Os golos do dia


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Começo esta série de recortes pela vitória conquistada pela selecção checa no Azerbeijão (1-2). Num grupo decidido há 2 jornadas no que concerne aos lugares qualificáveis (a Alemanha confirmou ontem a sua natural qualificação directa para a Rússia ao bater a Irlanda do Norte por 1-3 em Belfast; a Irlanda do Norte seguirá ao que tudo indica para os playoffs, confirmando a ascensão que tem vindo a trilhar no actual cenário do futebol europeu desde há 5\6 anos a esta parte) o seleccionador checo Karel Jarolim aproveitou a deslocação até ao Estádio Olímpico de Baku para dar experiência internacional ao conjunto de jogadores com os quais vai decerto trabalhar nos próximos anos.

Ainda longe do altíssimo nível apresentado pelo glorioso elenco que compôs as históricas (finalista do Euro 96, p.e) selecções daquele país na última década do século XX e da primeira década do século XXI (autênticas constelações de estrelas do futebol europeu que tinham no seu elenco artistas como o guardião Petr Kouba, Jan Suchoparek, Pavel Nedved, Karel Poborsky, Pavel Kuka, Radek Bejbl, Pavel Srnicek, Patrick Berger, Vladimir Smicer, Tomas Repka, Jiri Nemec, Jan Koller, Tomas Rosicky, Marek Jankulovski, Milan Baros, Petr Cech, Tomas Galasek e Jaroslav Plasil) a nova formada de talentos do futebol checo, parece querer despontar novamente depois de um período de maior indefinição e erro, que foi amenizado contudo pela qualificação para o Europeu de 2016, beneficiando do alargamento do número de selecções promovido por Michel Platini.

Tendo visto com alguma atenção o futebol deste novo elenco checo, elenco onde na minha opinião se destacam o lateral direito Pavel Kaderabek (Hoffenheim), o seguro central Marek Suchy (Basileia), um meio-campo\corredores cheios de jovens tecnicistas (Jakub Jantko e Antonin Barak da Udinese; Jan Kopic do Viktoria Plzen) gostei muito sinceramente quer dos processos de jogo ofensivos, quer das organizações dinâmicas deste nas situações em ataque organizado e em contra-ataque, pela boa articulação sectorial e intersectorial, pela coordenação das movimentações (a equipa sobe em bloco no momento da recuperação; os laterais aparecem projectados para criar situações de sobreposição no timing certo), pela criação em posse de um amplo leque de opções de passe e de finalização (presença constante de vários homens na área no momento da definição de jogadas), pela capacidade evidente que alguns jogadores tem de perceber a disposição defensiva adversária (dos espaços de jogo; onde a bola pode circular, assegurarando o sucesso de cada iniciativa; um dos processos mais utilizados é a canalização do jogo para o jogo interior, comprimindo a defesa adversária no corredor central; o avançado  Michael Krmencik desce para vir apoiar frontalmente o portador e ligar o jogo, libertando a bola para as alas, onde existiu sempre algum espaço e superioridade para criar, através de situações de sobreposição entre os extremos e os laterais, entrando os laterais no timing correcto para dar profundidade) e pelos métodos utilizados em situações específicas (nos lances de bola parada ofensivos), onde o 2º golo é um bom exemplo:

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azerbeijão

No momento da saída da bola (em canto curto), está apenas um checo em zona de finalização a ser marcado por dois. Na área estão 8 azeris para 5 checos. Ao contemporizar a execução do cruzamento, a selecção checa obrigou os 8 adversários a sair, enquanto os seus 4 “atacantes” entravam no local onde presumivelmente ia cair o esférico…

azerbeijão 2

criando uma situação mais favorável de 4 para 5 na qual, qualquer falha de marcação poderia ter facilitado a obtenção de um golo.

Dois bons guarda-redes

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Do lado checo, Jiri Pavlenka, o guarda-redes do Werder Bremen que substituiu o habitual titular Vaklik (Basileia) impediu que os azeris pudessem empatar a partida a 2 bolas com uma boa defesa numa situação 1×1. Já o nosso bem conhecido Kamran Agayev, guardião que representou o Boavista na última temporada e que curiosamente actua agora num clube checo, o Mlada Boleslav, impediu, numa situação idêntica, a estocada final de Vladimir Darida aos 74″ com uma brilhante parada, numa jogada em que mais uma vez, numa acção de contra-ataque, os checos procuraram o jogo interior, mais concretamente a ligação de jogo que é feita quase de forma exímia por Krmencik.

Em Belfast… 

A indefectível, invencível e imparável selecção alemã de Joachim Low precisava apenas do empate para confirmar o apuramento directo. Já a selecção da casa, selecção que volta a confirmar a sua ascensão no cenário europeu com um apuramento para os playoffs por via de uma quase irrepreensível prestação na fase de qualificação precisava de vencer a Alemanha para ainda poder acalentar a ténue para não dizer impossível (a Alemanha teria que perder frente ao Azerbeijão no jogo que se disputará no próximo domingo) esperança de eventualmente ainda se vir a apurar directamente na última jornada.

Como é apanágio desta selecção, os alemães entraram com muita determinação no jogo, decididos a resolver o assunto no mais breve espaço de tempo. Os primeiros 4 minutos foram de verdadeiro assalto à bomba armada à baliza defendida por Michael McGovern. Optando pelo flanqueamento de jogo para a profundidade garantida pelos laterais Joshua Kimmich e Marvin Plattenhadt (este último voltou a ter uma oportunidade para firmar credenciais, em função da lesão contraída por Jonas Hector há algumas semanas no Emirates frente ao Arsenal; frente a uma selecção norte-irlandesa que como se sabe actua num sistema táctico 5x3x2 defensivo, com linhas muito próximas, retirando portanto espaço para jogar ao adversário em especial no corredor central, no qual tenta assegurar a estabilidade defensiva através da colocação de 7 ou 8 unidades no interior da área\entrada da área) foi um autêntico desfile de cruzamentos até à áre adversária, área onde destaco também a presença de multiplos jogadores, garante de várias opções de cruzamento para quem cruza. Com uma verdadeira balastrada do meio da rua indefensável para qualquer guarda-redes deste mundo e do outro, o médio do Bayern Sebastien Rudy abriu o marcador logo no primeiro minuto. Passados 3, McGovern já estava novamente a ser posto à prova. Aos 16″ Sandro Wagner mandou a bola ao poste num arrepiante cabeceamento…

para quatro minutos mais tarde, marcar o 2º dos alemães com um conjunto de pormenores técnicos à ponta-de-lança. Com uma excelente recepção orientada que lhe permitiu adiantar a bola (escondendo-a do seu marcador directo Gareth McAuley) e virar-se de frente para a baliza com angulo aberto para stickar, o avançado do Hoffenheim marcou um dos golos mais bonitos da jornada do dia de ontem da ronda de qualificação para o Mundial.

No momento do cruzamento estão 4 alemães no interior da área, incluíndo, ao 2º poste, Joshua Kimmich. 

A Irlanda do Norte limitou-se a conseguir o seu golo de honra, de verdadeira consolação, já em período de descontos, numa jogada clássica do futebol britânico.

https://dailymotion.com/video/x63hz7p

Chris Brunt bateu largo para o 2º poste para a referência da equipa em lances de bola parada (Gareth McAuley) tendo o central do West Bromwich Albion feito um belo amorti para a concentração de jogadores que se encontravam na pequena área. A cabeçada do central veio a encontrar pelo caminho (acredito que este tipo de lances não seja fruto do acaso mas de um entrosamento treinado pelo seleccionador norte-irlandês) Josh Maggenis.

Em são Marino, selecção que está mais que vacinada para a goleada, os noruegueses, selecção que foi nas últimas rondas sovada magistralmente na sua visita à Alemanha, tiveram oportunidade para se vingar frente a uma inofensiva selecção que passou territorialmente 78% do tempo de jogo enfiada com os 11 jogadores nos últimos 30 metros. Mohammed Elnyoussi (2 golos de livre directo) e Ole Kristian Selnaes marcaram 3 golos de belo efeito na goleada por 8-0.

No que diz respeito à 9ª jornada do Grupo E de qualificação, em Yerevan, capital da Arménia, a selecção polaca sabia que depois da hecatombe sofrida na última janela na Dinamarca (os polacos sofreram uma verdadeira goleada sem apelo nem gravo, perdendo em Copenhaga por 4-0) só precisava de um triunfo para encaminhar o carimbo do passaporte para a Rússia. A qualificação está portanto dependente exclusivamente de um empate frente a Montenegro na última jornada, sabendo que Montenegro por sua vez precisa de vencer (a selecção montenegrina perdeu 1-0 frente aos Dinamarqueses no verdadeiro mata-mata que se disputou na noite de ontem em Podgorica) a selecção para ainda acalentar a possibilidade de chegar pela segunda vez na sua curta história enquanto nação aos playoffs de qualificação) desde que a Dinamarca não consiga vencer frente à Roménia em casa porque o actual score das duas equipas (7-12 para os Dinamarqueses; 8-10 para os Montenegrinos) faz pender o fiel da balança para a formação balcanica. Nos dois jogos disputados entre as duas selecções, Montenegro venceu 1-0 na Dinamarca e a selecção dinamarquesa venceu Montenegro em casa também por 1-0.

Na Arménia, casa de Henrik Mktharyan do Manchester United, Robert Lewandowski foi rei com um hat-trick, trio de bolas que permitiram ao jogador tornar-se o jogador com mais golos apontados na história daquela selecção com um total de 50 concretizações. Ao mesmo tempo, o incrível registo de 15 golos somados nos 9 jogos disputados permitiram ao avançado tornar-se para já o pichichi da ronda de qualificação, com mais um tento apontado que Ronaldo e 2 que Lukaku. Ronaldo irá decerto apanhar e voltar a ultrapassar o avançado do Bayern no jogo de amanhã frente a Andorra. O avançado do Bayern marcou de livre directo (na gaveta) e de livre indirecto.

Christian Eriksen – Uma exibição muito importante na vitória dinamarquesa em Podgorica

Com espaço, sem espaço, rodeado de 4 ou com caminho aberto para dar critério à organização do jogo dinamarquês, o comandante surpremo das naus de Mauricio Pocchettino e Age Hareid, voltou a puxar dos galões para encaminhar a Dinamarca até à plataforma de embarque para a Rússia, 5 anos depois da última participação da selecção nórdica numa fase final de uma competição por selecções (no Euro 2012) e 7 anos depois da desastrosa participação no campeonato do mundo da África do Sul. O golo somado em Podgorica pelo playmaker dinamarquês deixa os dinamarqueses a um ponto (no jogo caseiro que falta disputar frente à Romenia no domingo) do playoff, podendo aquela selecçlãoe ainda vir a qualificar-se directamente se vencer os romenos e se Montenegro der uma ajudinha na Polónia, batendo a selecção local.

No 3º jogo do grupo, a selecção Romena, selecção que anda arredia das fases finais de Mundiais desde o Mundial de França em 1998 (ainda não será em 2018 que esta selecção marcará presença num Mundial, tendo que esperar com sorte, se continuar desenvolver bem a sua selecção nos próximos 4 anos por uma vaga no Mundial que se irá disputar no Qatar) bateu a modesta selecção do Casaquistão por 3-1 num desafio onde se viram algumas jogadas interessantes construídas por parte dos romenos:

A rápida acção contragolpe construída através de processos simples por parte do lateral Romario Benzar, do extremo Alexandr Chipciu e do móvel avançado (mais fixo nesta partida junto aos centrais) Florin Andone.

Jogada extraordinariamente bem pensada e bem executada pelos romenos.

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Tudo começa numa recuperação de Benzar no seu meio-campo. 

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O lateral combina com o seu extremo junto à linha, realizando um movimento divergente para a ala para estender o jogo e obrigar o lateral esquerdo da equipa casaque a ter que sair para pressionar junto à linha, movimento que gera o fosso existente entre lateral e central, espaço que Benzar vai aproveitar para colocar o passe em Andone, enquanto Chipciu aparece a dar apoio por dentro. 

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Existindo espaço, Andone só tem mesmo que isolar o colega com um passe para o espaço vazio. 

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A finalização de Chipciu não é a melhor. Bastava ter picado a bola por cima do guardião casaque. O extremo do Anderlecht tentou dar com a parte de dentro do pé.

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Rápido a ler a decisão tomada pelo avançado do Deportivo, o guardião casaque Stas Pokatilov saiu rapidamente da baliza para encurtar o tempo de execução ao extremo romeno. O guardião teve algum mérito nesta jogada pela forma como tratou de dificultar a finalização de Chipciu com uma rápida saída dos postes e com uma boa mancha para o seu lado esquerdo.

Mestre Constantin Budescu

Em dia sim, isto é o melhor que o criativo médio do Steaua (atleta que em função da lesão contraída durante o mês de Agosto não pode dar o seu contributo no jogo de Alvalade e apareceu a meio-gás no jogo da 2ª mão; um Budescu em melhor forma poderia ter dificultado imenso a vida do Sporting visto que é um jogador que cria imensos desequilíbrios quer através do passe, quer através de acções individuais em drible) consegue fazer. No primeiro lance, o 14 da selecção romena provocou através do passe uma situação de ruptura junto da defesa casaque. Optando por cair nas alas a partir daí, o playmaker tratou de resolver um jogo que caminhava para um grau de dificuldade de nível superior com duas belas jogadas individuais: uma deu golo e a outra resultou na grande penalidade que haveria de fixar o resultado de 2-0 verificado no final do primeiro tempo.

As estiradas de Jan Oblak em Wembley e a baliza guardada por um cão de 3 cabeças…

Numa partida cuja resolução acabou por ser de extrema complexidade para a selecção inglesa em função da boa atitude defensiva dos eslovenos, não obstante a interesse dinâmica colectiva da equipa e os processos de jogo utilizados pelo que pude ver nos 2 resumos (presença dos médios nas alas para criar superioridade; Rashford e Sterling constantemente inseridos em zona interior; Harry Kane a descer no terreno para auxiliar o processo de construção) destaco no meu apanhado como fulcral, para manter o jogo num nulo no marcador, as enormes (e mais variadas) intervenções do antigo guarda-redes do Benfica, dos dois centrais da formação eslovena e do seu médio de cobertura Rajko Rotman. Rotman, Bostjan Cesar e Miha Mevlja foram no jogo da noite de ontem disputado em Wembley uma verdadeira adaptação ao futebol de Cerebrus, o cão de 3 cabeças da mitologia grega, encarregue de guardar a entrada no mundo inferior – o reino subterrâneo dos mortos. Harry Kane só conseguiu efectivamente penetrar a baliza de Oblak quando já passavam 3 minutos para além do tempo regulamentar!

 

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