Os golos da Champions (2ª parte)


Começo este post com um grande golo, o golo que abriu o marcador na Otkrytiye Arena, no empate a 1 bola entre o Spartak de Moscovo e o Liverpool. Fernando (não confundir este médio centro de 25 anos com o seu homónimo compatriota que jogou no Porto e no Manchester City) castigou da melhor maneira, com uma exímia cobrança em arco, o livre assinalado sobre a falta cometida à entrada da área por Coutinho sobre o veterano internacional russo Aleksandr Samedov.

Os Reds de Klopp voltaram a escorregar na fase-de-grupos da Champions. Depois de terem empatado a 2 bolas com o Sevilla em Anfield Road no jogo da ronda inaugural, num empate que se pode qualificar como amargo se atentarmos ao número de oportunidades desperdiçadas no 2º tempo e para os erros defensivos cometidos nos golos dos sevillanos, em Moscovo, a história repetiu-se de certa forma. Os Reds desperdiçaram algumas oportunidades (construídas essencialmente através de processos de jogo que privilegiaram o flanqueamento de jogo para os corredores e a velocidade dos seus 3 homens da frente no ataque) e o seu trio da frente sentiu algumas dificuldades para se posicionar em linha no momento do último passe. 3 das melhores oportunidades criadas pelos reds ao longo dos 90 minutos foram anuladas por existência de posição irregular no momento do passe. 

https://dailymotion.com/video/x628ejz

Este foi um dos exemplos. Acelerados como sempre, tanto Mane como Salah poderiam ter resolvido a questão com alguma facilidade se conseguissem ter outra clarividência no seu posicionamento em relação ao posicionamento dos defesas da formação moscovita.

Os dois empates somados pela equipa de Anfield nas duas primeiras jornadas não colocam de forma alguma a formação de Klopp sobre pressão porque nas próximas jornadas, a formação de Liverpool vai defrontar o elo mais fraco do grupo, o Maribor da Eslovénia.

A fórmula de sucesso do Besiktas

Frente ao Leipzig, a formação de Senol Gunes voltou a apostar na mesma estratégia de jogo que rendeu os 3 pontos, 15 dias antes, no Estádio do Dragão.

Os turcos fecharam-se bem no seu meio-campo, apresentando um bloco ultra recuado que visava essencialmente conduzir o adversário ao erro nas situações em que Naby Keita procurava dar critério na organização para o forte jogo interior da formação alemã (para que os seus organizadores Hutchinson e Ozyakup pudessem recuperar a posse e lançar rapidamente o contragolpe com o lançamento através do passe longo para as rápidas desmarcações que eram oferecidas pelos extremos nas bandas). Oferecendo mais posse de bola e mais iniciativa ofensiva ao Leipzig, a formação de Istambul aproveitou cada recuperação de bola no seu meio-campo para surpreender a formação alemã através das suas rápidas e bem trabalhadas saídas para o contra-ataque. Com uma inegável qualidade nos momentos de transição, promovidas por dois médios que tratam muito bem a bola, que conseguem sair da pressão adversária ou retirar a bola das zonas de pressão adversária com muita sobriedade, de forma a lançar, com critério e com a eficácia que se lhes reconhece, os bem abertos extremos (Babel e Quaresma) junto às faixas, o futebol ofensivo do Besiktas passou literalmente pelo despejo de bolas para Quaresma. Talisca não podia, como não poderia deixar de ser, saltar fora da equação. Sempre que Quaresma recebia o esférico na faixa, o brasileiro tratava de juntar-se a Tosun na área para dar mais opções de cruzamento ao internacional português.

Os alemães responderam na 2ª parte com o seu apurado jogo interior. Este lance (um belíssimo trabalho do médio ala (adoptando sempre uma posição mais interior, muito próxima dos avançados Werner e Augustin) internacional austríaco Marcel Sabitzer (a passe de Naby Keita) é um exemplo.

A graciosa recepção orientada do austríaco, recepção em rotação que lhe permitiu, com um subtil toque de calcanhar, fazer passar o esférico por debaixo das pernas do adversário para ter condições para armar o remate é de um portento técnico fantástico.

Explorar os erros adversários: 

Posso afirmar sem pejo e com segurança que neste momento, não existe na Europa uma equipa que explore tão bem e com tanta frieza os erros adversários como o Napoli de Maurizio Sarri. O pressing altíssimo, intenso e agressivo que a turma napolitana exerce sobre as saídas em construção adversárias é já por si (para quem observa regularmente os jogos dos napolitanos) meio caminho andando para conduzir as equipas adversárias ao erro. A pressão intensa\boa reacção à perda acompanhada do fecho de todas as linhas de passe, característica que advém do bom posicionamento que todos os jogadores conseguem formar rapidamente no momento do início da construção ou da perda da posse, cria uma organização defensiva que sufoca agressivamente (pressão agressiva ao portador) por completo os adversários e retira-lhes a necessária e obrigatória clarividência na hora de sair a jogar a partir do seu eixo defensivo.

Por outro lado, a recuperação da posse de bola é utilizada rapidamente como uma cartada para aproveitar a exposição adversária resultante do erro cometido. É aí onde entra a verticalidade constante pretendida pelo treinador italiano para o futebol da sua equipa. Sarri é um treinador que tenta criar nos jogadores a ideia que os jogadores devem “pensar verticalmente” todo o jogo, objectivando-o, “antes de pensar no quer que seja sobre outros aspectos do jogo” – isso significa portanto que antes de trabalhar um lance ao calhas, procurando por exemplo, como fazem uma grande fatia das equipas, atirar a bola para a frente num lançamento longo “a ver no que é que pode ser cavado dali”, ou seja, sem qualquer certezas de sucesso, melhor, sem nenhumas de facto, a equipa deve manter a posse, em qualquer processo ofensivo (ataque ou contra-ataque), através da verticalidade. E da vertigem, característica que é revestida com mestria pelos aceleras que Sarri dispõe; de Zielinski a Mertens passando pelos velozes Lorenzo Insigne e Callejón.

napoli 1

Pressão efectiva. Obrigar o adversário a sair pelos corredores, ou seja, pelo lado em que a formação napolitana quer que a equipa holandesa saia. Superioridade numérica no corredor central.

napoli 2

Assim que a bola entra no corredor, é natural que o jogador holandês tente procurar o apoio mais próximo no corredor central para lhe permitir uma situação na qual este consiga fazer sair a bola da agressiva teia montada pelo adversário. O receptor é pressionado por Jorginho enquanto Allan trata de fechar a linha de passe para o apoio mais próximo.

Os jogadores do Feyenoord ainda conseguem fazer chegar a bola aos centrais para que estes possam reorganizar a saída

napoli 3

Para sair a jogar com segurança creio que a única possibilidade que era oferecida ao central holandês passava por uma recepção com rápida rotação para tentar endossar o esférico ao seu companheiro de sector, dada a concentração de jogadores napolitanos naquela zona do terreno porque tinha uma situação de 3×1  na qual uma triangulação acertada e rápida entre o central, o lateral e o médio colocaria decerto o médio em condições para se virar de frente para o jogo. Se o tivesse feito, o Feyenoord poderia ter suplantado a pressão adversária. Ao servir os seus companheiros (em inferioridade numérica naquela zona do terreno), o central facilitou…

napoli 4

… e o erro acabou inevitavelmente por acontecer.

Nota final para o movimento de Mertens junto aos centrais.

napoli 5

Com a subtil desmarcação realizada sobre o central (abrindo uma linha de passe para as costas) o falso 9 belga abriu o espaço que Insigne precisa para penetrar e rematar.

 

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