Os golos do dia


Blaise Matuidi descomplicou a vitória num terreno consuetudinariamente difícil para qualquer selecção.

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Foi com um tiraço de ângulo diminuto, sob oposição de um carrinho realizado por um búlgaro e com o guarda-redes bem colocado ao primeiro poste a fechar o ângulo que o médio da Juve, jogador que foi adquirido no último defeso ao PSG, clube onde perdeu espaço nas escolhas de Unai Emery, tranquilizou as hostes francesas frente a um adversário que a jogar em casa gosta de complicar o jogo a qualquer selecção através da colocação de um futebol muito musculado a meio-campo.

Os franceses tiveram as melhores oportunidades da partida, frente a uma selecção búlgara que optou pelo jogo que a caracteriza: um jogo muito musculado a meio-campo, muito pressionante e até muito viril (com muitas entradas assassinas; na sequência de uma entrada maldosa de um jogador búlgaro aos 34″ Ngolo Kanté acabaria por lesionar-se, sendo imediatamente substituído por Rabiot) na fase de transição francesa (bloco médio; muito espaço para jogar entre linhas dado o posicionamento a meio-campo da linha média e um posicionamento do quarteto defensivo à entrada da sua grande área) vincado com a sistemática e infrutífera utilização de um jogo pragmaticamente flanqueado que visava colocar cruzamentos para a área francesa.

Tanto Antoine Griezmann como Kylian Mbappé (este mais solicitado em velocidade junto à defensiva búlgara acções de contra-ataque) tiveram nos pés várias oportunidades para estender o resultado ainda nos primeiros 20 minutos do desafio.

Aos 36 minutos, numa fase em que os búlgaros se empolgavam mais no ataque (expondo a sua defensiva) Hugo Lloris mostrou todos os seus reflexos na defesa da noite. Apesar de não ter conseguido segurar o primeiro remate devido ao carácter escorregadio do relvado de Sofia, na segunda bola, o guardião do Tottenham fez uma defesa monumental a um cabeceamento à queima roupa:

O Grupo A ainda não está fechado. Com 1 ponto de vantagem para os suecos, os franceses precisarão obrigatoriamente de conquistar 3 pontos na recepção à Bielorussia na terça-feira. Os suecos terão uma deslocação difícil à Holanda, sabendo de antemão que só uma vitória por 7-0 golos dará o 2º lugar e o consequente apuramentos para os playoffs aos holandeses.

Frente ao Luxemburgo, em Estocolmo, os suecos sabiam que tinham que marcar o máximo número de golos possíveis para “afastar” as pretensões holandesas no jogo que se disputará na terça-feira em solo holandês.

Numa noite em que o jogo directo clássico do futebol daquele país demorou poucos minutos a quebrar a resistência luxemburguesa (os luxemburgueses ainda ofereceram em alguns lances da primeira parte um agradável cheirinho a contra-ataque, quebrando por completo fisicamente no 2º tempo) Marcos Berg, veterano avançado de 31 anos que actualmente joga no Al Ain dos Emirados Árabes Unidos, foi rei com um poker.

Em Minsk frente a um adversário de grau de qualidade superior, os holandeses cumpriam a mesma missão mas a muito custo em virtude da avalanche ofensiva construída pelos bielorussos no 2º tempo: conquistar os 3 pontos frente à selecção bielorussia não chegava para ainda aspirar a poder lutar por um lugar no playoff, depois de mais uma ronda de qualificação em que a selecção holandesa não atinou. Tornava-se preciso portanto marcar o máximo número de golos e preferencialmente não os sofrer para construir um score capaz de permitir um assalto ao 2º lugar do grupo na última jornada.

Alavancados pelo jogo interior construído a partir do flanco direito por Arjen Robben, o homem que é naturalmente por estes dias o mais inconformado dos holandeses (o criativo extremo do Bayern, jogador que levou  novamente a selecção holandesa até aos píncaros do futebol de selecções pretenderá decerto despedir-se da sua selecção num ambiente mais digno do que este em que a laranja mecânica se encontra) os holandeses criaram duas situações de perigo para a baliza bielorussa através de dois remates de meia distância. No segundo, Vincent Janssen, um avançado móvel que tem o dom de jogar muito bem de costas para a baliza (cede bons apoios frontais às investidas; tabela bem; consegue rodar muito bem à entrada da área ou até mesmo no interior da área para finalizar; apesar de ser um bom finalizador de jogadas, a finalização não é contudo o seu forte desde que saiu do AZ Alkmaar em 2016; nas últimas 3 temporadas, ao serviço do Tottenham e Fenerbahce, o avançado de 23 anos fez apenas 8 golos em 43 partidas) fez uma excelente rotação em espaço muito reduzido (rodeado de adversários) finalizar a jogada com um estoiro à trave da baliza dos homens do leste europeu.

Robben estaria envolvido no lance do primeiro golo dos holandeses, quando ofereceu de mão beijada, com um amorti, o golo ao médio do PSV Davy Propper

A seguir ao golo holandês, a selecção bielorussa perdeu por completo a pouca organização que já tinha evidenciado até aquele momento. Pressionando mais alto a selecção holandesa, começou a existir muito espaço entre linhas para Propper receber entre a linha média e a linha defensiva dos locais, de forma a servir as investidas em desmarcação de Ryan Babbel, Arjen Robben e Vincent Janssen para as costas da defesa. No contra-ataque, Robben também fez estragos mas Janssen continuava a não acertar com a baliza. Se o avançado que actualmente representa os turcos do Fenerbahce por empréstimo do Tottenham tivesse aproveitado as 4 ocasiões que teve no primeiro tempo e nos 5 minutos iniciais do segundo, os holandeses poderiam ter cavalgado para uma vitória histórica que lhes permitiria decerto acalentar mais esperanças do que as que efectivamente acalentam.

Esmorecidos, talvez pelas notícias que decerto deveriam estar a ser comunicadas a partir do banco em relação ao andamento dos outros jogos do grupo, os holandeses baixaram a guarda no início da segunda parte até níveis que considero algo inconcebíveis (mas correntes do desempenho apático que esta selecção está a ter há vários anos a esta parte), início marcado pelo maior fulgor ofensivo dos bielorussos e por imensas falhas dos holandeses no capítulo da transição defensiva aos ataques rápidos montados pelo interior do terreno (com a devida projecção dos laterais bielorussos no terreno) e da própria organização defensiva do seu quarteto defensivo.

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Transição 4×4 – Linha defensiva inexistente (completamente estilhaçada) com grande parte dos jogadores a recuperar em verdadeiro suplesse (ou será suplício?) no meio-campo adversário.

Uma opção de passe à direita que não esta devidamente marcada na sua zona. 

Na esquerda, Daley Blind deixa o seu opositor ganhar-lhe a frente para receber a bola na área, fintar e rematar.

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O lateral direito Daryl Janmaaat excessivamente por dentro sem hipóteses de poder atacar aquele passe para interceptá-lo.

Robben não acompanha o movimento de penetração de Volodko. 

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Ao invés de ter atacado imediatamente aquele passe para ainda poder resolver a jogada (pressionando a acção do lateral esquerdo Maxim Volodko; limitando-lhe o tempo e o espaço para rematar; executando um carrinho que pudesse enviar a bola pela linha final) o holandês decidiu deixar a bola entrar no lateral, que com, todo o espaço do mundo e em condições de atirar cruzado ao segundo poste assim o fez, empatando a partida.

Já a vencer por 2-1 (recém entrado na partida, Bas Dost conquistou a falta que permitiu a Robben colocar novamente os holandeses em vantagem na partida a partir da marca dos onze metros) ainda destaco este lance como péssimos exemplos defensivos:

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Marcação mal realizada. Jogador solta-se para atacar a bola.

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Passividade total de todos os jogadores holandeses no ressalto da trave, com 3 jogadores à frente do seu guardião, prontinhos a receber o ressalto.

Com uma magnífica cobrança de um livre directo, Memphis Depay colocou em 7 a penosa diferença que os holandeses terão de recuperar na terça-feira frente à Suécia. Só um milagre colocará esta Suécia fora do playoff de apuramento. Os suecos sabem que em caso de vitória e escorregão da França frente à Bielorússia em casa poderão qualificar-se directamente para a Rússia.

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