boas cavalgadas pelo flanco sem descurar a recuperação defensiva nos momentos em que a equipa perde a bola mas nem a um nem a outro reconheço um bom quadro cognitivo. Tanto um como o outro tem na minha opinião um problema grave que os impedirá de ascender a outros patamares: raramente olham para o posicionamento do receptor para o qual querem colocar um passe.
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