O golo do dia


Capeta! Sempre Capeta! Jogadora talismã desta equipa feminina do Sporting, cuja influências nas vitórias desta equipa faz-me lembrar, perdoem-me os sportinguistas mais sensíveis, a bizarra influência que Pedro Mantorras teve no título conquistado pelo Benfica de Giovanni Trapattoni na temporada 2004\2005. Nessa temporada, sempre que os encarnados estavam literalmente aflitos para bater um adversário, a velha raposa do futebol fazia saltar o avançado angolano do banco. Mantorras estava naturalmente acabado para o futebol. Toda a gente o sabia. Inclusive os colegas, como veio a revelar há uns anos atrás Simão Sabrosa aos microfones da Sportv. No entanto, mesmo acabado para o futebol profissional e tosco (muito tosco; creio que finalmente existe um certo distanciamento em relação ao fanatismo de temporada e às falsas ilusões que alimentavam esse fanatismo para afirmar abertamente, sem correr o risco de levar com uma laranja na cabeça que Pedro Mantorras era só e somente um poço de força, sendo a sua técnica individual inversamente proporcional ao elevadíssimo grau da sua natureza possante), o angolano tinha uma característica, conquistada nas primeiras épocas enquanto profissional que lhe facilitava a missão nos minutos finais das partidas: assim que viam a sua presença nos relvados, os defesas adversários ficavam completamente desconcertados. A verdade é que no auge físico dos atleta, todos os centrais da Liga Portuguesa sentiram, com maior ou menor intensidade, a dificuldade que era lidar com a velocidade e com a pujança do drible do avançado angolano. 

Capeta tem esse efectivamente esse poder sobre a mente das jogadoras do Braga. Não quero com isto retirar-lhe qualquer mérito porque para além de ser uma atleta esforçada que tem uma soberba entrega ao jogo, nunca dando uma bola como perdida (como pudemos assistir quer na final da Taça da época passada quer no lance que abriu as portas ao prolongamento no jogo da Supertaça), Ana Capeta é uma jogada com uma técnica individual apuradissima nos capítulos da recepção, passe, drible e remate. No entanto, sempre que entra frente ao Braga, a jogadora tem efectivamente esse poder sobre a psique das suas adversárias bracarenses, desconcertando-as por completo.

No primeiro “clássico” da temporada, em Braga, Ana Capeta voltou a decidir com um golo aos 85″. Pese embora o facto de ainda estarmos na 3ª jornada e de termos um campeonato ligeiramente mais equilibrado do que na temporada passada (o Estoril reforçou-se bem com um conjunto de jogadoras vindas do Sporting, Futebol Benfica e Braga; entre as quais Cristiana Garcia; o Boavista também apresenta uma formação mais sólida que a que apresentou no ano passado) este golo pode ser decisivo para as contas finais do campeonato.

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2 opiniões sobre “O golo do dia”

  1. Credo, abrenúncio!… Quando, de repente deixa a “nossa” Ana e nos traz o isMantorra, até senti um baque no coração, o João Branco tem que ter cuidado com essas coisas!…
    A Ana é assim, boa jogadora, inteligente a jogar e… decisiva -feita de Sporting. pois claro!
    Belíssimo golo em qualquer parte do Mundo, a ensinar como se faz e a deixar corados de vergonha muitos dos nossos craques que, em frente ao redes, não sabem por onde fazer passar a bola.
    Parabéns, Ana -e que venham muitos mais golos -destes e dos plebeus…
    SL

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