Os golos da jornada


Início a rodada de uploads com o golo somado pelo Alavés contra o Real Madrid para vos mostrar a simplicidade de processos da turma da casa na construção desta jogada e a atípica hesitação (patetice) de Raphael Varane no ataque a um lance aéreo.

O médio Burgui não só conseguiu na sua acção sair muito bem da pressão realizada por dois adversários, com a bola bem coladinha, em drible curtinho, ao pé direito (noutras ocasiões, pude reparar que o médio do Alavés é um jogador que não só consegue sair bem das situações de pressão como é um médio com uma técnica individual que lhe permite criar desequilíbrios em espaços muito reduzidos porque é um jogador que cola muito bem a bola ao pé e consegue mudar com rapidez a direcção do drible, dificultando a tarefa de quem o defende) como conseguiu rodar muito bem para se virar de frente para o jogo e para a oportunidade de progressão que lhe é aberta por Mounir El Haddadi na desmarcação para as costas de Sérgio Ramos. Com tempo e espaço para cruzar, o avançado colocou uma bola perfeita para a entrada em zona de finalização de Manu Garcia perante uma atitude atípica de Varane no ataque ao esférico. 

real madrid

No momento do cruzamento, Mounir só tem duas opções possíveis: uma já no interior da área (Carvajal está próximo; a proximidade facilita-lhe o ataque à bola se a opção de cruzamento recair sobre o jogador que está a acompanhar) e outra a chegar à área.

Varane está como se pode ver longe de Manu Garcia. O central francês não faz qualquer movimento de aproximação ao adversário ou ao espaço para o qual previsivelmente este pode vir a atacar o cruzamento.

real madrid 2

Varane hesita. O francês acredita que o cruzamento vai para o homem que está a ser marcado por Carvajal. Como podemos ver na imagem, o francês fica ali um bocado expectante em vez de recuperar o tempo perdido para se aproximar do “seu adversário directo” nesta situação em causa. Manu Garcia aproveita a sua hesitação para atacar aquela bola.

varane

Estranho ou não, já batido pelo jogador do Alavés, o central faz um daqueles tiques clássicos de um central batido, alçando a perna como que se estivesse à espera do erro do adversário para fazer o corte. Acho que a sua atitude foi fruto de algum desnorte (embora no momento do cruzamento o jogador tenha olhado para a frente para perceber quem é que poderia entrar em zona de finalização)…

varane 2

Varane deveria ter feito um movimento de antecipação para o espaço onde Garcia veio a atacar a bola. 

…e de um enorme erro de percepção quer do espaço para onde ia cair o esférico quer até das hipóteses de Manu Garcia vir a conseguir atacar aquela bola. O francês deverá ter pensado que o jogador do Alaves jamais conseguiria chegar ao esférico.

O rapaz anda esfomeadinho mas anda a ter pouca sorte nos últimos jogos

Eu nem sou de o gabar, nem tão pouco de entrar nessa “medição de pilinhas” entre Cristiano e Messi. Eu até um dos poucos que acha e defende publicamente o facto deste Real ter uma qualidade de jogo bastante superior quando Ronaldo não está em campo. Quando o português está em campo, a equipa tende a descomplicar e a programatizar mais os processos ofensivos em função da sua presença na área. Contudo, Ronaldo está a ter uma má relação com a bola desde que regressou do castigo de 5 jogos aplicado pela Federação Espanhola na sequência daquela atitude antidesportiva no jogo da 2ª mão da Supertaça Espanhola.

21 foi o número de remates de CR7 realizou no computo geral dos jogos contra o Bétis e o Alavés. Frente à formação de Alavés, o português mandou 2 bolas ao poste. A 2ª resulta desta autêntica rabeta (à Ronaldo) sobre o central Guillermo Maripan.

Isto não é o comportamento defensivo que Simeone deseja.

Se no último post desta série, na sexta-feira, aproveitei para gabar uma acção defensiva de Nico Gaitan frente ao Athletic de Bilbao, acção que foi aproximada ao que o treinador argentino pretende para as fases de transição\organização defensiva, aproveito esta jogada para explicar a organização defensiva que é pretendida pelo treinador do Atlético, contrapondo os erros que foram cometidos pela equipa neste lance.

Desde que Simeone assumiu o comando técnico dos colchoneros, a transição defensiva da equipa oscilou entre dois sistemas de transição\organização\pressão

  1. o adiantamento das suas linhas (pressionando alto o adversário; sistema no qual o técnico pede à equipa que disponha estrategicamente dois jogadores em cima da saída dos centrais, um ou mais jogadores na peugada dos construtores adversários para fechar as suas linhas de passe e obrigar os adversários a jogar pelos corredores, corredores onde aparecem logo os laterais a pressionar os alas\extremos adversários, criando uma armadilha que já vou explicar com recurso a um vídeo) com um plano de recurso, que passa pelo recuo imediato e profundo das linhas nas situações em que o adversário consegue suplantar com êxito as duas primeiras linhas de pressão.
  2. o estabelecimento de um bloco baixo, com linhas muito próximas no qual a equipa tenta fazer com que os adversários não se consigam virar de frente para o jogo, feche todas as linhas de passe (principalmente entre linhas), consiga ter sempre superioridade numérica sobre o adversário nas zonas para onde vai a bola (vasculando as linhas) e seja agressiva na disputa da bola.

O sistema de pressão alta:

atletico 6

Os encaixes nos centrais e nos construtores de jogo (Modric e Kroos), obrigando a equipa adversária a sair a jogar pelos corredores.

atletico 7

Filipe Luís sai na pressão ao ala\extremo adversário. Bola para o corredor central para o movimento de antecipação de Benzema. Um dos centrais sai com o jogador para lhe complicar a recepção e a rotação para se virar de frente para o jogo, ao mesmo tempo que se cria superioridade numérica na zona da bola.

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Atrapalhado por 2, Benzema falha o passe. Recuperação da posse.

Recuo atrás para evidenciar os erros cometidos no segundo sistema acima descrito. Para além da evidente falta de intensidade na pressão\agressividade para recuperar a equipa colchonera permitiu:

atletico 9

A entrada do jogo entre linhas.

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A recepção orientada (com rotação para ficar em perfil de forma a poder explorar as linhas de passe existentes) de Jesus Navas (a pisar zonas mais interiores que o seu posicionamento natural, aberto na ala) sem que nenhum jogador seja agressivo a pressionar. Filipe Luís não acompanhou a movimentação sem bola do extremo para o interior. Navas coloca o passe horizontal para a entrada de Sarabia numa zona em que os colchoneros estavam em inferioridade numérica em virtude da concentração de vários jogadores no corredor central.

atletico 11

O comportamento que Simeone pede à equipa é precisamente este, demonstrado no lance do primeiro golo:

Antecipação, agressividade e roubo de bola (Koke), não deixando o jogador do Sevilla receber a bola do lançamento lateral. Aceleração para apanhar o adiantamento adversário no terreno (não o deixando recuperar defensivamente; apanhando exposta\desequilibrada a defesa) e verticalização no ataque à profundidade se existir a abertura imediata de uma linha de passe por parte de um dos homens dos corredores ou de um dos avançados.

Ataque à profundidade

Milimétrico Coutinho!

O que mais haverá para dizer sobre os açucarados pés do brasileiro depois destes 51 segundos de pura técnica individual?

O extremo brasileiro salvou Klopp de um jogo tendencialmente complicado, que não deixou de o ser, mesmo em vantagem, graças a uma miserável exibição de Simon Mignolet. A verdadeira saída a pato culpa-o no primeiro golo do Leicester(1-2). Na 2ª parte, a realização de um grande penalidade na 2ª parte sobre Jamie Vardy poderia ter sido (caso Vardy não tivesse desperdiçado a oportunidade) a injecção de moral que a equipa de Craig Shakespeare precisava para inverter o resultado. Mignolet é efectivamente um guarda-redes capaz do melhor e do pior, instável, que não dá segurança e confiança a um quarteto defensivo, já de si, algo sofrível nos centrais.

Para não perder o comboio da frente, ao alemão valeram-lhe:

  1. o facto de ter criado uma das melhores transições para o contragolpe da Europa em Liverpool.

E um avançado que só sabe bater grandes penalidades à inglesa. Ó Frank Lampard, volta aos relvados para ensinares os teus conterrâneos a bater grandes penalidades.

Como é que Vardy ainda teve o descaramento de olhar para os céus à procura da intercessão divina quando foi um verdadeiro búfalo (para não lhe chamar borrego) a caminhar para a bola, dando a entender nitidamente ao guarda-redes belga a forma e o local para onde ia bater a grande penalidade? Depois de tantas eliminações (nas competições por selecções, nas competições internacionais de clubes) nas grandes penalidades, estes ingleses continuam a não aprender e a não saber pura e simplesmente marcar grandes penalidades.

Momento priceless da noite (para desanuviar)

Tanto em Inglaterra como em Portugal: uns grandesíssimos cabrões que estão sempre ao serviço das equipas de vermelho.

Dado o adiantar da hora, amanhã irei aparecer com mais uploads que tenho aqui guardados. 

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