O patrão Battaglia revelou aos seus compatriotas a experiência que foi marcar Lionel Messi


Quando o Sporting decidiu avançar para a contratação do argentino, disse para mim mesmo que face ao que tinha visto do rendimento do jogador quer ao serviço do Chaves na primeira metade da temporada quer ao serviço do Braga na segunda metade da temporada 2016\2017, estaríamos a realizar a melhor contratação da presente temporada, numa transferência que só pecava, no meu entendimento, pelo empréstimo de Jefferson aos bracarenses. Não posso ser de todo hipócrita neste aspecto em particular: sempre fui apreciador das qualidades ofensivas (a forma como se projecta no terreno, a sua capacidade de cruzamento, a sua evidente capacidade de carregar o jogo para a frente) do lateral esquerdo brasileiro (apesar de também reconhecer que Jefferson tem efectivamente muitas deficiências quer no plano defensivo, designadamente de âmbito posicional, quer na vertente ofensiva como a incapacidade de conseguir jogar com o interior) mas, por outro também sei depreendi, que as pequenas lesões sofridas no último ano (que efectivamente levaram Jorge Jesus a preteri-lo por um cepo com duas rodas para a frente chamado Marvin Zeegelaar) desmotivaram imenso o jogador. Quando era chamado por Jorge Jesus para cumprir um par de minutos, Jefferson já não demonstrava de todo aquela “fome de vencer” que o caracterizou nas primeiras três temporadas ao serviço da formação de Alvalade. 

No entanto também referi na altura que o argentino não me parecia minimamente talhado para se constituir como um substituto à altura de Adrien Silva na posição 8, caso o internacional português viesse a ser transferido mas uma boa alternativa\opção à posição 6, ou seja, a William Carvalho. A incorrer a seu favor, tomando como comparação as características de Adrien, estavam a sua enorme resistência (atributo físico que lhe permite ser um jogador de altíssima rotação durante 90 minutos) a sua leitura de jogo (a rapidez que lhe permite aparecer rapidamente nos espaços para onde vão cair as segundas bolas, para as ganhar ou para simplesmente travar a iniciativa adversária), a intensidade e a agressividade com que pressiona os adversários, a eficácia ao nível da luta corpo a corpo e de desarme, a sua irrepreensível noção de posicionamento dentro do terreno de jogo (o argentino sabe sempre onde se posicionar para controlar determinada zona do terreno, fechar linhas de passe, interceptar, pressionar, roubar – em suma oferecer equilíbrio e estabilidade defensiva à sua equipa – e a verdade é que o argentino controla um extenso sector de terreno com a maior das facilidades) e a rapidez com que este rapidamente consegue, através da condução, transformar uma recuperação de bola num contra-ataque prometedor, pese embora, neste aspecto em particular ainda lhe falte claramente a noção do timing em que deve soltar a bola para tornar ainda mais vantajosa, do ponto de vista colectivo, a sua acção.

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A incorrer contra o jogador, se atendermos o modelo de jogo de Jesus e o contexto de posse e ataque posicional a que o Sporting está obviamente sujeito a ter que jogar maioritariamente nas partidas a contar para as competições internas, estava, na minha opinião a sua maior lacuna: o capítulo do passe. O jogador tem vindo, contudo, a apresentar significativas melhorias neste capítulo, embora, a sua eficácia não seja ainda a ideal.

Os primeiros meses da temporada acabaram por ditar uma espécie de jogador híbrido que cumpre com distinção qualquer uma das posições supra citadas, e que ainda consegue cumprir numa ou noutra (nomeadamente a de lateral direito) se uma extraordinária necessidade de última hora assim o ditar. Em Santa Maria da Feira, num segundo tempo de elevado grau de dificuldade, o jogador cumpriu, revelando ali algum conhecimento ao nível de posicionamento, rotinas e dinâmicas pedidas pelo treinador para a posição. Na 2ª parte, Battaglia não se coibiu de subir no terreno para apoiar as investidas de Gelson Martins.

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A corroborar o ascensional nível de evolução que o jogador está a ter com Jorge Jesus e a sua magistral influência na equipa do Sporting também incorre a forma quase catedrática que caracteriza a comunicação do jogador com os seus colegas de equipa. Abundantes são as vezes em que as objectivas das transmissões televisivas captam o argentino a falar com os seus companheiros, pedindo-lhes um posicionamento x ou um posicionamento y, mais rapidez, mais agressividade na disputa da bola, mais atenção sobre as movimentações de um adversário, a circulação de uma determinada maneira. Battaglia delibera e moralizada. Incentiva e pede à equipa que não adormece ou que se revitalize, sendo o primeiro a dar o litro ou o corpo ao manifesto.. O argentino fala literalmente como se já fosse capitão e como se já estivesse em Alvalade há uma década – como se cada vitória e cada sucesso da equipa fosse efectivamente uma questão de vida ou morte – a sua atitude de “Battaglia” personifica os valores que norteiam o comportamento que cada atleta leonino deve ter – constituindo-se claramente como o patrão desta equipa.

Para finalizar: não sei se Sampaoli lhe vai dar ou não até ao Mundial da Rússia um lugar na selecção argentina se a albiceleste se qualificar (os argentinos ainda precisam de vencer os 2 jogos para se qualificarem directamente, podendo, em caso de resultados favoráveis noutras partidas, carimbar o apuramento na próxima jornada da ronda de qualificação da COMNEBOL). A concorrer por meia dúzia no elenco do meio-campo que irá ao próximo campeonato do mundo estão craques como Lucas Biglia, Ever Banega, Augusto Fernandez, Leandro Paredes, Emiliano Rigoni, Ignacio Fernandez – o modelo de jogo de Sampaoli necessita de um médio de cariz mais defensivo capaz de matar com rapidez e eficácia as transições adversárias para o contra-ataque em função da exposição defensiva da disposição ultra ofensiva pretendida pelo antigo seleccionador chileno para o “jogar” da selecção das pampas. Biglia, Banega, Fernandez e Leandro Paredes cumprem bem esse papel, mas, os últimos jogos disputados (por exemplo no jogo disputado contra a Venezuela) revelaram que a equipa tem algumas dificuldades para matar saídas rápidas para o contra-ataque e tem notórias dificuldades no capítulo da transição defensiva. É precisamente aí onde Battaglia se pode constituir como uma boa alternativa para Sampaoli. A notoriedade que alcançou em virtude da sua espantosa prestação frente ao Barcelona deverá ter finalmente colocado o jogador no radar do seleccionador argentino.

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