Os golos da Champions


Peter Bosz é um homem de colhões no sítio. 

//www.dailymotion.com/embed/video/x624hme

Muitos dirão que o bloco defensivo subido (com a linha defensiva no meio-campo) apresentado pelo treinador holandês nos primeiros minutos da recepção caseira do Borussia de Dortmund ao Real Madrid é uma verdadeira estratégia de suicídio face a uma equipa que apresenta tanta qualidade de passe, mobilidade e rapidez na circulação da bola na fase de construção e dois avançados carnívoros (duas autênticas gazelas) no capítulo do ataque à profundidade. Para além do mais esta organização defensiva comporta os riscos que podemos ver no vídeo acima postado. A defesa subida abre um mar de espaço por atacar nas costas da defesa e qualquer falha de marcação pode não ter compensação possível ou pode obrigar um defesa a sair da sua marcação para fazer a compensação.

dortmund

Omer Toprak abandona a sua marcação para fazer a compensação (vulgo, dobra) a Toljan. Isto porque o lateral esquerdo internacional pelos sub-21 da Alemanha falhou por completo na marcação a Carvajal 

toljan

Eu prefiro porém qualificar a estratégia de jogo apresentada pelo técnico holandês, treinador que conduziu o Ajax à final da última edição da Liga Europa como uma prova de coragem. Coragem para obrigar o adversário a cometer erros no início da construção (perdendo a iniciativa), cumprindo uma das ideias-chave do jogo muito peculiar de Bosz: a recuperação da posse por parte da sua equipa num tempo inferior ou igual a 5 segundos. Contudo até a própria coragem tem que ter limites e efectivamente teve (aos 11″, após 2 lances de perigo no qual se evidenciaram vários erros, quer na pressão, quer na marcação, a equipa abandonou a estratégia traçada pelo treinador e baixou linhas; no segundo lance, valeu por exemplo uma rápida recuperação de Lukasz Piszczek para desviar atempadamente a assistência de Ronaldo) quando os resultados alcançados não são os resultados previamente pretendidos ou idealizados pelo treinador (este formato defensivo requer outro tipo de intensidade e agressividade na pressão; intensidade e agressividade que o Ajax de Peter Bosz efectivamente tinha e que só as equipas de Simeone e de Alegri conseguiram nos últimos anos ter nos últimos anos quando utilizaram um bloco subido frente a Barça e Real; facto que explica portanto a razão pela qual a equipa colchonera foi aquela que nos últimos anos conseguiu obter melhores resultados contra o Barça e o Real e a razão pela qual a Juve eliminou o Barça na Champions na temporada passada). No entanto fica aqui a minha nota de apreço em relação ao louco plano de jogo de Peter Bosz. E…

casemiro

… e ao final de mais uma etapa que Casemiro conseguiu queimar no seu crescimento enquanto jogador. Lembram-se do “jogador” que passou pelo Porto? Sim, daquele jogador rude no trato com a bola que levava Lopetegui ao um puro estado de desespero sempre que falhava um passe longo para virar o jogo de flanco? Lembram-se da falta de eficácia que o médio brasileiro revelava no capítulo do passe longo? Está ultrapassada essa fase. O jogador sente-se, quase, como peixe na água neste capítulo revelando uma elevada taxa de sucesso neste capítulo. Neste lance, Casemiro (pouco pressionado é certo) colocou a bola redondinha para a desmarcação de Carvajal.

Quando o pé direito só serve apenas para subir para o autocarro. E Sérgio Ramos a cometer uma descarada grande penalidade. 

//www.dailymotion.com/embed/video/x624j6f

A falta que faz um pé direito regular e funcional ao jogo de Andriy Yarmolenko para este tipo de lances. Não quero reabrir aqui (guardarei para uma próxima oportunidade) uma das mais velhas discussões do futebol: a discussão dos extremos que jogam no flanco oposto ao seu pé preferencial porque estou certo que estaria aqui uma noite inteira a escrever sobre as vantagens e as desvantagens da utilização desse tipo de jogadores, mas é certamente uma das desvantagens e também é uma das razões pela qual o talento ucraniano (algo previsível ao nível de movimentações pelas claras limitações técnicas que possui no seu pé direito) foi cobiçado por meia europa durante vários defesos de verão mas só acabou por sair do Dinamo de Kiev para uma das principais ligas europeias aos 27 anos.

Estavam todos a guardar Ronaldo, descurando a marcação a Gareth Bale. 

https://dailymotion.com/video/x624jvb

Este é um dos erros históricos mais comuns que são cometidos pelos centrais que são imcumbidos de marcar o extremo português.

Nesta fase da partida, a equipa de Bosz tentava por em prática mais uma das ideias-chave do modelo de jogo do seu treinador: a compactação do centro de jogo, através da colocação de 2 linhas muito próximas, com unidades sempre muito pressionantes, sem espaço para jogar entre linhas, num curto espaço de terreno (veja-se os terrenos pelos quais andava por exemplo Dani Carvajal, o jogador mais aberto na ala direita do Real; o lateral está praticamente no corredor central) para formar uma espécie de uma teia sobre o adversário. Bosz utiliza imenso esta estratégia na defesa aos lançamentos laterais porque é a situação de jogo mais propensa à realização deste processo, visto que, nestas situações, o jogo disputa-se num curto espaço de terreno, todos os jogadores podem ser marcáveis individualmente (a proximidade auxilia a antecipação ao lançamento, por exemplo) e a equipa pode mais facilmente fechar as linhas de passe ao adversário. Quando recupera a bola, a equipa volta a abrir-se para fazer circular.

Voltando ao lance em questão.

ronaldo

Quando a bola chega aos pés de Carvajal, Ronaldo pede-lhe imediatamente um cruzamento\passe pingado para as costas da defesa porque existe efectivamente uma abundância de espaço para atacar. O português sabe porém que Bale está nas suas costas mas não sabe se este estava em jogo. Indiferentemente desse facto, o português atrai a atenção dos dois centrais. Tanto Toprak como Sokratis estão de olho…

Posto isto, Carvajal opta por colocar a bola na desmarcação de Bale porque a probabilidade de sucesso é mais elevada. E é mais elevada porquê? Porque se tivesse colocado a bola em Ronaldo, com uma boa leitura da situação, Roman Burki (como podemos ver no momento da finalização, Burki estava bem posicionado à saída da pequena área, ou seja, capaz de intervir, saindo a um eventual cruzamento a punhos) poderia ter saído da baliza para anular a investida ou para fechar a baliza ao internacional português. Ao colocar a bola em Bale, o lateral tomou a melhor decisão possível (está cada vez mais inteligente a jogar), oferecendo-lhe, como cantava o outro, o Rui, sob a genial escrita de canções de Carlos Tê, todo o tempo do mundo para receber e finalizar. A finalização de primeira do internacional galês transpira por todos os poros a sua classe!

A graciosidade da movimentação de Pierre-Emerick Aubemeyang. Um verdadeiro rato de área. 

https://dailymotion.com/video/x624mjy

A forma em como o gabonês se movimenta na área consoante as zonas para onde a bola está circulada e os dotes dos seus colegas, parece bailado. Vejamos:

aubemeyang.PNG

Neste frame, a bola está nos pés de Gonzalo Castro. Como Castro coloca bem a bola à distância, o avançado está posicionado de forma a poder receber um cruzamento largo ou a realizar uma diagonal para receber um eventual cruzamento para a zona de penalty do seu companheiro. Castro opta por variar o jogo para o flanco direito para a entrada de Piszczek. O gabonês não vê qualquer inconveniente na opção do colega.

aubemeyang 2

Percebendo que Piszczek tem muito espaço para progredir e que Sergio Ramos até pode ser obrigado a sair na pressão, o avançado trata de cortar para o interior da área de forma a abrir uma linha de passe ao colega.

Processos simples – duas finalizações à Ronaldo.

Nos lances do 2º e do 3º golo do Real em Dortmund, mais uma vez ficou demonstrada a clarividência, o critério, a visão de jogo e a qualidade de execução do passe dos dois construtores do Real. Se no primeiro, na esquerda, no seu spot habitual, Kroos lançou com um verticalissimo passe a desmarcação em profundidade de Bale; na direita, Modric recebeu, acelerou e lançou a desmarcação em profundidade para a área de Ronaldo. A finalização em potência é a cereja no topo do bolo de uma aceitável exibição ofensiva por parte da formação de Zidane. Só não qualifico como boa porque o adversário concedeu muitas facilidades em virtude dos erros cometidos.

Amanhã voltarei, antes desse quentinho Sporting vs Barcelona (Rodrigo Battaglia espera por ti, Rei Messi! Espera por ti para te castigar com um correctivo, com uma paulada ou com um desarme sempre que te portares mal!) com uma dúzia de uploads dos outros jogos desta noite de terça-feira. 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s