Os golos do dia (1ª parte)


A alegria de toda uma nação (sofredora; a passar por um período muito conturbado da sua história; na qual, na sequência da Revolução da Primavera Árabe de 2011, passou de uma feroz ditadura para outra ainda mais feroz, a de Mohammed Morsi, entretanto derrubada em 2012 por Abdul Al-Sisi) nos pés de um único jogador, nos pés grande ídolo do futebol egípcio: Mohammed Salah. Confesso que me emocionei imenso ao ver estas imagens. Não me coibi até de verter uma lágrima quando vi os efusivos festejos dos 80 mil adeptos presentes no Cairo, festejos que me fizeram recordar os meus eufóricos festejos no momento do inesquecível do golo de Miguel Garcia em Alkmaar, daquele golo de Rochemback frente ao Newcastle, do golo de Acosta que nos abriu portas para um título inesquecível, daquele golo do Capel frente ao Athletic ou daquele golo de Figo frente aos ingleses no Euro 2000. Esta é a verdadeira essência do futebol: uma equipa que não desiste do seu sonho até ao último minuto, a explosão de alegria de uma gigantesca população de 96 milhões de pessoas que ama o futebol da cabeça aos pés. O grande colosso do futebol africano está de volta ao Mundial, 27 anos após a última presença. Salah sucederá certamente a Abdel Ghani (o barbudo!) como o rei do futebol daquele país. 

Ruiz no plantel já!

“Foi o melhor cruzamento de pé direito que fiz na minha carreira” – afirmou o canhoto Bryan Ruiz no final da partida. 

Do Cairo viajamos para San José. Os ticos conseguiram, no último minuto, num final impróprio para cardíacos, o 5º bilhete para o Mundial de Futebol da sua história.

Há muito que o tenho vindo a defender junto dos meus amigos, indiferentemente dos motivos que vieram a selar a sua dispensa na presente temporada. O Sporting não se pode dar efectivamente ao luxo de não reintegrar um jogador desta qualidade no seu plantel, isto é se, depois de tudo o que se tem escrito na imprensa a propósito da sua dispensa (eu não acredito muito sinceramente na banha da cobra que tem sido vendida a propósito do “caso das caneleiras”, acreditando que o motivo é de índole financeira) Ruiz ainda estiver psicologicamente apto a reintegrá-lo com sentido de missão e disposto a dar tudo pelos objectivos da equipa. Se assim o for, creio que se constituirá como um bom reforço de última hora, capaz de oferecer mobilidade entre linhas, visão de jogo, qualidade no passe, bons dribles sobre os adversários nos corredores, bons cruzamentos para Bas Dost\Doumbia e uma maior e melhor gestão da posse no meio-campo adversário quando a equipa está em vantagem.

Illarra resolve um jogo “aburrido” à bomba

No regresso às opções de Julen Lopetegui, seleccionador que aproveitou a descompressão competitiva garantida pela confirmação do apuramento na passada sexta-feira para testar em Israel um elenco praticamente novo na selecção. Cesar Azpilicueta, Nacho, Nacho Monreal, Asier Illarramendi, Marco Asensio, Aritz Aduriz, e Jonathan Viera (fiquei encantado com os pezinhos do médio do Las Palmas, jogador que foi lançado nestas últimas jornadas por Lopetegui; no entanto achei que o jogador é pouco móvel e procura pouco o jogo, característica que não encaixa minimamente nas ideias do seleccionador espanhol) foram titulares na selecção espanhola, selecção que teve algumas dificuldades para penetrar no denso, bem povoado e bem organizado bloco ultra recuado de 2 linhas disposto a toda a largura do terreno dos israelitas.

O seleccionador israelita Elisha Levy foi inteligente na estruturação do seu plano de jogo, principalmente na vertente da organização defensiva. Defendendo com 10 homens atrás da linha da bola (povoando o espaço existente entre a linha defensiva e a linha média com um jogador; Levy contaria decerto com a titularidade quer de Isco quer de Silva; dispondo a linha defensiva de 5 à entrada da área, facto que não permitiu aos espanhóis ter muito espaço para atacar a profundidade nas costas da defensiva, através do lançamento para uma eventual desmarcação em diagonal que Pedro Rodriguez tão bem executa no Chelsea, p.e) os israelitas obrigaram os espanhóis a ter que circular pacientemente a bola entre os 3 corredores para conseguirem arranjar espaço para progredir. Com os laterais muito abertos e os centrais instalados no meio-campo adversário (Sergio Ramos funcionou como um autêntico médio na primeira parte), Pedro e Viera mais por dentro e Asensio a jogar a toda a largura do terreno, oscilando entre as alas e o miolo, a formação espanhola não procurou deitar muitos cruzamentos para a área à procura da sua referência ofensiva para o jogo desta noite (Aduriz) na primeira parte, criando três lances de perigo através de dois remates de meia distância (Ramos e Viera) e de uma sensacional desmarcação de Pedro num lance de contra-ataque conduzido por Viera, numa primeira parte na qual deram um autêntico banho de posse no meio-campo da equipa da casa.

israel

Nos primeiros minutos da partida, a circulação espanhola foi afectada por um conjunto de perdas a meio-campo de Illarramendi e Busquets. A cada perda de bola, os médios israelitas (principalmente o médio do CSKA Bibras Natchko) tentavam dar critério à saída de jogo através da colocação de bolas nos flancos, em especial no esquerdo, flanco onde Ofir Davidzaza e Maor Melikson estiveram muitos activos, construíndo algumas plataformas interessantes de ataque através de combinações. No entanto, sempre que a selecção da casa conseguia chegar ao último terço (foram poucas as oportunidades; os espanhóis conseguiram ser sempre muito rápidos a reagir à perda da posse), a definição da jogada construída não era a melhor.

Na 2ª parte, após um início algo periclitante dos israelitas no qual a formação da casa tentou ter mais posse pressionar a formação espanhola em sectores mais adiantados do terreno, perdendo mais bolas a meio-campo (dando azo a rápidas saídas para o contra-ataque) e dando mais espaço para os espanhóis poderem circular entre linhas, os israelitas voltaram à sua fórmula original.

Bom pormenor técnico de Jonathan Viera. 

Itália vence mas volta a não convencer

Na Albânia, a selecção italiana voltou a provar que é uma equipa com poucas ideias ofensivas e que tem muitas dificuldades para penetrar no último terço adversário. Mesmo apesar da enorme chuva de críticas de que foi alvo nos últimos dias após ter empatado contra a Macedónia em casa, o casmurro seleccionador italiano manteve a aposta no duplo pivot Parolo\Gagliardini, realizando algumas alterações no onze e na estrutura táctica da equipa (passando de uma linha defensiva a 3 para uma linha defensiva a 4; sistema táctico 4x4x2 classico com a inclusão de Eder em cunha com Immobile na frente de ataque) mas os italianos continuaram a ter um fraquíssimo desempenho ofensivo. Eder, Antonio Candreva e Leonardo Spinazzola entraram para o onze (Zappacosta saltou para o banco; Matteo Darmian passou da esquerda para a direita do sector defensivo).

A incapacidade de conseguir jogar no meio-campo adversário (frente a uma equipa que naturalmente se apresentou com um bloco defensivo muito recuado, subindo contudo as linhas de pressão assim que foi ganhando alguma confiança em virtude do nulo registado até à primeira-hora) agudizou-se quando, no lance acima postado, a sair de trás, numa fase em que os albaneses tentavam subir as suas linhas de pressão até ao meio-campo adversário, Giorgio Chiellini cometeu uma autêntica raridade que não é vista muitas vezes no futebol italiano, ao bater longo à procura de Immobile na saída de jogo. Na minha modesta opinião, toda a equipa que bate na frente (com ou sem critério) demonstra acima de tudo falta de preparação no capítulo da construção.

Os albaneses por sua vez criaram algum perigo através de saídas rápidas para o contra-ataque, saídas em que se destacou a enorme capacidade ostentada pelos seus dois médios Ledian Memushaj e Ergys na ligação do jogo entre sectores, Optando sempre pela colocação de remates de meia distância, Armandu Sadiku (extremamente móvel na frente de ataque, fugindo bem à marcação de Bonucci ou Chiellini para vir receber o jogo, virar-se e arriscar no remate de meia distância) e Eros Grezda puseram Buffon à prova em 3 ocasiões.

António Candreva viria a resolver a partida com uma finalização ao 2º poste, numa jogada construída pelo lateral\ala esquerdo da Atalanta Leonardo Spinazzola.

A selecção macedónia terminou literalmente em grande o grupo G de qualificação. Nas últimas 4 partidas, a selecção comandada por Igor Angelovski arrancou 2 vitórias e 2 empates. Se a qualificação tivesse arrancado agora, face aos problemas pelos quais está a passar a selecção italiana e ao bom futebol e boa organização (em todas as fases do jogo) dos macedónios, arriscar-me-ia a dizer que a formação desta antiga república da Jugoslávia teria todas as condições para ombrear com os italianos pelo 2º lugar e pelo consequente apuramento para os playoffs. Pese embora o facto de poder vir a perder mais cedo ou mais tarde a sua principal referência, Goran Pandev, aposto que a jovem e desenvolvida selecção dos macedónios (composta por talentos que ao contrário de outras gerações, já actuam em clubes de outra dimensão do futebol europeu; citando alguns: Ristovski joga como se sabe no Sporting; o ala esquerdo Aliovski é titular do Leeds do Championship; o centrocampista e cérebro da construção de jogo macedónia Enis Bardhi joga no Levante da Liga Espanhola; Arljan Ademi no Dinamo Zagreb; Nikola Gjorgev no Twente; Elif Elmas no Fenerbahce; Aleksandr Trajkovic e Ilia Nesterovic no Palermo de Itália) deverá certamente ser uma das candidatas ao bilhete dourado oferecido por Michel Platini para o próximo campeonato europeu.

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