Uma breve abordagem ao “mercado de transferências” do pelotão internacional (1ª parte)


Nota prévia: Como a lista de movimentações foi extensa e ainda tenciono escrever umas linhas sobre os rumores que tem sido publicados pelos órgãos de imprensa especializados, decidi fragmentar este post em 3 partes. Esta será a 1ª parte do post. A segunda sairá o mais tardar na segunda-feira. 

A sensivelmente um mês do “encerramento das cortinas” no que à cénica temporada de 2017 diz respeito e apesar de ainda existirem no próximo mês um conjunto de provas interessantes (Giro da Lombardia, o Giro Dell Emília, o Tour de L´Metropole, a Milão-Turim, o Paris-Tours, a Volta à Turquia, o Chrono des Nations, Tour de Hainan – China ou a Japan Cup) que podem ser aproveitadas por alguns ciclistas para dar lustro a uma época menos conseguida, para ampliar o palmarés obtido ao longo da temporada ou abrilhantar ainda mais a sua sala de troféus, é natural que grande parte das equipas já estejam a preparar o planeamento da próxima temporada. Se algumas equipas ainda tentam nesta altura do ano resgatar para o seu seio alguns dos free-agents que ainda continuam com o seu futuro indefinido, outras já começaram a pensar e a planear o que é que vão fazer a partir do próximo mês de Dezembro porque já conseguiram pescar no mercado todos os corredores que lhes suscitavam interesse. Uma generosa fatia do pelotão mundial irá de férias a seguir ao Chrono des Nations, ficando apenas um número muito reduzido de estrelas para as provas asiáticas, provas nas quais Christopher Froome ou Vincenzo Nibali (entre outros) irão marcar presença em virtude dos compromissos de índole comercial assinados pelos próprios ou pelos patrocinadores das suas equipas com as respectivas empresas organizadoras das provas.

barguil

Warren Barguil irá assumir a chefia absoluta do projecto da região de onde é natural, garantindo assim à Fortuneo a mais que certa atribuição (por parte da ASO) de um wild card de participação no próximo tour e mais um argumento para lutar pela vitória na divisão UCI Pro Continental, triunfo que poderá abrir à formação dirigida por Emmanuel Hubert uma licença de participação nas provas de categoria World Tour

O “mercado de transferências” (salvaguardo sempre o uso de aspas para designar este termo visto que ao contrário de outras modalidades, o ciclismo ainda é uma modalidade no qual os contratos assinados pelos diversos agentes, na maior parte dos casos, são escrupulosamente cumpridos até ao fim) já abriu no passado dia 1 de Agosto. Logo no primeiro dia da janela de transferências, simbólico dia que marca o período no qual a UCI permite às equipas a negociação de contratos para a temporada seguinte com atletas cujo vínculo contratual termina no final da temporada em questão, ficámos a saber da mudança de Warren Barguil da Sunweb para a Fortuneo, ambicioso projecto regional da região da Bretanha que tem tentado nos últimos lugares lutar por uma licença de participação nas provas com a chancela World Tour. A transferência de Barguil é só uma pequena gota no oceano em relação às transferências que passarei a citar de seguida neste post.

marcel kittel

Marcel Kittel protagonizou, na minha opinião, a maior transferência deste final de temporada. Em 2018, o foguete de Arnstradt, vencedor de 5 etapas da edição deste ano do Tour e de 19 etapas nas 3 grandes voltas (14 no Tour, 4 no Giro, 1 na Vuelta) irá correr pelos russos da Katusha, equipa que é orientada pelo nosso compatriota José Azevedo e na qual corre Tiago Machado. A saída de um ciclista deste calibre é naturalmente uma grande machadada para qualquer equipa, ainda para mais se considerarmos que o seu principal lançador, Matteo Trentin, corredor que venceu 3 etapas na Vuelta também sairá para a Orica. No entanto, a Quickstep terá no colombiano Fernando Gaviria um substituto à altura do alemão.

Kittel será efectivamente um reforço de peso para uma equipa que apesar de ter conquistado várias etapas ao sprint por intermédio do actual campeão europeu e vice-campeão do mundo Alexander Kristoff (está de saída dos russos), quer elevar o nível de resultados neste departamento, em especial nas grandes voltas. Não posso de maneira alguma afirmar que o rendimento de Kristoff tenha sido mau ao longo da temporada porque de facto não o foi. O norueguês ganhou um total de 9 sprints nas provas em que participou (conquistou etapas na Volta à Califórnia, no Tour de Oman, na Volta ao Qatar), venceu a geral individual da Etoile de Bessèges, conquistou a camisola dos pontos do Tour de Oman, da Volta à Grã-Bretanha e dos 3 dias de Panne, e venceu por exemplo a Eschborn Frankfurt, prova de World Tour que se disputa naquela cidade alemã no início de Maio. Contudo, o fracasso de Kristoff na última edição do Tour, prova na qual o norueguês passou ao lado sem ter conquistado uma única etapa (a equipa bem deixou a pele na estrada em prol do sucesso do sprinter norueguês) foi a gota de água. A direcção da formação russa deixou bem claro no ar a possibilidade de vir a desistir do projecto se a equipa não conseguir vencer etapas nas edições de 2018 e 2019 das grandes voltas. A contratação de Kittel (o alemão fez uma temporada muito boa com 5 vitórias no Tour, 3 no Tour do Dubai, prova onde também conquistou a geral individual e a camisola dos pontos; 1 na Volta à Califórnia, 1 nos 3 dias de Panne, 1 no Abu Dhabi Tour e outras duas na ScheldePris e Ster ZLM Toer) é portanto uma espécie de all in da equipa russa para as próximas duas temporadas.

Já agora e por curiosidade, o alemão assinou um contrato válida pelas próximas duas temporadas com a formação russa. O ciclista irá auferir qualquer coisa como 250 mil euros\mensais limpos de impostos 2,5 milhões por temporada , tornando-se assim o 5º ciclista mais bem pago do pelotão internacional atrás de Nairo Quintana (2,52 milhões) Kristoff (2,55 milhões), Peter Sagan (3,5 milhões de euros) e Alejandro Valverde (3,81 milhões).

8th Tour of Oman 2017 - Stage One

Não obstante o facto de auferir um elevadíssimo salário, Alexander Kristoff não demorou muito a arranjar colocação. O sprinter norueguês, actual campeão europeu e vice campeão mundial irá correr nas próximas duas temporadas pela UAE de Rui Costa. A UAE também entrará em força no reino dos sprinters na próxima temporada, gorada que estará certamente a paciência de Giuseppe Saroni em relação às medianas (parta não chamar medíocres) prestações de Sasha Modolo. Kristoff será portanto uma cartada importante da UAE para as clássicas das ardenas e para as grandes provas, sendo expectável a possibilidade deste vir a liderar a equipa dos emirados no Tour.

jens keukeleire

O puncheur e gregário Jens Keukeleire regressará a casa em 2018 para engrossar a lista de bons puncheurs e barodeurs da Lotto-Soudal. A Lotto visa assim reforçar a sua armada para as clássicas das ardenas, conjunto de provas que têm sido dominadas nos últimos anos pela Movistar de Valverde e pela Quickstep de Boonen (entretanto retirado após a última edição do Tour de Flandres) Gilbert e Niki Terpstra, vencedor do Paris-Roubaix em 2014. Em 2017, o frenético ciclista, capaz de apresentar bons resultados tanto em terrenos planos como nas chamadas clássicas de colinas venceu a geral individual da Volta à Bélgica e foi 2º na Gent-Welvegem, uma das principais provas de preparação para as clássicas da primavera.

trentin

A Orica não ficará porém a perder nestas negociatas. Matteo Trentin mudar-se-à de malas e bagagens para a Austrália, assumindo na formação aussie um duplo papel. Em algumas provas, o lançador de Marcel Kittel na Quickstep terá a missão de optimizar o rendimento do principal sprinter da formação Caleb Ewan. No Giro ou na Vuelta, bem como noutras provas de 1 semana ou 1 dia, Trentin poderá porém aparecer com ambições próprias.

O seu lançador Jack Bauer acompanha-o nesta aventura. Ewan não poderia estar decerto mais feliz! Terá a trabalhar para si dois dos melhores lançadores mundiais.

mikel nieve

A formação australiana também anunciou, com bastante estrondo, a contratação do principal gregário de Christopher Froome, Mikel Nieve. Nieve encabeçará certamente a chefia da equipa numa das 3 grandes voltas. Restará saber se a formação australiana retirará um dos irmãos Yates do Tour para dar oportunidade ao resistente trepador espanhol e se Nieve estará à altura da exigência do Tour na pele de favorito à geral individual porque uma coisa é correr com a responsabilidade de defender um líder e lançá-lo ao ataque nas melhores condições possíveis (ou seja, sem adversários ou já com os adversários muito desgastados fisicamente) e outra coisa é correr uma grande prova com o nível de pressão normal a que um chefe-de-fila está sujeito. Na Orica, o espanhol poderá ter muitas ajudas para as etapas de montanha: o seu compatriota Carlos Verona e Esteban Chavez (chavito perdeu espaço enquanto chefe-de-fila) poderão ajudá-lo a lutar por um lugar no top 5 do Tour.

 

 

Quem também aproveitou a janela de mercado para se reforçar muito bem foi a Bora. As contratações de dois excelentíssimos roladores (Peter Kennaugh e Daniel Oss) reforçam as ambições de Peter Sagan para a próxima temporada. Tanto Kennaugh como Oss são dois ciclistas que contribuirão muito para a anulação de fugas ou até para a rodagem nestas quando a equipa necessitar de colocar na dianteira bons roladores para desgastar os elementos das equipas dos actuais rivais do tricampeão do mundo. Oss é um ciclista com muita qualidade. Ainda na edição deste ano, o ciclista italiano protagonizou um ataque muito interessante no Paris-Roubaix. A sua contratação terá sido motivada claramente pela manifesta vontade que o eslovaco tem de vencer a mítica prova francesa.

sepulveda

Entra Barguil, sai Eduardo Sepulveda. O trepador argentino, corredor de 26 que liderou a Fortuneo nos últimos 2 anos mudar-se-à já no final do mês para Espanha, país onde irá representar a Movistar. O estatuto que o corredor terá na Movistar será uma incógnita para já. Dono de um enorme talento, Sepulveda chega à maioridade ciclista com um leque de bons resultados na Ruta de San Juan (um 2º lugar em 2016, edição da prova argentina na qual conquistou uma etapa e o Prémio da Montanha; 6º em 2014), na Volta à Turquia (2º classificado na edição de 2015) e na Clássica Sud-Ardéche, prova de elevado grau de dificuldade que conquistou em 2015. Na Movistar terá quanto a mim responsabilidades importantes no auxilío a Nairo e a Valverde mas poderá brilhar numa ou noutra prova para quem sabe no futuro poder vir a ter um estatuto superior quando Valverde se retirar do ciclismo profissional.

tony gallopin

Outra das maiores movimentações de mercado de 2017 foi a transferência de Tony Gallopin da Lotto-Soudal para a AG2R. O antigo campeão nacional francês de estrada ajudará a equipa francesa a colmatar um dos seus principais défices: a inexistência no seu extenso rooster de um ciclista capaz de ombrear com os melhores nas clássicas e de conseguir ao mesmo tempo lutar por vitórias em etapas nas provas de 3 semanas. Em 2017, Gallopin conquistou um contra-relógio na Etoile de Bessèges, prova onde foi 2º da geral individual, foi 2º na Clássica de San Sebastián, 3º na geral da Volta ao Algarve, 6º no GP de Montreal 9º no GP do Quebec e 10º da geral na Paris-Nice. O puncheur francês é um dos ciclistas que movimenta mais pontos no ranking da UCI.

omar fraille

El Señor Energia Omar Fraille correrá pela Astana em 2018. Fraille continuará a desempenhar um papel secundário na equipa casaque, tendo embora liberdade para sair nas fugas nas etapas de montanha das provas em que participar. Duro de roer, quando foge ao pelotão, o espanhol tem uma notável capacidade para decidir o momento em que deve atacar para vencer a etapa. Pode vir a ser uma grande ajuda para Fábio Aru (a sua permanência no elenco da Astana para a próxima temporada ainda não é 100% líquida) caso o italiano decida terminar com o braço de ferro que tem mantido com a formação casaque nas últimas semanas e para Miguel Angel López, o novo wonderkid da formação.

nielsen 1

Numa janela muito agitada para a formação casaque, a Astana também garantiu a contratação de uma das maiores esperanças do ciclismo dinamarquês. Magnus Cort Nielsen, sprinter de 24 anos que já conta no seu palmarés com vitórias na geral do Istrian Trophy e com um amalgamado leque de vitórias em provas tão distintas como a Vuelta (2 na edição do ano passado), a Volta à Dinamarca (4), ou Tour des Fjords, será a grande esperança da formação asiática para os sprints na próxima temporada. Nielsen tem condições para ascender à elite neste departamento já na próxima temporada, visto que nas últimas duas temporadas, na Orica, o dinamarquês foi obrigado a assumir um papel secundário na sombra e no auxílio directo a finalizadores como Caleb Ewan ou Michael Albasini.

davide villela

O vencedor do Prémio da Montanha da edição deste ano da Vuelta, Davide Villela também se mudará da Cannondale para a Astana. Pau para toda a obra, Villela é um ciclista que não fica preso nas inevitáveis lutas por um estatuto superior que ocorrem dentro das equipas. Na Cannondale, o italiano de 26 já passou de chefe-de-fila em determinadas provas a faxineiro de rotina, e de faxineiro de rotina a corredor de estatuto protegido. Cínico e calculista na forma de abordar as corridas nas quais tem objectivos, a Astana conquistou o direito a possuir um corredor que será capaz de garantir nos próximos anos algumas vitórias quer em etapas quer nos Prémios de Montanha das provas onde participar.

jan hirt

A Astana também adquiriu os serviços de um dos corredores que creio poder vir a ser um dos grandes corredores de provas de 3 semanas nos próximos anos. O checo Jan Hirt, ciclista de 26 anos que este ano brilhou no Giro ao serviço da polaca CCC, resistindo em várias etapas de montanha junto dos melhores, possui um imenso potencial que será decerto explorado até ao tutano pela Astana para perceber se pode existir uma alternativa à quase inevitável saída de Fabio Aru.

gorka izaguirre.jpg

1 ano depois da partida para a Bahrain (da Movistar) do mano mais novo Jon, Gorka Izaguirre também deixará a Movistar para rumar à formação do médio oriente, formação que está a apostar tudo na contratação de bons gregários de montanha, pecha que se sentiu tanto no Giro como na Vuelta quando a equipa tentou assumir as despesas da corrida nas etapas de montanha.

mateo mohoric

A formação do Bahrain também investiu forte na contratação de um dos ciclistas mais pretendidos por todas as formações do World Tour. Matej Mohoric, antigo campeão do mundo de juniores e sub-23, ciclista que será certamente um dos mais consagrados baroudeurs da história do ciclismo, assinou pela formação do médio oriente. Aos 22 anos e com uma margem de progressão enorme que certamente se começará a estender para as provas de 1 dia, o esloveno nascido em Kranj já pode exibir um palmarés de sonho no qual se incluem as vitórias de etapa na Vuelta (2017, no seu ano de estreia) e no Tour de Hainan.

odd christian eiking

De jovem promissor para outro jovem promissor, avançamos para a contratação do norueguês Odd Christian Eiking por parte dos belgas da Wanty. Eiking também tem um futuro muito promissor à sua frente. Aos 22 anos, o puncheur\trepador já conquistou interessantes resultados no Giro Valle D´Aosta (a Volta à Itália do Futuro) e na Volta à Noruega. Na Wanty, o corredor será certamente uma cartada para as provas de 1 dia que a equipa disputa nos países baixos.

taaramae

Da equipa que o fez emergir do mundo dos mortos quando nenhuma outra equipa acreditava que o ciclista estónio pudesse vir a confirmar as credenciais apresentadas nas suas primeiras épocas como profissional na sequência de várias doenças (mononucleose, problemas respiratórios, uma patologia na laringe) que lhe afectaram o rendimento entre as temporadas de 2011 e 2015, Rein Taaramae voltará a procurar a felicidade na Direct Energie. O ciclista Estónio, corredor que no passado já conquistou provas de topo do calendário como o Tour de L´Ain, a Volta à Eslovénia e a Volta a Burgos, e logrou alcançar bons resultados no pódio da geral individual de provas como a Volta à Romandia, a Volta à Catalunha, o Criterium Internacional de Ajaccio, Volta à Andaluzia, Étoile de Bessèges, tentará aos 30 anos, voltar a liderar no Tour uma equipa. O seu melhor resultado de sempre na prova francesa foi um 11º lugar na geral individual em 2011 ao serviço da Cofidis.

formolo

Num “defeso” terrível para a Cannondale, uma das grandes esperanças do ciclismo italiano, Davide Formolo, ciclista que alcançou dois resultados admiráveis na Vuelta do ano passado (9º à geral) e no Giro de 2017 (10º) ao serviço da formação norte-americana mudar-se-à em 2018 para a Bora de Rafal Majka, Emmanuel Buchmann e Peter Sagan. Trepador de excelência, o ciclista de 24 anos nascido na região do Veneto, corredor que para além desses espantosos resultados realizados nas duas grandes voltas já conquistou uma etapa no Giro em 2015, será a cartada da formação alemã para o Giro e quem sabe para a Vuelta. A prestação do jovem corredor nestas duas provas deixou-nos de água na boca: poderemos ter aqui um dos próximos vencedores do Giro de Itália?

louis meintjes

Sem espaço com a chegada de Dan Martin à formação da UAE, Louis Meintjes regressará em 2018 a uma casa onde foi bastante feliz num passado ainda recente. Apesar de ter feito excelentes resultados ao serviço da UAE nas edições de 2016 e 2017 do Tour (dois 8ºs lugares na geral), as prestações do sul-africano não foram suficientes para convencer o patrão da equipa Giuseppe Saroni. Pela óptica do patrão da formação de Rui Costa, a contratação de Martin visa exclusivamente o garante de um passo em frente por parte da equipa no que concerne ao Tour, passo que Meintjes ainda não está preparado para dar neste momento da sua carreira. Como Martin deu provas que pode lutar taco-a-taco com Froome, Porte, Quintana e Nibali em qualquer prova de 3 semanas, a UAE quer mesmo avançar com o irlandês para o cumprimento desse desiderato.

Meintjes terá a responsabilidade de liderar uma equipa que tem andado muito arredia dos resultados nos últimos 2 anos. Consta-se até nos meandros que caso a equipa sul-africana venha a repetir o mau desempenho de 2017 em 2018, a UCI avançará para a não-renovação da licença World Tour para a temporada de 2019.. O ciclista de 25 anos é garantia de top 10 numa grande volta. Não é um ciclista muito explosivo nem muito ofensivo mas é extraordinariamente resistente (e regular), conseguindo aguentar muito bem junto aos melhores. na alta montanha.

mikel landa.jpg

Outra das maiores transferências do defeso foi a transferência de Mikel Landa para a Movistar. Landa ainda procura, aos 27 anos, o seu acto de consagração numa grande volta. A 15 de Agosto, o ciclista chegou a acordo com a Sky para rumar à Movistar, equipa onde será decerto chefe-de-fila a uma grande prova, restando saber qual. Os planos da formação de Eusébio Unzué continuam insondáveis e continuarão a sê-lo certamente até Dezembro, altura em que se poderá vislumbrar com mais nitidez que tipo de temporada poderá vir a fazer Alejandro Valverde em 2018 depois da grave lesão sofrida na primeira etapa do Tour de 2017. Não creio que NairoMan não venha a ser escolhido para liderar a equipa para o Tour de 2018, depois de ter feito uma temporada de 2017 no qual o seu principal pico de forma foi planeado para a sua participação no Giro, assim como creio que BalaVerde só deverá aparecer em forma na Vuelta. Poderemos voltar a ter Landa no Giro um ano depois do sensacional comeback que o espanhol conseguiu realizar após a fatídica queda provocada por uma mota da organização que o retirou da luta pela geral individual?

egan bernal gomez

Gregário morto, gregário posto. Sai Landa, entra Egoi Bernal Gomez. Froome é uma verdadeira máquina de formação de talentos. Egan Bernal Gomez vai para a Sky reter a ideia de como é que se conquistam vitórias, para um dia mais tarde, à semelhança de Richie Porte ou Mikel Landa ganhar asas para lutar pelas suas próprias vitórias. Ousado, agressivo e ofensivo, o colombiano que representou a Androni-Giocatolli na última temporada engrossará a máquina de guerra de Froome para o Tour, podendo vir a ter o seu espaço para arriscar qualquer coisa nos próximos anos no Giro se eventualmente demonstrar serviço em prol do líder absoluto e\ou do seu fiel escudeiro Geraint Thomas.

brambilla

Sem grande espaço na engrenagem do fortíssimo esquadrão de assalto da Quickstep, o ofensivo ciclista italiano Gianluca Brambilla tentará na Trek, esquecer a péssima temporada de 2017, temporada em contraste com as duas vitórias alcançadas em 2016 no Giro e na Vuelta, não conquistou nada que se visse nem conseguiu resultados de destaque. Brambilla é um corredor com muita qualidade, em especial, para as provas de 1 dia: é  um ciclista ofensivo com uma extraordinária leitura de corrida associada que lhe permite saber com exactidão os melhores timings de ataque em cada cenário de corrida.

campanaers

O campeão da europa de contra-relógio Victor Campanaerts saltou a fronteira da Bélgica para a Holanda. O rolador irá representar a Lotto-Soudal, vindo de uma época muito interessante na holandesa Lotto-Jumbo na qual se evidenciou em várias provas. O belga é um ciclista que para além das vitórias que conquista no contra-relógio, roda muito bem quando está inserido em fugas.

Para finalizar este post, irei escrever meia dúzia de linhas sobre a transferência de Bryan Coquard para a Vital Concept

coquard

À semelhança do leitmotiv que levou a Fortuneo a contratar Barguil, também a Vital Concept procura ter no seu rooster um corredor que faça pender a balança junto da ASO na hora de atribuir um wildcard para o Tour. A contratação de um dos melhores sprinters franceses, corredor que limpa época após época uma boa dose de critérios do calendário velocipédico que compõe a Taça Nacional de França, insere-se nessa almejada estratégia idealizada pelos responsáveis da equipa sediada na região da Bretanha, equipa que já foi noutros tempos parceira da Fortuneo. Com Coquard vêm também outros ciclistas de renome do ciclismo francês como Kevin Reza ou Yoann Bagot. O investimento total da nova equipa rondará os 6 milhões de euros, visando, já em 2018, a luta pela vitória na divisão UCI Pro Continental.

Bryan Coquard teve um ano algo miserável (6) ao nível de vitórias se considerarmos a resma de triunfos (15) alcançados pelo sprinter em 2016. Aos 25 anos ainda faltam ao sprinter francês vitórias nas grandes provas, conquistas que teimam em não aparecer não por culpa própria deste (o ciclista faz de tudo para entrar bem posicionado no acto de lançamento dos sprints finais) mas, um pouco por culpa da enorme qualidade existente actualmente no departamento de sprint. Como Coquard continua a não estar ao serviço de uma equipa que lhe dê todas as condições para ter bons resultados, desconfio que esta mudança será uma espécie de “mudança para igual”. Se tudo correr positivamente na sua preparação no início de temporada o corredor será um grande candidato a um lugar no top 10 em algumas das clássicas da primavera. Estou certo que o veremos sempre na frente a lutar por vitórias. Não tomo como certa a sua participação no Tour porque os wild cards (até para as equipas francesas) atribuídos pela ASO para a prova são naturalmente limitados pelas regras de participação actualmente impostas pela UCI.

 

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