À lei da bomba – 5 breves notas sobre a vitória do Sporting


1 – Os problemas criados pela boa organização defensiva do adversário – O Tondela de Pepa sabia muito bem o que vinha buscar a Alvalade e estava ciente do estilo de jogo que tinha que realizar para alcançar o resultado pretendido: o empate. A estratégia de jogo executada pelos tondelenses desde cedo revelou a carta de intenções para o jogo de Alvalade.

Com um bloco recuado no seu meio-campo em 4x4x2, sistema desdobrável no plano ofensivo para um 4x2x3x1 com Tomané solto na frente de ataque (a estratégia ofensiva delineada pecou em parte por falta de apoio ao avançado; por outro lado, sempre que recuperava a bola, a equipa não conseguiu ter algum critério na construção de jogadas), Pepa montou um bloco recuado e compacto com 3 linhas de pressão bastante activas e funcionais que visavam sobretudo contrariar a 1ª fase de construção do Sporting e anular o jogo interior entre as suas linhas.

Deixando os centrais de fora, a pressão de Pedro Nuno e Tomané activou-se sempre que William pegou no jogo. A equipa tondelense recusou portanto o convite que habitualmente é feito pelos centrais do Sporting quando saem a jogar a partir de trás. Tanto Coates como Mathieu tentaram em várias saídas chamar a equipa contraria à pressão, processo que visa abrir, a partir do adiantamento das linhas adversárias, espaço para Bruno Fernandes e William construir jogo com espaço e sem grande pressão adversária.

Com linhas muito próximas, pensadas para encurtar espaços e para ter sempre jogadores próximos para intervir (para pressionar e roubar para depois poder ter bola nos pés de forma a lançar o contra-ataque) em todas as zonas do terreno, muito bem orientadas e coordenadas pelos dois médios de cariz mais defensivo, sem saídas precipitadas de qualquer jogador para pressionar à toa (qualquer falha poderia libertar o espaço necessário para os leões praticarem outro tipo de futebol) a equipa tondelense esforçou-se para tentar limitar a construção de Bruno Fernandes (impedindo o médio de se virar de frente para o jogo) e para impedir que Alan Ruiz pudesse receber entre a linha média e a linha defensiva. 

2 – O Sporting teve naturalmente muitas dificuldades para jogar no interior do meio-campo adversário na primeira parte. Aos problemas criados pela disposição adversária no terreno e pela intensa pressão realizada sempre que a bola entrava no miolo, em especial nos momentos Bruno Fernandes pegava no jogo, juntou-se a lentidão de processos do Sporting na transição. Para desbloquear uma equipa tão fechada e tão pressionante, fruto da proximidade em relação ao adversário, pedia-se aos médios leoninos mais rapidez de pensamento e execução (preferencialmente ao primeiro toque) e mais mobilidade aos homens do sector ofensivo na abertura de linhas de passe no intuito de baralhar a marcação adversária, obrigar a equipa tondelense a dançar (consequentemente a abrir espaços) e ligar o jogo entre sectores.

Jorge Jesus tentou contrariar o sistema do adversário com as entradas dos extremos em zona interior, projectando os laterais no terreno. Com esta pequena correcção à estratégia de jogo inicial, o treinador do Sporting pretendia que os dois jogadores (Acuña e Iuri) pudessem apoiar a fase de construção e fazer a ligação do jogo entre sectores, beneficiando para tal da projecção dos laterais e da presença de Alan Ruiz nas costas da linha média. Foi precisamente num desses movimentos que Iuri (uma inflexão da direita para o centro) conquistou a falta que deu o primeiro golo.

3 – Alan Ruiz – Nulo. Nulo. Nulinho. Um exaspero. O estático e errático argentino não acrescenta nadinha a esta equipa do Sporting. Só um cego é que não vê que este jogador não tem estofo nem esforço para jogar nesta equipa. Para além dos problemas já identificados nos momentos de transição para o contra-ataque Ruiz não é um jogador móvel que procure a bola (nem mesmo quando vê a equipa com muitas dificuldades para progredir se esforça para vir atrás buscar jogo), é um jogador que tem imensas dificuldades para fazer uma recepção orientada que lhe permita virar-se de frente para o jogo, falha passes fáceis atrás de passes fáceis (na primeira parte, a 5 metros de Piccini, conseguiu enviar a bola para fora das 4 linhas) não consegue ter a clarividência necessária para cair nas alas quando os laterais ou os extremos mais precisam da sua presença no interior para tabelar ou até para ligar o jogo exterior com o jogo interior, e, quando recebe a bola à entrada da área, só tem olhos para a baliza.

4 – A solidez defensiva – A subida de linhas do Tondela do 2º tempo ameaçou, mas os tondelenses não passaram da ameaça porque nem sempre tiveram critério a sair. Dois centrais mandões que impediram a colocação de passes para as diagonais que eram realizadas quer pelos extremos Miguel Cardoso e Murillo (agressivos nas disputas, tanto no solo como no ar) e dois laterais bem posicionados, activos e interventivos não permitiram grandes veleidades aos forasteiros nas suas acções ofensivas.

5 – A saída de Ruiz e o avanço de Bruno no terreno – Com a entrada de Battaglia, o Sporting reconquistou novamente o meio-campo. Pode-se dizer que até William, algo macio até então, cresceu com a entrada do argentino. O médio conquistou mais bolas nas divididas e lançou com outra clarividência o ataque, beneficiando para tal do adiantamento de Bruno Fernandes. O avanço do 8 no terreno ofereceu mais velocidade à transição para o contragolpe e uma dinâmica diferente na relação entre o miolo e o flanco direito, principalmente a partir da entrada de Gelson na partida. Gelson esteve algo endiabrado (o extremo só queria fintar, fintar, fintar, fintar 2, 3, 4, os que lhe aparecessem pela frente) mas pouco objectivo nas suas acções. Um dos exemplos flagrantes deu-se naquela jogada em que depois de ter criado superioridade na transição com uma cavalgada, o extremo não levantou a cabeça para servir a entrada de Battaglia pela esquerda com um passe de ruptura.

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