Os sinais positivos e negativos da exibição do Sporting em Oleiros


Da exibição de Oleiros, destaco como positivas 3 exibições individuais:

A de Daniel Podence  – Em Oleiros, o segundo avançado começou a ganhar forma, podendo-se dizer que está finalmente pronto para se constituir como alternativa a Bruno Fernandes ou até mesmo para abraçar a titularidade quando o médio for obrigado a recuar no terreno devido a qualquer impedimento que não permita a Jorge Jesus utilizar William ou Battaglia. Em forma ou fora de forma, não tenham dúvidas que Podence é, em todas as dimensões do jogo (técnica, física, táctica, psico-cognitiva) um grande craque.

Dimensão táctica\psico-cognitiva – É um grande craque (de uma inteligência suprema em todas as acções que realiza) pela forma em como lê o posicionamento da defensiva adversária para encontrar sempre o espaço vazio para receber a bola, seja entre a linha média e a linha defensiva adversária, seja mais encostado para uma ala.

É um grande craque pela forma em como nunca se esconde do jogo por entre as linhas adversárias quando a equipa precisa que ele consiga mover-se para vir atrás pegar no jogo, arrastando nesses movimentos um defesa ou um médio adversário. Por consequência, ao arrastar jogadores nas suas movimentações, Podence abre espaços para a equipa circular.

  • Dimensão Física – É um grande craque pela forma em como aguenta 90 minutos em alta rotação, pressionando, e não tendo medo de ter a bola no pé para acelerar o jogo.

É um grande craque porque nunca dá uma bola como perdida, aparecendo bem muito na ilharga do guarda-redes para aproveitar qualquer ressalto que possa surgir na sequência de um remate de meia distância.

podence 1

Podence no espaço vazio, faz uma movimentação divergente (do centro para o flanco) para oferecer progressão a Matheus.

podence 2

Matheus toma a opção de flectir para o interior. Podence entra na área e continua a dar linha de passe a Matheus. Se o brasileiro lhe tivesse colocado ali a bola, estou certo que Podence seria capaz de criar um lance de perigo para a baliza adversária.

Dimensão técnica – É um grande craque porque sempre que tem a bola nos pés, transpira magia. Quer no capítulo da recepção, quer no capítulo do drible, quer no capítulo do último passe, quer no capítulo do cruzamento. Magia.

A segunda exibição que destaco desta partida foi a de João Palhinha – Palhinha faz uma boa exibição na qual provou a Jorge Jesus que pode contar mais vezes com os seus serviços. O trinco esteve fantástico na forma em como não teve medo de ter a bola nos pés na transição para o ataque, chegando inclusive a pensar todo o jogo ofensivo a partir de trás, um pouco à frente dos centrais (nunca abdicando portanto da sua principal missão: garantir estabilidade defensiva nos momentos em que a equipa pudesse perder a bola para matar as investidas adversárias no contra-ataque) e a tentar até transportar a bola até ao último terço (queimando as linhas adversárias) nos momentos em que a equipa não lhe oferecia linhas de passe para circular em segurança.

Importante nas bolas paradas, na 1ª parte abriu o marcador com um remate de fé e na 2ª parte a sua exibição voltou a ser recompensada com aquele pequeno presentinho que Podence desencantou num lance de insistência.

Jovane Cabral – O puto cabo verdiano também deverá ter subido na consideração de Jorge Jesus. Em 3\4 jogadas reparei que Jovane já conhece bem as dinâmicas que Jesus pede para aquela posição. Melhor: em 5 minutos compreendi que Jovane fez o que Matheus não conseguiu aprender\entender durante 5 meses. O que é que Jesus pede para aquela posição? Um jogador capaz de entrar em terrenos mais interiores na fase de construção para receber o jogo, arrastando consigo a marcação do seu lateral adversário ou de um dos interiores (se a zona onde entrar pertencer a um dos interiores adversários; podendo aí pensar-se numa variação imediatação de flanco porque o outro interior tenderá a tentar aproximar-se daquela zona para fazer contenção, abrindo espaço no outro flanco para jogar) para ligar imediatamente o jogo com o lateral, entrando posteriormente na frente, no último terço, sem oposição, para criar. Basicamente o que Jesus pede é um 1×2 entre os homens dos corredores, no qual num primeiro momento ambos atraem as marcações adversárias para as suplantar com uma troca em velocidade. Se não entrar um 1×2, ao entrar no meio, o jogador vai obviamente comprimir mais jogadores no corredor central, podendo aí pensar-se numa rápida variação de flanco. O que é que Matheus fez na maior parte do jogo? Abriu na linha, colando-se ao lateral. Assim é praticamente impossível realizar uma acção 1×2. Ao longo da primeira parte foram incontáveis as vezes em que Jesus chamou o brasileiro para lhe explicar o que pretendia da sua prestação.

Sinais negativos:

A exibição de Petrovic não conta. O sérvio não está pura e simplesmente habituado às rotinas da posição, em especial, em termos da marcação ao ponta-de-lança adversáriop. O rudimentar Jackson fez do sérvio uma verdadeira farofa bastando-lhe ganhar a frente dos lances em velocidade.

André Pinto – Fífias atrás de fífias. Fífias comprometedoras que não são concebíveis em alta competição porque são porque são normalmente capitalizadas pelos adversários.

Nesta jogada, André Pinto estava mal posicionado no decurso da jogada do Oleiros… 

andré pinto

ainda por cima, nesta jogada, o central preocupou-se mais em levantar a mão para pedir fora-de-jogo ao assistente em vez de recuperar rapidamente para voltar a tomar posição na área… 

3 erros imperdoáveis para um central de uma equipa grande

jackson

Falha a intercepção com o adversário a ganhar-lhe a frente do lance nas costas. Se Jackson fosse outro jogador, teria decerto terminado o lance na cara de Salin.

jackson 2

Quando a esmola é muita, o cego desconfia. Jackson parecia não ter acreditado na falha do central do Sporting. O ponta-de-lança do Oleiros demora a conseguir orientar a bola, possibilitando a aproximação de André Pinto. O central não foi rápido a fazer a aproximação ao jogador para lhe poder arrancar a bola dos pés ou para arrumar o assunto como uma falta visto que ainda não lhe tinha sido exibido um cartão amarelo.

andre pinto

Péssimo na abordagem ao adversário. A 3 metros do jogador qual é o central que consegue abordar e intervir no quer que seja? André Pinto deixou o jogador flectir para o interior a seu belo prazer, possibilitando-lhe a realização de um remate que levou perigo à sua baliza. 

No 2º golo do Oleiros, a estúpida atitude do central foi por demais hilariante: “Vá, marca um” – disse o central para um colega ao mesmo tempo em que um adversário lhe passava pelas costas para lhe ganhar a frente do lance.

Isolem tudo o que se vai passando na área e atentem apenas no comportamento de André Pinto. Para vos simplificar a vida dividi o comportamento do central em vários frames

andre pinto 2

André Pinto dá um toque nas costas do colega como que a dizer “Vá, amiguinho, sai daqui, vai marcar alguém” – não cabe na cabeça do experiente central (nem a Salin) dar ordem de evacuação da área no momento em que já se sabe que a bola vai cair nos pés do jogador adversário para criar a armadilha do fora-de-jogo.

andre pinto 3

Nas suas costas, um jogador do Oleiros apercebe-se que ao lado tem um colega que:

  • está nas costas de um adversário
  • tem o central leonino algo distante, logo com menor possibilidade de vir a intervir no lance.

Logo, esse jogador vai entrar nas costas do central para lhe ganhar a frente…

andré pinto 4

(,,,) para tentar finalizar se a bola for colocada na zona onde se encontra ou permitir, ao colega que está à sua frente, uma situação de finalização sem a intervenção do central…

André Pinto mandou o colega marcar mas pelos vistos é ele quem não sabe marcar. O central do Sporting serviu de pato para o jantar de 2 futebolistas amadores.

Da exibição de Romain Salin, é melhor não escrever o quer que seja para não correr o risco de descarregar aqui toda a minha bílis. Da de Matheus Oliveira, penso que referi tudo o que tinha a referir quando destaquei a exibição de Jovane. O brasileiro deu hoje mais um passo seguro para um empréstimo em Janeiro.

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2 thoughts on “Os sinais positivos e negativos da exibição do Sporting em Oleiros”

    1. No ano passado, em Moreira de Cónegos eu gostei muito da exibição dele no lado esquerdo. Nesse jogo foi ele que deu a vitória e foi ele quem rachou a defesa do Moreirense. Eu acho que o Podence é um daqueles jogadores cuja inteligência, capacidade física e capacidade técnica lhe permite jogar em qualquer lugar da frente de ataque, sempre com o mesmo aproveitamento. Mesmo na frente, frente aos centrais (como vimos no 4º golo), ele dita sempre qualquer coisa.

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