Empate merecido num jogo de teste em que Jorge Jesus ganhou algumas opções


ristovski

De todas as alternativas ao plano principal que Jorge Jesus fez subir ao tapete de Alvalade os únicos que me convenceram verdadeiramente foram Ristovski, Petrovic e André Pinto. Jonathan fez um jogo interessante, sem muitas falhas. Já Iuri e Matheus Oliveira destacaram-se pela negativa. Ao brasileiro, Jorge Jesus passou até um atestado de incompetência para a sua posição quando o passou para o flanco esquerdo a meio da primeira parte, colocando Bruno César no miolo. O macedónio provou mesmo que está disponível para lutar pela titularidade com Piccini ao longo da temporada. Veloz na condução (imprimindo velocidade ao jogo sempre que é chamado a participar) e nos momentos de recuperação defensiva, o combativo macedónio é dono de um óptimo posicionamento (foram várias as bolas que interceptou ao longo do jogo), é bastante raçudo na abordagem às acções 1×1 do adversário e nas divididas, projecta-se bem no terreno (dando profundidade ao jogo) e arrisca o 1×1 sempre que pode. 

O jogo de estreia na Taça da Liga serviu para Jorge Jesus rodar jogadores. Sem pressão (creio que Jesus terá dado de barato o resultado ao adversário em detrimento do crescimento do colectivo; do conjunto de soluções de banco que podem dar uma resposta imediata em caso de impedimento de qualquer um dos titulares) o treinador do Sporting aproveitou a ocasião para dar minutos aos jogadores menos utilizados com o intuito expresso de perceber se estes tem entrega suficiente para merecer a sua confiança num futuro próximo e se conseguem entrar nas dinâmicas exigidas pelo seu modelo de jogo. Se alguns jogadores responderam afirmativamente à chamada, aproveitando a oportunidade para dar novas opções ao seu treinador, outros não. Matheus é, como já pude referir no início do post, uma carta cada vez mais fora do baralho. O brasileiro não tem nada de Sporting: não tem intensidade, não é rápido a pensar e a executar, não é eficaz no passe, não pressiona. Nada. Depois do que vi da exibição do jogador, se fosse presidente do Sporting, mandava a factura dos ordenados e das comissões de transferência do jogador para o Bebeto pagar ou então pedia-lhe encarecidamente, em troca de uma compensação financeira, a sua presença em Alcochete para ensinar o filho a jogar e para ensinar ao Doumbia os movimentos que um avançado deve fazer na área para facilitar a vida de quem está nas linhas a cruzar.

Sem ter realizado tantas mexidas quantas realizou Jorge Jesus no seu 11, Daniel Ramos veio a Alvalade mostrar a razão pela qual é considerado um dos mais competentes treinadores do futebol português por muita gente. Este Marítimo não é, frente aos grandes, aquilo que costuma ser “contra as equipas do seu campeonato” ou seja, uma equipa de propensão mais ofensiva do que defensiva mas é uma equipa muito organizada defensivamente, com uma óptima transição para a defesa no momento da perda (conseguindo formar com uma excelente cobertura posicional em todos os sectores do terreno), aguerrida q.b (gostei do espírito combativo e da abnegação dos dois laterais Cristiano e Bebeto) inflexível (os dois médios de cariz mais defensivo, Gamboa e Filipe Oliveira barraram a entrada do Sporting no jogo interior, obrigando Alan Ruiz a ter que se mover mais para as alas ou a acelerar o jogo através do passe para os corredores) e capaz de criar muitas dificuldades a quem ataca.

Jorge Jesus voltou no início da primeira parte ao esquema táctico que tentou trabalhar (sem grande sucesso na pré-temporada), com a inclusão de Petrovic junto aos centrais no início da construção. Assim que Petrovic baixava no terreno para iniciar a construção, os dois centrais procuravam abrir para ligar o jogo com os corredores, faixas onde os dois laterais tratavam de projectar-se no terreno, jogando portanto próximos dos extremos.

Por outro lado, próximo de Petrovic, Jesus pediu a Matheus para conseguir ligar o jogo entre os 3 de trás e Alan Ruiz (nos primeiros minutos, o argentino apareceu mais recuado, bem próximo do médio brasileiro) ou o jogo que vinha dos corredores a Alan Ruiz, adoptando o argentino nesses casos um posicionamento mais avançado no terreno junto às ancoras defensivas de Daniel Ramos. Como o brasileiro engonhava com passes para o lado ou para trás, Jesus decidiu tirar o seu utilitário Bruno César da esquerda (onde estava a realizar uma excelente sincronia com Jonathan; trocando até de posicionamento em certas jogadas, nas quais, o brasileiro, no exterior, servia as entradas do argentino pelo interior) para o miolo por troca com o seu compatriota.

Com estes dois processos de circulação, Jorge Jesus pretendia que a equipa madeirense pudesse dançar ao som do bailinho do seu rancho folclórico suplente.

No meu entendimento, Alan Ruiz não fez uma má exibição mas também não fez uma boa exibição. Digamos que fez uma exibição melhor que as miseráveis com que nos tem vindo a habituar desde que chegou a Lisboa, sem contudo ter feito uma boa exibição. O argentino moveu-se mais do que é habitual (apesar de serem conhecidos os seus problemas de mobilidade, a dificuldade que possui em rodar quando recebe o esférico para ficar de frente para o jogo e a sua lentidão na execução, lacuna que é por demais evidente nas acções de transição para o contra-ataque) e conseguiu meter, a espaços, um punhado de vistosas bolas em profundidade que colocaram os homens dos corredores no último terço mas, por outro lado, voltou, em algumas transições, a ser o verdadeiro langão que costuma ser nestas acções.

Por outro lado, sempre que a equipa teve mais dificuldades para progredir no terreno, Doumbia teve o discernimento de vir buscar jogo ao meio-campo, arrastando consigo os centrais ou o médio Filipe Oliveira. Correcto a receber de costas e a procurar suplantar a pressão adversária com rápidas rotações seguidas de arrancadas em velocidade (quase sempre travadas em falta pelos madeirenses) compensou a sua horrível prestação no interior da área. O costa-marfinense não é um avançado de área nem é o que eu chamo um avançado de um toque (como o é efectivamente Bas Dost; um rato de área que com uma movimentação de antecipação ao primeiro, ao centro ou ao segundo poste dá ao colega que está a cruzar o sinal do espaço para o qual deve aparecer a redondinha) mas tem indisfarçáveis lacunas na hora de se movimentar no interior da área. Preso junto aos centrais, quem centra para Doumbia não sabe na maior parte das vezes para onde centrar porque o africano não dá os tais sinais que referi. Jonathan teve ao longo do jogo mais de 10 oportunidades para cruzar: só numa (que até foi uma espécie de remate) conseguiu encontrar os pés do avançado costa-marfinense. Como não sabe para onde centrar e o tempo para efectuar um cruzamento é normalmente limitado pela intervenção de um opositor, saem uns belos chouriços para as mãos do guarda-redes ou para o 2º poste.

Do guarda-redes e dos centrais. A descontracção foi tanta que Salin quase que oferecia o primeiro ao Marítimo na primeira vez que tocou no esférico com os seus pés. Já Tobias e André Pinto estiveram agressivos nos duelos aéreos, fortes e mandões nas divididas. O central do Braga é um jogador minimalista: quando sabe que pode ser ultrapassado pelo adversário revela pormenores de inteligência. Sem nunca ceifar para amarelo, o central agarra, puxa, apoia-se, matando logo ali a transição do adversário com uma falta curriqueira. Enquanto o antigo jogador do Sporting de Braga sente-se confortável a sair a jogar, o primo da minha namorada (aquele verdadeiro zé nabo) é daqueles centrais que “faz chorar a bola” quando lhe chega aos pés. Esta é a pior lacuna das muitas que tem o seu jogo.

De Petrovic. Seguro a sair a jogar, avançando no terreno assim que a equipa progredia, o sérvio foi fulcral para matar a transição adversária. Logo que a bola entrava em Gamboa ou em Eber Bessa, lá aparecia o sérvio por trás a desancar com virilidade no portador para matar a transição adversária. Essa virilidade valeu-lhe um cartão amarelo bem mostrado e uma descasca de Manuel das Vacas , perdão Manuel Mota quando 3 ou 4 minutos depois de ter sido admoestado disciplinarmente, foi lá dar mais uma frutinha ao pobre Gamboa.

O trio defensivo revelou-se muito forte nos lances aéreos num jogo que Jorge Jesus aproveitou (com alguma estranheza face ao poderio aéreo dos 3 jogadores) para tentar operacionalizar umas trapalhadas a dois toques que não ofereceram quaisquer ganhos à equipa. De um cabeceamento do sérvio à barra surgiu o único lance de perigo da partida. André Pinto perdeu poucas divididas para o avançado sueco do Marítimo. Não se compreende portanto a razão que levou Jorge Jesus a preterir o lançamento de bolas para a área em detrimento de um conjunto de lances “estudados” executados de forma atabalhoada.

Sociedade argentina Acuña e Silva. Com o apoio expresso do Rei Rodrigo através do passe na transição.

Do 2º tempo apenas destaco como positiva a reacção da comandita argentina. Acuña foi o único jogador capaz de empolgar a partida com as suas arrancadas, com a sua raça, com a sua vontade de querer transformar a partida. Eu gosto imenso deste argentino. Ele tem aquela mania estranha de receber de costas para o defesa e de tentar passar pelo meio de dois quando recebe, processo que corta velocidade às acções e que dá tempo às equipas adversárias de se recompor, de se posicionar e até de descansar uns segundinhos, e também reconheço por outro lado, que o jogador ainda se está habituar ao pace do nosso futebol, às marcações à risca que são feitas pelos nossos laterais e não nos podemos esquecer que Acuña já vem com 21 jogos (se incluirmos os 4 realizados pela selecção de Março a Junho) nas pernas da argentina, desde Março. Como tem jogado ininterruptamente desde então, mais que uma vez por semana, é natural que comece a sentir alguma fadiga.

Quando Rodrigo Battaglia entrou na partida, viu-se um Sporting muito mais fluído no momento da transição. Quando saiu, aos 73″, Alan já só estava a dar corpo presente ao jogo. O argentino entrou e dinamizou o lançamento do ataque com a sua simplicidade, carregando os seus amigos albicelestes de jogo na esquerda. É certo que o recuo de linhas promovido por Daniel Ramos nos minutos finais (à falta de pernas) facilitou a transição leonina, mas o argentino é cada vez mais um jogador esclarecido e influente em todo o jogo leonino.

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2 thoughts on “Empate merecido num jogo de teste em que Jorge Jesus ganhou algumas opções”

  1. Sobre o jogo e vendo coisa pela perspectiva do copo meio-cheio:
    POSITIVO:
    – Oportunidade de dar ritmo e minutos ao plantel
    – Poupar titulares a amarelos e vermelhos encomendados no missal
    – Foi o melhor jogo do Alan Ruiz este ano, fez uma 1ª parte interessante com alguns passes em profundidade bem medidos. Foi também o melhor jogo do ano também para o J. Silva.
    – Alguns bons passes de ruptura do Petrovic e bom posicionamento. Tem que ter mais cuidado com as entradas e as faltas. Ontem estava a ver que o diácono Mota o expulsava
    – O Bruno César garante sempre entrega e os mínimos para qualquer das posições onde o põem a jogar.
    – Doumbia foi perdulário, mas deu-se ao jogo. Faltam-lhe minutos e perceber o nosso estilo de jogo, sobretudo dentro da área. Concordo com a sua opinião. Os municiadores não sabem onde lhe colocar a bola dentro da área. Vide ex. do Seferovic, os colegas sabem que ele aparece ao 1 poste na pequena área…
    – Belíssima 1ª impressão do Ristovski. Profundidade, atitude, percepção do jogo e sentido de entreajuda.
    – Jogo competente da equipa a defender (não me lembro de oportunidade de golo do Maritimo)
    NEGATIVO:
    – Autocarro do adversário
    – Dureza do jogo com beneplácito do Diácono
    – Chico-espertice do capitão do Marítimo, já foi assim com o Tondela. Sempre perto do árbitro, a queixar-se, a pressionar a induzir os amarelos aos nossos.
    – Os nossos capitães a serem tenrinhos, sem se queixar, sem pressionar. Ontem com um bocado de pressão o E. Bessa tinha sido expulso (na 1ª parte tem uma entrada sem bola que merecia o amarelo, mas como o árbitro deu a lei da vantagem passou nas pingas da chuva. Não pode acontecer!! Já tinha sido assim com o Tondela. Houve um jogador, H. Tavares que fez mais de 3 faltas para amarelo e no final do jogo tinha 8 faltas feitas!!! Amarelos. ZERO!!!
    – Nervoso miudinho do Iuri, adicionado ao facto do Maritimo ter posto um defesa direito na esquerda (decisão inteligente do D. Ramos), pois foi sempre mais fácil controlar o Iuri sempre que ele puxava a bola para dentro ( e 90% das vezes ele faz isso) e do Matheus Oliveira (algumas boas recepções) que jogou sempre a um ritmo mais baixo que os colegas. Precisam de jogo (como o JJ tem feito com o Alan Ruiz) para ganharem velocidade e intensidade.
    – Bolas paradas pouco diversificadas.
    – Resultado. Fizemos o suficiente para ganhar, fomos pouco eficazes. Rematámos pouco de fora da área, fundamental em jogos destes para termos mais espaço na área adversária.
    – A arbitragem manhosa, ainda assim o Petrovic e o Doumbia arriscaram-se a vir para o banho mais cedo…

    No computo geral, esta taça da carica diz-me pouco, jogámos o suficiente para ganhar. Demos minutos ao plantel e ninguém se magoou ou foi expulso… e acho que este resumo é revelador das minhas expectativas para esta competição.

    Saudações Leoninas

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