Os golos da jornada (1ª parte)


A importância de uma boa saída na transição para o contra-ataque: o segredo da vitória do FC Porto em Vila do Conde. 

Começo este post com um par de notas sobre a vitória dos portistas em Vila do Conde.

A equipa de Sérgio Conceição teve na primeira parte algumas dificuldades para contrariar a bem montada estratégia de jogo por parte de Miguel Cardoso, estratégia que diga-se de passagem é a mais verdadeira matriz identitária desta equipa. À imagem e semelhança daquilo que fez contra o Benfica, nos primeiros 45 minutos, o treinador do Rio Ave (agente cujo “berço de treino” foi precisamente a formação do FC Porto) apostou nos habituais e bem trabalhados\apurados processos de construção da equipa (iniciados a partir de trás, dos pés do guarda-redes Cássio) para dominar a posse de bola, acima de qualquer outro aspecto, conseguir ultrapassar as duas primeiras linhas de pressão do 4x3x3 subido escalonado por Conceição para colocar os seus médios ofensivos, Tarantini e Barreto de frente para o jogo e com espaço para acelerar a construção ofensivo no meio-campo adversário, aproveitando o espaço existente entre a linha média e a linha defensiva da formação portista. 

Na 2ª parte tudo se modificou. Como o Rio Ave conseguiu criar alguns lances de frissom junto à baliza de Casillas durante os primeiros 45 minutos, Miguel Cardoso apostou numa subida de linhas onde se destacou a clara projecção dos laterais no terreno. A maior projecção da equipa no terreno (em especial dos dois laterais) acabou por estragar o equilíbrio defensivo da equipa da casa porque o Porto começou a explorar as suas subidas (principalmente as do lateral esquerdo Bruno Teles) nos momentos de recuperação dentro do seu meio-campo com o lançamento de rápidas (e bem trabalhadas) transições para o contra-ataque, em especial para a velocidade de Marega na direita (aproveitando a ausência criada pelo adiantamento do lateral brasileiro) ou em profundidade para as desmarcações de Aboubakar para as costas da linha defensiva vilacondense.

marega

herrera

Herrera recupera a bola e procura dar no apoio mais próximo, Danilo.

danilo

Pressionado por dois, Danilo vê a descida de Otávio para pegar na condução da transição. O lateral Bruno Teles é um dos tenta imediatamente reagir à perda do esférico.

otávio

Otávio conduz e vê as opções disponíveis. Marega à direita tem a ausência do lateral esquerdo Bruno Teles mas tem Marcão atento à possibilidade da bola ali entrar. O espaço existente entre Marcão e Marcelo permite a linha de passe para Aboubakar. Com um movimento inteligente, o avançado esconde-se de Marcelo, ganhando em simultâneo a frente ao lateral direito vilacondense.

Otávio coloca a bola a jeito do camaronês à entrada da área mas um péssimo primeiro toque na recepção (a mais grave lacuna técnica do jogador camaronês) não permite a Aboubakar dar a desejada sequência ao lance. Quando Aboubakar conseguir melhorar o seu primeiro toque, será na minha opinião, um jogador letal em todo o tipo de lances. Grande parte das bolas que o avançado recebe em situações nas quais fica isolado na cara do guarda-redes resultam de uma má abordagem no capítulo da recepção.

Mostra-me o teu caixote de lixo de estrelas

No seio da constelação de estrelas que compõe o elenco do “renovado” Paris Saint Germain, está um jogador cujo infinito potencial me leva a crer que será um dos grandes mágicos do futebol mundial dos próximos anos: Giovanni Lo Celso. Contratado ao Rosário Central no verão passado pela módica quantia de 10 milhões de euros (para frustração de todos os clubes portugueses; impera-se a colocação desta pequena grande questão: com tanto olheiro para o “mercado argentino”, como é que os grandes portugueses deixaram passar um talento deste calibre, ainda por cima tão acessível aos seus “bolsos”?) o enganche argentino (uma posição-função do futebol argentino que parece caminhar a alta velocidade para a extinção em função das exigências defensivas a que estão sujeitos todos os jogadores no futebol moderno) é um jogador de uma qualidade técnica abismal (recepção, passe, remate, drible) acompanhada por uma capacidade cognitiva fora do comum (a visão periférica só acessível aos grandes playmakers da história do futebol mundial) que lhe permite fazer a leitura perfeita de todo o cenário de jogo que se apresenta defronte. É essa capacidade cognitiva que lhe permite o controlo do tempo de jogo (acelerando ou pausando a sua acção conforme as necessidades que lhe vão ditando as acções e movimentações adversárias e as movimentações dos seus colegas) e uma extraordinária visão de jogo, visão de jogo que é acompanhada por uma certeira capacidade de passe à distância.

Frente ao Lyon, Lo Celso ajudou (com aquela prodigiosa rotação sobre o defesa para ganhar a linha de fundo) a desbloquear um jogo bastante difícil para os parisienses. O problema da formação de Unay Emery no jogo frente ao Olympique não residiu quer nos processos de construção (Rabiot esteve novamente impecável neste aspecto, procurando, sempre que tinha espaço para armar, a criação de situações de ruptura com o lançamento de bolas em profundidade para as desmarcações quer de Mbappé quer de Neymar) nem na capacidade de criação de Neymar ou Mbappé. Tanto o brasileiro como o avançado francês aplicaram em doses generosas, uma violenta tortura de mobilidade constante e fintas aos defesas da formação de Bruno Genesio, mas não foram felizes na finalização, muito por culpa de Anthony Lopes. O guardião da selecção nacional fez um punhado de vistosas defesas a vários remates de Neymar.

Cavani também não teve um jogo feliz. O uruguaio foi muito municiado na área quer pelos criativos quer pelos laterais Kurzawa e Daniel Alves ao longo do jogo mas não conseguiu dar a melhor direcção aos seus remates e cabeceamentos. Exemplo desse desacerto foi a grande penalidade que esbarrou na trave de Anthony Lopes nos minutos finais da partida.

Por outro lado, a equipa de Bruno Genesio foi sempre uma equipa muito ousada no plano ofensivo. Creio até que face às oportunidades que a equipa construiu no 2º tempo através de acções n (mandou uma bola aos ferros da baliza de Areola por intermédio de Nkoudou num poderoso remate de meia distância; teve duas oportunidades claras de golo na área parisiense na sequência de dois cantos; Nabil Fekir foi um verdadeiro quebra para cabeças para a defensiva parisiense em três acções individuais) a formação de Lyon merecia ter saído com pontos do Parque dos Príncipes.

Wanda Metropolitano é Griezmann. Griezmann é Atleti (pelo menos até à próxima janela de transferências, período no qual se extingue a proibição de inscrever atletas decretada pela FIFA ao clube madrileno), mas o Atleti de Simeone também é muito de verticalidade total dos processos de jogo ofensivos, pautado 3 passadores de sonho (Gabi, Saul e Koke; este último mais pelo interior enquanto o “móvel” Correa vai caindo nas alas) por muita exploração do espaço para criar entre as linhas adversárias, de laterais muito projectados no terreno e de um raçudo criativo nas alas que dá que falar: Angel Correa.

No lance do primeiro golo dos colchoneros, Juanfran procura em profundidade o avançado argentino, bastando a Correa fazer naquela situação concreta o que lhe imperava: o 1×1 (acção sistemática que é procurada pelo argentino quando cai nas alas) contra o adversário e o serviço para a qualidade de movimentos e eficácia na finalização de Griezmann.

Este post terá continuidade nas próximas horas. 

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