Benoit Cosnefroy é o novo campeão mundial de estrada no escalão de sub-23


A vitória é de quem arrisca. A selecção francesa de sub-23 arriscou mais que as outras selecções na última volta ao circuito de Bergen e lucrou com a sua pujante e ofensiva atitude.

Numa corrida de 191 km muito esticada, disputada a um ritmo alucinante, e muito atacada a partir da 5ª as 11 voltas planeadas pela organização ao circuito fechado que receberá no próximo domingo a prova de estrada de elites, a Itália de Vincenzo Albanese (Bardiani) levantou a onda de vento que se viria a seguir quando lançou Eduardo Affini ao ataque no início da última volta. Da investida do ciclista italiano formar-se-ia um quinteto na frente. Com dois ciclistas presentes nesse quinteto, a selecção francesa lançou Benjamin Thomas (o actual campeão do mundo de Madison e Omnium, disciplinas do ciclismo de pista) e Damien Touze. Tanto Thomas como Touze viriam a fracassar nas suas tentativas de ataque.

Na sequência dos ataques realizados pelos ciclistas gauleses, a selecção alemã também tentou procurar a sua sorte através do ciclista da Sunweb Lennard Kamna, corredor que na segunda-feira já havia juntado ao ouro conquistado na prova de contra-relógio por equipas a medalha de prata na prova de contra-relógio do escalão de sub-23. Kamna bem tentou, no último obstáculo do dia (os 1400 metros de ascensão a 7% de pendente média do Monte Salmão) realizar o mortífero ataque que lhe permitisse terminar a sua participação nestes mundiais com chave de ouro. Enquanto Kamna rodava na frente, na dianteira do pelotão, o seu antigo colega na Sunweb Max Kanter estava muito bem posicionado e preparado para qualquer eventualidade.

A saída de cena dos noruegueses (a formação da casa tentou controlar a corrida através da colocação de toda a equipa na frente do pelotão), motivada sobretudo pela “desistência” por cansaço, na última volta, do seu principal favorito, o campeão do mundo em título do escalão, Kristoffer Halvorsen, permitiu o ritmo ideal para a investida do corredor que viria a conquistar a prova.

Quando o ciclista da Chambery (equipa de desenvolvimento da AG2R, equipa da qual o ciclista de 21 anos nascido em Cherbourg já fez parte na temporada passada enquanto estagiário) chegou ao alemão, Kamna tinha 15 segundos de vantagem sobre o pelotão, pelotão do qual, a 3,5 km, um dos principais favoritos, Ivan Garcia Cortina (Bahrain-Mérida\Selecção Espanhola) tentou, em desespero de causa, sair para alcançar o duo da frente.

Com uma excelente entreajuda até ao final, a 500 metros da meta, o amigável aperto de mãos selado entre os dois ciclistas confirmava a vitória da escapada. No sprint final, Kamna, esgotado, não conseguiu responder ao veloz lançamento promovido pelo adversário.

A medalha de bronze acabou por escorregar para a formação dinamarquesa. Com um fabuloso sprint lançado sobre Oliver Wood (a calculista estratégia de corrida da selecção britânica foi altamente penalizada na recta da meta), Vincenzo Albanese, Damien Touze, e Max Kanter, Michael Carbel Svendgaard, corredor que actualmente representa a Team Virtu (Divisão Continental da UCI) acabou por levar o bronze para casa.

P.S: Fiquei com muito boa impressão do circuito final. A prova de sub-23 foi um bom aperitivo para as provas de amanhã e domingo. O circuito de Bergen é muito interessante. As duas colinas presentes no traçado permitem o lançamento de vigorosos ataques que podem fazer mossa. Vamos ter com toda a certeza um final disputado em grupo restrito. O circuito permite aos corredores atingir em vários pontos velocidades de 70 a 80 km\h. Se o piso estiver molhado, as viragens podem-se tornar muito perigosas. As passagens pelos sectores de paralelo também pode trazer alguns dissabores porque ao contrário do que acontece em outras provas, os ciclistas não terão qualquer faixa de asfalto para contornar o paralelo. Qualquer ciclista que venha a ter um problema mecânico na passagem pelo sector de paralelo nas últimas duas voltas dificilmente conseguirá reentrar no pelotão\grupo restrito porque a corrida é muito rápida. As passagens pela doca de Bergen poderão ocorrer sob situações de ventos fortes laterais (vindos da direita). 

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