Os golos do dia


Cada vez mais importante na mecânica do Barcelona de Ernesto Valverde é Nelson Semedo. O “novo-velho” Barça, equipa que de novo no seu modelo de jogo pouco tem (à excepção da forma em como defende, em 4x4x2, das movimentações sem bola, e da reactivação do flanco direito, ultrapassado que parece estar o “barrete” da adaptação de Sergi Roberto à posição; nos últimos 5 anos, creio que a única invenção, quer ao nível táctico, quer ao nível das movimentações e dos processos de jogo ofensivos e defensivos, só ocorreu quando Luis Enrique mudou o sistema para 3x4x3; a organização defensiva dos seus mais recentes adversários, em blocos ultra recuados até à entrada da área é um bocado “mais do mesmo” daquilo que temos assistido da equipa nos últimos anos, ou seja, uma equipa que passa uma vida inteira a circular a bola com paciência no meio-campo adversário, à procura da solução ideal para entrar no bloco do adversário usando para o efeito uma multimodal panóplia de processos, nos quais a ideia passa sempre por libertar Messi; tornando Messi tão preponderante como sempre foi desde que começou a calçar as suas brilhantes Total 90; há que contrariar todos aqueles que afirmam categoricamente “que Messi está mais decisivo do que aquilo que era”, em todos os capítulos do jogo; basta ver a quantidade de vezes em que o argentino desce no meio-campo para pegar no jogo e organizá-lo; não está, exactamente tão decisivo quanto antes; a única coisa que verdadeiramente mudou neste aspecto foi a dependência da equipa em relação a Messi; prova disso mesmo são os 9 golos em 5 jogos) pode agora contar finalmente (até Iniesta cresce no jogo com a entrada de um bom lateral direito) com uma ala direita funcional com um lateral capaz de ligar o jogo (do exterior para o interior), atrevido quando tem a bola nos pés (Valverde gosta de dar liberdade a todos os jogadores para expressarem toda a sua criatividade) e capaz de identificar espaços e soluções (à imagem do que aconteceu neste lance, tabelando com Iniesta para entrar no espaço concedido pelo adversário) que granjeiem conquistas à equipa.

Já agora, o gesto técnico de Messi na cobrança do penalty é fenomenal!

Recupera (não deixa o adversário sair), liga com o miolo e abre logo linha de passe na direita para auxiliar a decisão do colega.

A inteligência de Paulinho nos lances de bola parada

Virtude inegável do médio brasileiro: o seu ataque às bolas paradas. Sempre de surpresa e sempre eficaz no cruzamento. Ou marca ou obriga o guardião adversário a uma grande defesa. Se foi uma boa contratação para o Barça? Os primeiros jogos do brasileiro em Barcelona assim o tem comprovado. Tomando em consideração o facto de ser uma equipa que procura pressionar alto na saída do adversário e\ou pressionar alto assim que o adversário recupera a bola nos seus terrenos mais recuados, o jogador é um daqueles que costumo tipificar como “um mata transições” – é o primeiro a cair sobre o portador, recupera imensas bolas (quando não recupera faz aquela falta inteligente que impossibilita o adversário de sair para o contra-ataque) e lança imediatamente e com bastante eficácia o contragolpe, municiando com limpidez os médios que jogam à sua frente, aspecto importantíssimo para quem quer realizar um contra pressing eficaz, ou seja, capaz de apanhar a exposição adversária “pelo adiantamento de unidades” no momento da perda. Creio que ao longo das próximas temporadas, o internacional pela canarinha será uma fiável alternativa a Sérgio Busquets.

Contra o Getafe somou aquele golo de pura clarividência ao procurar entrar no espaço vazio aberto pela defensiva de Bordalás (com uma especial colaboração de Suárez com uma movimentação que prendeu um central) para auxiliar a decisão de Messi, pressionado naquele momento por 2 adversários.

E não só – aproveitando o péssimo controlo à profundidade dos 3 centrais do Eibar…

Então, o teu meio-campo não pressiona de forma a permitir a subida da linha defensiva no momento do passe, Jose Luis Mendilibar?

O trick do brasileiro foi de mestre. E de pura visão de jogo, aquela característica que só atribuem estranhamente aqueles que lêem bem o jogo antes de tomar uma decisão no passe. O brasileiro sabia que o argentino estava nas suas costas e viu muito bem as deficiências da defesa (não subiu; porque ninguém pressionou para limitar a acção de Mascherano) adversária antes de deixar seguir o esférico para Messi.

Numa segunda fase, sem se desinteressar do lance, voltou a apoiar o argentino para lhe auxiliar a tomada de decisão.

Messi

Aqui está Paulinho a oferecer uma “decisão” acertada a Messi. Se o argentino não fosse tão individualista, bem que poderia ter oferecido o golo ao brasileiro pelo maravilhoso túnel que facilitou a construção da jogada.

Esta não foi a única acção em que o brasileiro apoiou o argentino:

Libertar Messi – cá está o que escrevi há bem pouco

Repito o que escrevi ali em cima:

“organização defensiva dos seus mais recentes adversários, em blocos ultra recuados até à entrada da área é um bocado “mais do mesmo” daquilo que temos assistido da equipa nos últimos anos, ou seja, uma equipa que passa uma vida inteira a circular a bola com paciência no meio-campo adversário, à procura da solução ideal para entrar no bloco do adversário usando para o efeito uma multimodal panóplia de processos, nos quais a ideia passa sempre por libertar Messi; tornando Messi tão preponderante como sempre foi desde que começou a calçar as suas brilhantes Total 90;”

Esta jogada tão característica da formação do Barcelona insere-se na série (holandesa) da teoria do “terceiro homem” – o que é que eu quero dizer com isto da teoria do “terceiro homem”? É impossível defender o terceiro homem. Imaginem um jogador, que tem uma marcação cerrada de outro no momento em que um outro lhe quer passar a bola. Imaginem um 2º jogador que entra num espaço próximo para receber. O 3º mantém-se sempre alerta, em movimento e por perto, arrastando o seu marcador consigo. O primeiro jogador mete no segundo e o segundo devolve-lhe . Eis que aparece o terceiro no espaço anteriormente idealizado já sem marcação (porque o adversário entretanto saltou para pressionar o segundo) para receber do primeiro.

Destrocando por miúdos este exemplo prático.

barcelona

Messi recebe no meio de 3 homens, com 2 à ilharga (prática habitual de todos os adversários que o Barça defronta; espero que Jorge Jesus não caia neste erro na próxima quarta-feira). A recepção não é a melhor. Se fosse, o argentino teria decerto rodopiado para a esquerda.

O argentino salva o lance, passando de volta para Iniesta.

barcelona 2

Iniesta tem um segundo homem disponível, sem qualquer jogador à ilharga mas com um nas costas pronto talvez a cometer uma falta. Entretanto e como se pode ver, assim que a bola entra no segundo homem, desfaz-se a marcação a Messi. Os adversários saltam na pressão para o 2º homem, Sérgio Busquets. Messi tem condições portanto para voltar a receber já sem marcação e com um ligeiro espaço para atacar e puxar da sua bela canhota.

messi 5

Giroud Tsubasa!

Não foi um dos golos do dia, mas podia ter sido se tivesse entrado. Ainda bem que Wenger voltou a resgatar Jack Wilshere da penumbra. Segundo a imprensa inglesa, o médio também anda mais bem comportadinho desde que Wenger o colocou a treina com a equipa de reservas reservas. O jogo do Arsenal só tem a ganhar com a entrada do médio nas contas do treinador gaulês. A equipa não consegue colocar o seu plano de jogo ofensivo sem um bom passador, capaz de ler bem o jogo – quando Granit Xhaka não está no terreno de jogo, o futebol ofensivo da formação de Wenger perde o seu norte. Wilshere pode vir a constituir-se como boa opção para os jogos em que o suíço esteja ausente ou haja necessidade de o vir a poupar.

A diferença que Alexis faz quando vem buscar jogo ao interior

Começa a ser um processo recorrente da formação de Wenger, à guisa da qualidade do passe longo do chileno. Será tão ou mais melhor se também começar a aparecer Bellerin na área. O ala espanhol é um tratado (de deficiências) que deixarei para outro capítulo.

Isto é o que chama literalmente “dar o corpo ao manifesto”

Os pobres atletas do Doncaster Rovers, formação que actualmente milita na League One (3º escalão) tentaram esticar o seu sonho até onde puderam. Se por um lado, a magra vantagem alcançada pelos gunners (1-0) deveu-se à gula que alguns jogadores (Nelson, El Neny) sentiram na hora de definir bem a construção de jogadas…

el neny

Como definir mal e porcamente uma jogada bem construída onde existe superioridade numérica… El Neny está com ângulo apertado e um defensor à sua frente. Para além de existir superioridade numérica existe um enorme afastamento entre os defesas do Doncaster e os jogadores do Arsenal. Acresce que na esquerda está um homem totalmente solto (Alexis).

Existem duas definições possíveis para este lance: 

  1. O egípcio toca para o lado para o colega. Está com espaço aberto para rematar e o ângulo é mais favorável. A bola até pode rodar de pé para pé até encontrar Alexis.
  2. Cruza para o 2º poste onde iria decerto aparecer Alexis para finalizar.

… por outro lado, existiram situações nas quais os jogadores tiveram que dar mesmo o corpo ao manifesto.

Como defender mal? O Málaga de Michel explica…

malaga.PNG

  1. Irracional ocupação dos espaços. 5 jogadores de volta de um, o portador, sem nenhum estar suficientemente próximo para pressionar e roubar. Onde está o lateral direito?

malaga 2

  1. Ninguém acompanhou a subida do lateral esquerdo Toni Lato.
  2. A defesa não está em linha. Está um homem demasiadamente recuado.
  3. O lance não dá em golo porque Dani Parejo é precipitado a procurar a desmarcação para as costas da defesa, não respeitando os timings de recepção e cruzamento do seu lateral.

Enorme distanciamento entre linhas, acompanhado de pouquíssima intensidade na pressão que permite aos valencianos construir calmamente entre as linhas adversárias. Entre a linha média e a linha defensiva.

Quando Guedes procura o interior com um corte para dentro, o seu adversário directo fica completamente a dormir, dando-lhe imenso tempo e espaço para receber e preparar o remate.

Na jogada do 2º golo dos valencianos encontro uma série de maus procedimentos defensivos.

valencia 1

  1. Mais uma vez há uma irracional ocupação do espaço e espaço para o Valência criar uma jogada entre as linhas adversárias com a presença de 2 jogadores soltos nas costas do meio-campo. Assim que batida, esta linha de pressão expõe imenso o seu quarteto defensivo porque um dos defesas terá que sair na pressão. Contudo, estas situações pedem aos médios rapidez a recuperar no terreno. 
  2. Simone Zaza, à esquerda, é deixado ao deus-dará por um dos centrais. O outro tem um jogador nas suas costas. Se o jogador mais à direita (Santi Mina) tivesse avançado com uma diagonal pelas costas do defensor, poderia ter dado azo a uma situação de ruptura.

valencia

  1. Como ninguém cedeu uma linha de passe ao português com uma desmarcação, Guedes cavalgou pelo meio-campo dos homens da casa sem ser incomodado por ninguém. A transição defensiva dos médios malaguenhos foi horrível.
  2. Zaza continua sozinho, nas costas de um defensor. 

valencia 3

Guedes liberta a bola para Soler, vindo de trás. Quando o jogador cruza:

  1. Santi Mina ganhou a frente ao adversário.
  2.  Zaza continua escondido nas costas do lateral

Uma incrível falta de tudo para uma equipa profissional que compete numa das ligas mais exigentes do futebol mundial. E Zaza mais uma vez a passar que nem uma mota por toda a gente para entrar nas costas da defesa sem que a defesa suba o suficiente na hora do cruzamento ou sem que alguém acompanhe o seu movimento. Michel deve ter ficado completamente envergonhado quando fez a revisão do jogo.

Uma horrível transição defensiva, com a equipa totalmente balanceada no ataque. Reparem no comportamento do número 6 Zdravko Kuzmanovic. O sérvio estava claramente com aspecto de quem estava a precisar de um par de canadianas.

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